Em São João, corretor aplicou golpes e desapareceu

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Fonte: O Município

Em São João da Boa Vista a Polícia Civil está com seis inquéritos abertos para investigar o golpe do seguro caução praticado por Airton Fuentes Molina, dono da A & MM Corretora de Seguros Ltda, contra pelos menos cindas das 26 imobiliárias de São João. Donos das imobiliárias e locatários foram vítimas do golpe e o prejuízo estimado é de cerca de R$ 1 milhão ou mais.

 

Atualização: No dia 24 de setembro, Aírton procurou a Gazeta de Vargem Grande e expôs sua versão dos fatos, que foi objeto de uma reportagem publicada no jornal O Município e que será reproduzida ao final deste texto

 

 

Segundo a reportagem do jornal O Município, o suspeito fechou o escritório que mantinha no Centro da cidade e que estaria em nome de sua irmã. A reportagem do jornal sanjoanense tentou entrar em contato com ele por celular, mas não foi atendida.
De acordo com o informado pela polícia à reportagem do Município, o golpe era aplicado em São João há cerca de dois anos e o suspeito é investigado pelo crime de estelionato e também induzir as vítimas ao erro. Existem informações de que pelo menos uma imobiliária da cidade mineira de Poços de Caldas também tenha caído no golpe e tido um prejuízo em cerda de R$ 300 mil.
Segundo o informado pelo delegado Marcos Aparecido Ferreira do Carmo ao Município, quando as pessoas faziam o contrato de aluguel de imóvel nas imobiliárias e optavam pelo seguro caução, um método usado por quem não tem fiador, adquiriam um título de capitalização que dava a eles o direito a locação do imóvel e ao resgate do valor aplicado, corrido no final do contrato.
Sem saber da prática criminosa as imobiliárias que eram intermediárias entre os inquilinos e as seguradoras, ofereciam os serviços da seguradora de Molina, sem saber que o dinheiro era depositado por ele em uma conta em seu nome e não nas contas de seguradores que são utilizadas no mercado nacional e com quem ele teria contrato de representação.
“Às vezes, o contrato se encerrava e ele (locatário) resgatava o título, e o estelionatário bancava a pessoa; não era a seguradora que fazia o procedimento. E tem imobiliária com prejuízo estimado em R$ 170, outra R$ 256 mil, e até em R$ 500 mil. Mas como muitos contratos ainda não se encerraram o prejuízo com o crime pode ser ainda maior”, disse o delegado ao Município.
Caso o suspeito não arque com os prejuízos causados por ele, se for condenado poderá pegar pena de um a cindo anos pelo crime de estelionato.

Acusado por golpe em imobiliárias de São João fala pela primeira vez

 

21 de setembro de 2018

Perto de completar três meses em que inúmeras imobiliárias de São João da Boa Vista denunciaram terem sido alvos do golpe do seguro caução, supostamente praticado pela A & MM Corretora de Seguros, o responsável pela empresa, Airton Fuentes Molina, procurou a reportagem do O Município para dar a versão dele quanto aos fatos. O empresário também procurou a Gazeta de Vargem Grande.

Ele afirmou que sempre permaneceu na cidade desde que as denúncias vieram à tona e que, desde então, também vem sofrendo ameaças.

Molina responde, a princípio, a pelo menos dois processos na Justiça local pelo crime de estelionato. As ações são oriundas de ao menos seis inquéritos policiais instaurados contra ele em junho, depois que alguns donos de imobiliárias e administradoras registraram boletins de ocorrência junto à Polícia Civil denunciando que eles e dezenas de locatários teriam sido vítimas do golpe, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Com apoio de uma bengala e aparentando certa fragilidade em decorrência de problemas de saúde, Airton Molina conversou com a reportagem do jornal sanjoanense e confirmou, sob orientação da advogada que o representa, Sandra Maria Celli Nogueira, que ao menos dois processos contra ele estão em andamento e que entrou com embargo contra todas as imobiliárias e administradoras, em 12 de julho, por suposta corresponsabilidade.

Ao jornal O Município, ele comentou o caso. “Foi entrado com embargo contra todas as imobiliárias, onde o juiz acatou, e as próprias companhias de seguro acataram e ‘colaram’ a mesma defesa da minha advogada; da corresponsabilidade. Por que? Os documentos eram solicitados por eles (imobiliárias e administradoras), enviados por e-mail por eles, imprenso por eles, colhidas às assinaturas por eles – dos inquilinos -, assinados e endossados – e reconhecido firma – por eles. Eu não tenho nenhum documento original. Isso ficava tudo no poder deles. São corresponsáveis”, relatou.

Molina explicou o porquê entrou com embargo. “Porque foi divulgada essa notícia; e o processo que eles (imobiliárias e administradoras) estavam entrando, eles criaram um ‘modus operandi’, como está na defesa, como se eles tivessem combinado e criado um consórcio: ‘olha, vamos fazer desse jeito’ – porque eu era o elo mais fraco. E eu acredito que eles estavam visando o quê? Que as companhias iam ressarci-los. Quando não! Elas mesmas os acusaram de corresponsáveis e demonstraram isso; e isso está nos autos dos processos”, afirmou.

Questionado a respeito dos motivos que levaram os donos de imobiliárias e administradoras a denuncia-lo, ele alega: “Com o advento desses problemas familiares, com meu pai (morte), doença onde me afastei um pouco e tive minha cirurgia (remoção de um rim e de parte do intestino em consequência de um câncer), tive alguns atrasos de pagamentos de comissões com eles, tá?! E eles, com medo de que não fossem receber a parte que lhes cabia, tomaram esta medida”, disse.

“Existe aí alguma incoerência. Primeiro, eu não sumi da cidade; segundo, de todos, o que está passando necessidade financeira sou eu, o que não tem uma casa própria sou eu, o que não tem um carro próprio sou eu; esse dinheiro todo ficou comigo? É uma incoerência”, contou.

Molina se questiona: “O que eles esperavam? Que as seguradoras fossem… ‘não, deixa que vou pagar pra vocês!’… a seguradora falou ‘não, não vou pagar nada!. Vocês são corresponsáveis, vocês receberam, nos autos têm os TEDs (modalidades de transferência bancária de valores) que foram feitos para vocês. Então, vocês são responsáveis de parte.’ A parte que me cabia, vamos supor, que chegava a 30%, 40 ou 50% do que fosse, nos embargos, foi colocada a parte de um imóvel, ‘né?!’, que está no inventário (por conta do falecimento do pai). A minha parte foi dada como garantia e foi aceita, por todos. Então, uma vez aceita por todos, assumida a dívida por todos perante os inquilinos. Por que? Eles estão garantidos. Então, os inquilinos é que têm que receber das imobiliárias. E é essa orientação que minha advogada está passando para os inquilinos e que me passou. A Justiça acatou”, disse.

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