A discussão do orçamento municipal de 2027 na Câmara de Vargem Grande do Sul é uma oportunidade para direcionar recursos públicos às necessidades reais da população. Nesse contexto, as emendas individuais impositivas dos vereadores são um instrumento importante, desde que utilizadas com responsabilidade e compromisso com o interesse coletivo.
Embora os valores sejam pequenos, R$ 194 mil por vereador, sendo que deste valor, R$ 97 mil, ou seja, 50% deve ir para a Saúde, esse mecanismo permite destinar parte dos recursos municipais a ações prioritárias nos bairros. Mas as escolhas não devem servir a interesses eleitorais ou à promoção política de seus autores, e sim à solução de problemas que afetam a vida dos moradores.
Para isso, é indispensável ouvir quem convive diariamente com as dificuldades dos bairros. Ruas em más condições, iluminação deficiente, falta de acessibilidade e espaços públicos que necessitam de melhorias, investimento em saúde no postinho do bairro ou melhoria na escola onde as crianças estudam, são exemplos de demandas que devem ser consideradas na definição das prioridades.
Cabe aos vereadores abrir esse diálogo, avaliar as sugestões e justificar suas decisões. Também é necessário dar transparência à destinação dos recursos e acompanhar sua execução. Afinal, não basta anunciar investimentos: é preciso que eles saiam do papel.
O orçamento não pode ser apenas uma peça técnica, distante da realidade da população. Deve refletir escolhas responsáveis e produzir benefícios concretos para a cidade. Esse exemplo dos vereadores ao consultarem os moradores dos bairros, podem ter efeito futuro e fazer com que o Executivo ao preparar a Lei Orçamentária Anual, passe também a ouvir a população antes de enviar o texto para análise e votação dos vereadores.
Um bom começo poderia acontecer no próximo orçamento, com a prefeitura destinando um valor para que os moradores pudessem participar e apontar onde a verba ou parte dela poderia ser aplicada em melhorias nos bairros.
De fato, ouvir quem paga os devidos impostos na hora de se fazer o orçamento anual, deveria ser um hábito de nossos administradores municipais. Infelizmente, passam-se os anos, as administrações, entra prefeito, sai prefeito e nenhum deu ainda um passo importante nesta direção, deixando de criar uma cultura de participação popular que acontece nas cidades pequenas de vários países mais desenvolvidos do mundo.
É o caso de algumas cidades da Alemanha, da Dinamarca. Lá, um dia, os moradores começaram a participar com o incentivo dado pelas prefeituras e até hoje usam desta ferramenta para que os administradores direcionem melhor o que os cidadãos precisam em seus bairros, depois de devidamente discutido e aprovado.












