Sociedade precisa debater futuro do zoológico municipal

Manter animais enjaulados, é um dos grandes questionamentos atuais

Despesas para sua manutenção em 2022 chegavam a quase R$ 1 milhão por ano

Já passou da hora da sociedade vargengrandense fazer um amplo debate sobre o futuro do zoológico municipal de Vargem Grande do Sul. A Gazeta de Vargem Grande abordou o assunto em fevereiro de 2022, quando era então prefeito Amarildo Duzi Moraes, mas nada prosperou desde então.
A iniciativa cabe sem dúvidas à prefeitura municipal, hoje sob a administração do prefeito Celso Ribeiro (Republicanos), a quem caberia levantar toda a questão através de seu Departamento de Agricultura e Meio Ambiente, fazer reuniões públicas, conversar com a sociedade e definir os rumos do órgão ligado ao meio ambiente.
Também a responsabilidade cabe à Câmara Municipal, através de seus vereadores, que deveriam fazer um amplo levantamento das questões e debater com a sociedade, procurando unir forças com o poder Executivo sobre esta importante questão que leva a um gasto mensal de R$ 80 mil e quase R$ 1 milhão por ano, conforme dados que o jornal obteve em 2022.
A questão a ser debatida é se nos dias atuais é viável despender R$ 1 milhão por ano para se ter alguns animais enjaulados ou se seria possível investir este dinheiro em outras finalidades do Meio Ambiente, como a própria estruturação do departamento, atualmente sem diretor e com apenas dois funcionários; investir por exemplo na recuperação das nascentes do município ou mesmo arborizar toda a cidade. Também pode-se reinventar o próprio zoológico para que tenha uma outra finalidade, como se tornar um santuário para cuidar de animais feridos da fauna local, por exemplo.

Prefeitura não respondeu perguntas
Para o desenvolvimento desta reportagem, o jornal enviou no último dia 29 de julho, há mais de 10 dias, várias questões à Assessoria de Comunicação da prefeitura municipal, mas até o fechamento do texto, não houve resposta por parte da administração municipal.
As perguntas formuladas pela Gazeta de Vargem Grande e que tinham a finalidade de poder esclarecer aos seus leitores e também à população vargengrandense a situação atual do zoológico de Vargem, foram: O Zoológico Municipal precisa atualmente de alguma reforma?; Quais foram as mais recentes melhorias estruturais realizadas no Zoológico Municipal?; Quantos profissionais técnicos estão atualmente vinculados ao zoológico (biólogos, veterinários, zootecnistas)? E os outros funcionários, quantos são?; Com que frequência os animais passam por avaliação veterinária?; Existe algum programa de enriquecimento ambiental em curso?; Algum animal foi reintroduzido à natureza nos últimos anos? Por quê?; O zoológico recebeu algum animal nos últimos tempos? Se não, por quê?.
Também foi perguntado: Qual é o custo mensal atual de manutenção do zoológico?; A prefeitura considera economicamente viável manter o zoológico nos moldes atuais?; Há convênios com universidades, ONGs ou órgãos ambientais para apoiar a gestão técnica e financeira?; Existem fontes de financiamento externo ou planos para captar recursos?; A prefeitura já considerou transformar o zoológico em centro de reabilitação ou refúgio de fauna?; Existe abertura para discutir com a população o futuro do zoológico por meio de audiências públicas?; A administração tem recebido críticas da população sobre o estado atual do espaço?; Há plano de renovação ou reposição do plantel de animais? Em caso afirmativo, com quais critérios?; Quais são os objetivos da prefeitura com o zoológico para os próximos anos?.
Algumas questões possuem caráter técnico e precisariam das respostas dos departamentos e outras caberiam ao próprio prefeito responder, mas passado todo esse tempo, as respostas não vieram. A reportagem também procurou os funcionários do zoológico, mas foi informada que eles estavam impedidos de darem qualquer informação, mesmo a de quando o zoológico foi inaugurado e que era para procurar a assessoria da prefeitura.
Sobre a inauguração do zoológico, a assessoria de Imprensa da prefeitura respondeu dizendo que foi em março de 1994, na época era prefeito José Reinaldo Martins. Também respondeu que o Bosque Municipal foi inaugurado em 31 de outubro de 1976, na gestão Huber Braz Cossi e que em 1988 o local recebeu o nome de “Nestor Bolonha”. Afirmou ainda que na gestão do prefeito Celso Ribeiro em 2008, houve uma ampla reforma do zoo, que foi finalizada em 2010 e que posterior a isso, foi construído e ampliado mais um espaço no zoológico, que foi terminado em dezembro de 2012, gestão do prefeito Amarildo.

Números passados durante a gestão de Amarildo
O jornal abordou o assunto do zoológico municipal na edição do dia 5 de fevereiro de 2022, com uma foto estampada na capa do jornal, onde aparecia um bugio dentro de uma jaula e já chamando o poder público e a sociedade para discutir a situação do zoológico. A reportagem publicada na página 8 daquela edição trazia como manchete “Manutenção do zoológico de Vargem merece amplo debate”.
Em fevereiro de 2022, a Gazeta de Vargem Grande enviou várias perguntas à administração do então prefeito Amarildo e a assessoria de Comunicação na época informou que o zoológico possuía 96 animais de 23 espécies diferentes, com predominância de aves. Trabalhavam em 2022 no estabelecimento 10 servidores, sendo uma médica veterinária, uma bióloga e oito servidores de serviços gerais, encarregados da limpeza e manutenção dos recintos e da alimentação dos animais.
O gasto mensal do zoológico ficava em torno de R$ 80 mil por mês.
Sem a informação da atual administração, não será possível informar à população se os gastos diminuíram no passar destes três anos, ou se aumentaram. Também é certo que animais devem ter morrido e não foram repostos. Na época, conforme explicou a administração municipal, havia uma decisão de não mais adquirir animais para o zoológico.
“No estágio atual do zoológico, o propósito é de fazer a manutenção do plantel existente, pois na sua categoria, não pode ser introduzido novas espécies e nem aumentar o plantel através de procriação, então, o objetivo é fazer o manejo dos animais alocados, proporcionando saúde e bem-estar aos mesmos”, informou o responsável pelo setor na ocasião.
Em Vargem Grande do Sul, o zoológico municipal funciona junto ao Bosque Municipal e dentre seus serviços, está a visitação pública, ficando aberto de terça a domingo, das 8h às 16h. Também consta na placa existente no local, que o objetivo do mesmo é proporcionar o lazer, a educação e a conservação das espécies animais.

Administração na época falou em discutir o problema
Dentre as perguntas formuladas pela Gazeta de Vargem Grande ao então prefeito Amarildo Duzi Moraes, uma indagava como a administração via a condição de confinamento de animais nos tempos atuais para exibição pública; se o zoológico poderia cumprir outra função e se a prefeitura já tinha sido procurada por alguma entidade que queria cuidar da recuperação de animais silvestres.
Segundo resposta recebida pelo jornal, a administração do prefeito Amarildo acreditava ser necessário fazer um debate com a sociedade sobre a questão do zoológico, pois entendia ser um assunto de grande relevância e que a sociedade precisava participar dessa discussão, onde pontos importantes deveriam serem analisados, como confinamento dos animais, alto custo para manutenção do local, bem estar animal, outras funções para o zoológico, busca de novos convênios, parceria público-privada, papel do zoológico na Educação Ambiental, pesquisas, lazer, conservação da Biodiversidade entre outros assuntos relevantes.

Diretor do Meio Ambiente comentou sobre a questão
Atualmente o departamento de Agricultura e Meio Ambiente ainda se encontra sem diretor, mas em 2022 ocupava a direção do referido departamento o médico veterinário Edson Sbardellini, e o mesmo fez o seguinte comentário naquele ano: “Os zoológicos em regra têm benefícios e malefícios e esse debate a sociedade precisa participar para definirmos o futuro. Fomos procurados algum tempo atrás para que a Prefeitura pudesse construir uma área para receber animais silvestres oriundos de tráfego de animais, animais com vítimas de maus-tratos, acidentados etc., sendo necessário um grande investimento na adequação do zoológico e principalmente na manutenção, o que mostrou-se inviável para o município”.

Quais caminhos poderiam ser tomados?
Com um gasto anual de R$ 1 milhão, a manter as informações que foram passados em 2022 pela prefeitura, a decisão de manter, transformar ou fechar o zoológico municipal merece de fato uma ampla discussão das autoridades constituídas e da sociedade.
Algumas questões poderiam fazer parte deste debate, para saber se há retorno público e social atualmente com o funcionamento do zoológico a um custo de R$ 1 milhão por ano e poderia começar com uma simples questão, se ele tem nos dias atuais alta visitação escolar ou turística. Se positiva, poderia até avaliar melhor a questão.
Também poderia ser discutidas outras opções, como transformar o local em centro de educação ambiental; criar um santuário para a fauna local, visando o resgate de animais feridos; fazer alguma parceria pública privada, dentre outras opções que poderiam aflorar. Sem dúvida uma boa questão também para os vereadores se debruçarem nas próximas sessões da Câmara Municipal.

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