Nova CNH do Brasil já forma motoristas em Vargem Grande

Vargem Grande do Sul já conta com novos condutores formados dentro do programa CNH do Brasil, que substitui a exigência de carga horária fixa por um modelo personalizado de aulas práticas. Segundo o instrutor credenciado Eduardo Garcia, que atua na função há mais de 26 anos, mais de 30 alunos do município já conquistaram a Permissão para Dirigir (PPD) treinando diretamente com ele nessa nova modalidade.
Ao final do curso prático, o próprio aluno passa a avaliar o atendimento do instrutor diretamente pelo aplicativo CNH do Brasil. Para Garcia, essa relação é um diferencial do novo sistema. “Essa transparência ajuda os próximos futuros condutores a conferirem minha nota, avaliações e credenciamento oficial antes de iniciarem as aulas”, afirmou.
O instrutor descreve a mudança como uma das maiores transformações já vividas na formação de condutores no país. “A CNH do Brasil veio para ficar. Estamos vivendo uma verdadeira modernização no processo de habilitação. O foco agora é a qualidade do aprendizado e o desenvolvimento de cada aluno, e não apenas o cumprimento de uma carga horária rígida estabelecida”, explica.
Antes, o candidato precisava cumprir 20 aulas práticas obrigatórias. Com a nova modalidade, segundo Garcia, a exigência mínima cai para duas aulas, e o total passa a ser definido conforme a evolução e a necessidade de cada aluno. “Proporcionando uma formação mais eficiente, personalizada e econômica”, diz o instrutor.
A flexibilidade também alcança os horários e os veículos usados no aprendizado. De acordo com Garcia, o aluno pode escolher horários compatíveis com sua rotina de trabalho e realizar as aulas com o carro do instrutor credenciado ou com veículo particular, incluindo automóveis com câmbio automático e motocicletas do tipo Biz, desde que atendam à Resolução Contran nº 1.020/2025.
A segurança, segundo o instrutor, continua sendo prioridade dentro do novo modelo. “Os instrutores são devidamente credenciados e, em Vargem Grande do Sul, todos possuem ampla experiência na formação de condutores, adquirida ao longo de anos de atuação em CFCs. Os veículos passam por rigorosa vistoria do Detran para o exame prático, garantindo total conformidade com a legislação”, afirma Garcia, que resume o modelo como uma forma de democratizar o acesso à habilitação e reduzir custos sem abrir mão da formação de condutores mais preparados.
A instrutora autônoma Carina Marini Buzatto, com três anos de experiência na função em Vargem Grande do Sul, reforça o caráter humanizado da proposta. “A CNH do Brasil nasceu com o propósito de oferecer um ensino mais humano, personalizado e voltado para a formação de condutores seguros e conscientes”, diz.
Para Carina, o trabalho dos instrutores autônomos representa uma evolução no processo de habilitação. “O trabalho dos instrutores autônomos representa uma evolução no processo de habilitação, permitindo um atendimento individualizado, com mais flexibilidade, transparência e foco nas reais necessidades de cada aluno. Mais do que preparar para o exame prático, nosso compromisso é formar motoristas preparados para enfrentar o trânsito do dia a dia com responsabilidade, segurança e confiança”, afirma.

Fotos: Arquivo Pessoal

Instrutores Independentes
O Ministério dos Transportes divulgou os requisitos para quem deseja atuar como instrutor autônomo de trânsito, categoria que passa a oferecer aulas práticas sem vínculo com autoescola. Para exercer a função, é necessário concluir um curso específico voltado ao desenvolvimento de habilidades pedagógicas, ao conhecimento técnico das leis de trânsito e à condução responsável, seguido de prova de avaliação e emissão de certificado aos aprovados.
Depois de concluir a formação, o instrutor precisa obter autorização do Detran para atuar. A partir daí, seu nome passa a constar em uma lista de instrutores habilitados mantida pelo Ministério dos Transportes. O veículo usado nas aulas, seja do aluno ou do instrutor, deve cumprir as condições de segurança do Código de Trânsito Brasileiro, respeitando o limite de anos de fabricação permitido para a frota e portando identificação de que se trata de veículo de ensino.
Segundo o Detran-SP, quando o instrutor autônomo utiliza o próprio carro, o veículo deve trazer uma faixa branca de 20 centímetros de largura com a palavra “autoescola” escrita em preto. Já o aluno que optar por usar carro particular nas aulas precisa apenas manter em dia os equipamentos obrigatórios, a manutenção e a documentação do veículo, além de possuir a Licença para Aprendizagem de Direção Veicular, emitida ao fim das aulas teóricas.
O exame prático, no entanto, ainda tem uma restrição: por enquanto, só pode ser realizado com veículo de autoescola credenciada, mesmo para quem treinou em carro próprio ou com instrutor autônomo. No Brasil, existe a possibilidade de alugar carro ou moto diretamente com uma escola de direção apenas para o momento da prova.
O modelo de contratação também permite que instrutores já vinculados a autoescolas continuem exercendo essa atividade e, paralelamente, passem a atuar de forma autônoma. Durante as aulas práticas, esses profissionais precisam portar CNH, Credencial de Instrutor ou crachá do órgão competente, Licença de Aprendizagem Veicular e Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo, sob fiscalização do Detran.
Levantamento do Ministério dos Transportes mostra que, em maio de 2026, o Brasil tinha cerca de 170 mil instrutores de trânsito habilitados, mas apenas 7% das aulas práticas eram ministradas por profissionais autônomos ou independentes, o restante seguia concentrado nos Centros de Formação de Condutores. O mesmo levantamento aponta mais de 85 mil novos cadastros e inscrições em cursos voltados à atuação independente pelo aplicativo oficial da categoria.

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