Carro elétrico ganha espaço pela economia e tecnologia

A advogada e empresária Andrieli Ferreira está satisfeita com seu carro elétrico. Foto: Reportagem

As vendas de veículos leves eletrificados no Brasil mais que dobraram no primeiro semestre de 2026 e atingiram um novo recorde. Entre janeiro e junho, foram comercializadas 215.023 unidades de modelos 100% elétricos e híbridos, alta de 125% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O crescimento do segmento superou em seis vezes o desempenho do mercado automotivo como um todo, que avançou 20% no semestre, elevando a participação dos eletrificados para 15,8% das vendas de veículos leves no país. O avanço é impulsionado pela redução dos custos de uso, pela evolução tecnológica e pela ampliação da infraestrutura de recarga, que chegou a 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos em junho, um crescimento de 21% em relação a fevereiro.


A presença desses veículos pelas ruas da cidade ainda é baixa. Mas a advogada e empresária, Andrieli Ferreira, de 29 anos, é uma das moradoras de Vargem que trocaram os carros a combustão por um modelo elétrico. Ela é proprietária de um modelo BYD adquirido há cerca de um mês e afirma que a principal vantagem percebida pela família foi a economia. Segundo ela, os gastos frequentes com combustível praticamente desapareceram. “A gente gastava horrores em postos de gasolina. Hoje já não gasta mais”, relata.


Ela explica que cada recarga completa custa, em média, R$ 40,00 na conta de energia elétrica e oferece autonomia de aproximadamente 300 quilômetros em trajetos urbanos. Mesmo com o carregamento frequente, Andrieli afirma que não percebeu aumento significativo no consumo de energia da residência.
Além da economia, a tecnologia embarcada é um dos principais atrativos do veículo. O carro conta com inteligência artificial, comandos de voz para controlar funções como ar-condicionado, sistema de som e chamadas telefônicas, dispensando o uso do celular durante a condução. Dependendo do modelo, os bancos ainda oferecem função de massagem ao motorista.
O veículo de Andrieli, avaliado em cerca de R$ 119 mil, possui diferentes modos de condução. No modo econômico, a velocidade fica limitada a cerca de 105 km/h, privilegiando a autonomia da bateria. Já no modo esportivo, o desempenho é superior, mas o consumo de energia também aumenta.


O carregamento residencial exige uma adaptação na instalação elétrica. Segundo a proprietária, a concessionária fornece o equipamento necessário, sendo preciso realizar aterramento e adequações no padrão da residência. Em uma carga convencional, o tempo médio para recarga completa varia entre quatro e cinco horas.
Para viagens mais longas, Andrieli considera que a principal limitação ainda é a infraestrutura de carregamento no país. Ela conta que já viajou até Campinas sem dificuldades, mas destaca que trajetos maiores exigem planejamento para localizar pontos de recarga rápida, capazes de completar a bateria em cerca de 40 minutos a uma hora. Esses carregadores costumam estar disponíveis em shoppings, postos de combustível e outros estabelecimentos, sendo que alguns cobram pelo serviço.

Para Andrieli Ferreira, modelo se destaca pela economia. Foto: Reportagem

Na avaliação da empresária, a confiabilidade mecânica também pesa a favor dos veículos elétricos. Ela afirma que pesquisou bastante antes da compra e encontrou poucas reclamações relacionadas à manutenção. O modelo adquirido possui garantia de 10 anos oferecida pela concessionária, e, segundo relatos que ouviu de outros proprietários, as intervenções realizadas até o momento se restringem às revisões programadas.


Andrieli ressalta que todos os modelos elétricos da marca são automáticos e considera que, além da questão da autonomia em viagens longas, não identifica outras desvantagens relevantes. Para quem pretende comprar um veículo elétrico, ela recomenda atenção às diferenças entre os modelos disponíveis, já que pequenas variações de preço podem representar um ganho significativo em tecnologia e equipamentos.
O interesse pelos veículos elétricos também começa a crescer no mercado local. Segundo Andrieli, somente no último mês foram comercializados cinco veículos eletrificados pela empresa da família, sendo dois modelos iguais ao seu logo após a chegada do primeiro exemplar. Ela acredita que atualmente já existam cerca de dez ou mais carros elétricos circulando em Vargem Grande do Sul, número que tende a crescer à medida que a tecnologia se torna mais conhecida entre os consumidores.

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