Comerciantes avaliam os impactos da jornada 5×2, com expectativas de adaptação no atendimento e preocupação com o aumento dos custos operacionais
O Congresso Nacional promulgou na sexta-feira (16) a Emenda Constitucional nº 141/2026, que estabelece o fim da escala 6×1 e prevê a adoção da jornada 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso semanal remunerado, sem redução salarial.
A promulgação ocorreu em sessão solene com a participação dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As novas regras começam a valer 60 dias após a publicação da emenda, quando a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Após mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas semanais. Um dos dias de folga deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.
Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 14,9 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala 6×1, o equivalente a um terço dos 44,7 milhões com jornada identificada. A mudança afeta especialmente os setores de comércio, serviços, indústria e logística. A emenda também prevê condições específicas para determinadas categorias e permite adaptações por meio de negociação coletiva, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de descanso.
COMÉRCIO VARGENGRANDENSE
A mudança da escala 6×1 para a 5×2 exigirá adaptações na organização das equipes e nas rotinas do comércio. Em Vargem Grande do Sul, o gerente do Supermercado União 1, Gustavo Ronqui, avalia que a medida amplia um benefício já existente em outros setores – como bancos, escritórios, serviços e órgãos públicos, por exemplo –, mas considera importante estabelecer um prazo maior para a transição. “Só veio complementar alguns setores que não tinham esse benefício. Eu só acho que deveria ter algum tempo maior para essa transição de 6×1 para 5×2”, afirmou.

Foto: Arquivo Pessoal
Ele explica que, inicialmente, a intenção do supermercado é manter os horários de funcionamento e reorganizar as equipes para cumprir as novas regras sem prejudicar o atendimento. “Vamos lutar para manter o mesmo atendimento, mesmo com a mudança”, destacou.
Sobre a possibilidade de contratação de funcionários e aumento dos custos, o gerente afirma que a prioridade será manter o quadro atual e evitar o repasse de eventuais despesas aos consumidores. Por fim, Gustavo pede a compreensão do público durante o período de adaptação. “Pedimos que os clientes compreendam algum transtorno no começo até nos adaptarmos nessa nova escala”, concluiu.
FLEXIBILIDADE PARA NEGOCIAÇÕES
O comerciante Eduardo Brunetti, proprietário da Brunetti Bebidas, também avalia os possíveis impactos da mudança da escala 6×1 para a 5×2. Embora ainda não tenha se aprofundado em todos os detalhes das regras, ele manifesta preocupação com a possibilidade de aumento dos custos operacionais e nos reflexos no orçamento dos próprios trabalhadores.
Eduardo afirma que já trabalhou com carteira assinada antes de se tornar empresário e defende que a aplicação das novas regras permita flexibilidade para negociações entre empregadores e funcionários. “Eu acho que patrão e funcionário podem ter o livre-arbítrio de sentar, dialogar e fazer as suas próprias regras”, comentou.
O comerciante explica que a redução dos dias trabalhados refletirá na contratação de mais funcionários para manter os horários de funcionamento dos estabelecimentos. Na Brunetti Bebidas, por exemplo, são 26 pessoas envolvidas nas atividades, entre funcionários, proprietários e familiares.

Arquivo Pessoal
De acordo com Eduardo, a necessidade de ampliar as equipes, consequentemente, elevará a folha de pagamento, o que resultará no aumento dos preços nas prateleiras. “E de onde vai sair esse custo? Sai dos produtos”, apontou.
Para ele, embora os salários não sejam reduzidos diretamente pela mudança, o encarecimento dos produtos pode comprometer o poder de compra da população. “Sempre quem vai sair perdendo é o trabalhador. O salário dele não vai abaixar, só que o custo de vida vai aumentar. Ele vai pagar mais em tudo”, analisou. “Ele vai perder o poder de compra”, completou.
O comerciante também avalia que parte dos trabalhadores poderá procurar atividades extras, os chamados freelances, nos dias de folga para complementar a renda. Diante desta perspectiva, ele reforça a importância de que haja a possibilidade de empregadores e funcionários negociarem a melhor forma de trabalhar. “Eu acho que patrão e funcionário podem ter esse diálogo”, frisou.












