Ganhando o pão dirigindo um trator Massey Ferguson/66

Com seu Massey Ferguson Cinquentinha, de mais de 60 anos, Mateus tira o sustento da família

Há muitas maneiras de ganhar a vida honestamente através do trabalho. Mesmo que seja um trabalho árduo, duro, mas é com ele que Mateus Otero, 35 anos, mais conhecido como Mateus do Trator, sustenta sua família. Casado com Andrieli, o casal tem dois filhos, o pequeno José Mateus, de dois anos, e o bebê Felipe, de apenas dois meses.
Mateus é motorista de trator. Desde os seus sete anos ele está envolvido com a máquina muito utilizada nos meios agrícolas. Seu pai, o conhecido Zé do Trator (José Otero), falecido aos 73 anos, já arrastava o filho ainda pequeno na lida com o trator, removendo entulhos, fazendo limpezas de quintal, dentre outros serviços. Lidou com o veículo por cerca de 30 anos e deixou ao filho o seu legado de trabalho e uso da máquina como ferramenta para o sustento do dia a dia.


Neste mês em que se comemora o Dia do Motorista, 25 de julho, data que se celebra o Dia de São Cristóvão, padroeiro desta profissão, o Guia do Motorista da Gazeta de Vargem Grande entrevistou Mateus Otero, que contou um pouco de sua vida e do trabalho de motorista junto ao Massey Ferguson 50X, o famoso Cinquentinha, ano 66, que mesmo com 60 anos de atividade, ajuda Mateus no seu trabalho e ganha pão.
“Tiro o sustento da família, pago o aluguel, tudo com ele”, confessou o tratorista com um certo orgulho ao falar. Mas, Mateus não para por aí, também é cozinheiro e churrasqueiro. Principalmente nos finais de semana, engorda o salário atendendo a vários de seus clientes que apreciam um bom churrasco e o contratam para o serviço.


Com o trator, o serviço maior é a remoção dos entulhos, com os proprietários dos imóveis o contratando para esta finalidade. Disse que geralmente trabalha sozinho, mas quando necessário, ainda contrata alguém e coloca um ajudante. “É um trabalho de muito esforço, serviço pesado, não é só dirigir o trator, tem de grudar na pá para carregar e depois para descarregar”, afirmou o profissional.

Falta de local para deixar os entulhos

O trabalho é árduo, mas Mateus destaca os pontos positivos, como os “passeios” pela cidade

Mateus Otero falou à reportagem enquanto enchia a carroceria do seu trator com entulhos, que gosta da profissão que exerce. “É trabalho duro, mas andamos por toda a cidade, isso distrai muito nossa cabeça”, comentou.
Mas, nos dias atuais ele e sua categoria vem enfrentando o que para eles é um sério problema. Citou que além dele, mais dois tratoristas exercem essa função e existem mais três empresas de caçambas na cidade que recolhem entulhos e não tem um local definido pela prefeitura municipal para o descarte dos entulhos.


Disse que hoje praticamente os antigos carroceiros que também catavam entulhos, deixaram de fazer por questões ligadas aos animais. “Hoje, a grande dificuldade é ter onde descartar o material que recolhemos na cidade. A prefeitura não tem um lugar certo e dependemos de terceiros para esta finalidade”, afirmou.
Disse que já tentou várias vezes falar na administração municipal e não conseguiu tratar da questão. Quem os socorre, são alguns proprietários de chácaras, que precisam do entulho para tapar buracos, para arrumar suas estradas. “Cada vez estão mais longe os locais para descarregarmos os entulhos. Estamos pedindo ajuda à prefeitura, precisamos de um local mais acessível”, afirmou o tratorista.
“Falo em nome de todos os caçambeiros, se não tivermos locais para desfazer os entulhos, nossa profissão está ameaçada, nosso ganha pão e dos demais companheiros também”, finalizou Mateus Otero.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui