Semana foi de comércio fechado

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Rua do Comércio

No domingo, dia 22, entrou em vigor o decreto nº 5.008, assinado pelo prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB), que determinou o fechamento do comércio de Vargem Grande do Sul, com exceção de serviços essenciais, como medida de prevenção ao novo coronavírus, causador da covid-19.
Logo no domingo, uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) e do setor de fiscalização da prefeitura, percorreu diversos pontos da cidade para orientação e verificação do cumprimento do decreto. Uma comerciante de fora de Vargem foi abordada pelas equipes e orientada a deixar a cidade. Os hotéis, que já não podem mais receber novos hóspedes, também foram visitados.
Na segunda-feira, dia 24, a maioria dos estabelecimentos comerciais da cidade estava de portas fechadas. Mas muitas dúvidas surgiram. O decreto do prefeito Amarildo determinava a suspensão dos trabalhos de lotéricas, mas o decreto do governador João Doria (PSDB) instituindo a quarentena em todo estado, liberava o serviço das lotéricas. Ao final da tarde da segunda-feira, os dois estabelecimentos deste tipo da cidade estavam abertos, com anuência da prefeitura, que entendeu o serviço como sendo essencial.
A Rua do Comércio permaneceu praticamente com todas as lojas fechadas durante toda a semana, assim como a maioria dos estabelecimentos de Vargem. Ao final da semana, muitos empresários já estavam sentindo o impacto da medida nas finanças, o que causou um grande temor.

Preocupação

O vereador Serginho da Farmácia (PSDB), que é comerciante, responsável por duas farmácias na cidade e membro da diretoria da Associação Comercial e Industrial (ACI), demonstrou estar preocupado com a reação em cadeia que o fechamento do comércio por um período prolongado pode causar na cidade. “O receio é de uma reação em cadeia. Sem trabalhar, o patrão não tem condição de pagar, sem receber, o empregado não consegue fazer suas compras, pagar suas contas. Também não consegue mais comprar a crédito. Vai ser muito difícil”, ponderou.
Para Serginho, o ideal seria que o comércio pudesse trabalhar, respeitando rigorosamente todas as medidas de prevenção.
No entanto, ele também se mostrou bastante preocupado com a situação da saúde pública, lembrando que além do novo coronavírus, o Brasil terá também que enfrentar quase que simultaneamente, a epidemia de dengue e a da influenza. “Além disso, acredito que teremos um inverno mais frio, o que pode gerar ainda mais casos de pneumonia”, avaliou. Ele ponderou que o Hospital de Caridade poderá ter dificuldades em atender todos os casos. “E olha que temos um hospital muito bom em comparação com os da região”, disse.
Ele ainda comentou que em suas farmácias, o movimento já diminuiu bastante. Outro receio de Serginho é com relação a uma possível falta de medicamentos. Ele disse que alguns remédios já estão difíceis de serem comprados junto aos distribuidores, alertando ainda que os medicamentos, que são produtos tabelados, terão reajuste de 4% a partir do próximo mês.
Sobre as medidas anunciadas pelo governo de socorro à economia, Serginho ponderou que todos os setores precisarão ser atendidos, mas alertou que a capacidade pública de assistência também pode chegar a um limite. “O governo precisa dar atenção às grandes, médias, pequenas e microempresas, aos trabalhadores informais. Mas não sei por quanto tempo o governo tem capacidade para atender essa demanda. A prefeitura também tem feito todas as medidas necessárias, mas será que lá na frente vai continuar dando conta?”, questionou.

Reunião com comerciantes

Na manhã desta sexta-feira, dia 27, o prefeito recebeu uma comissão de comerciantes junto do vereador Guilherme Nicolau (MDB). Os empresários expuseram ao prefeito suas preocupações, lembrando que muitos estão com produtos perecíveis em seus estoques e estão preocupados com a baixa na movimentação e com o cumprimento de suas obrigações financeiras. Eles pediram a Amarildo que flexibilize a abertura do comércio e pediram uma previsão de quando a situação será normalizada.
Amarildo informou que está preocupado com a situação, mas ressaltou que a medida foi tomada para evitar aglomerações e prevenir quanto a expansão do vírus na cidade. Falou ainda que irá estudar a demanda dos empresários durante a semana e uma das medidas analisadas é a abertura aos poucos, desde que haja cooperação de todos. No entanto, ressaltou que essas medidas dependem da evolução dos casos da doença.
Para o prefeito, a semana que vem será uma semana chave para saber se as medidas de isolamento social e fechamento do comércio darão os resultados esperados para diminuir o aumento exponencial do coronavírus, sobrecarregando a rede pública de saúde.
Ele acredita que se houver o tão esperado alongamento do crescimento dos casos das pessoas doentes pelo coronavírus, medidas cautelares poderão ser tomadas, estudando caso a caso junto aos comerciantes, ir liberando devagar. “Mas o principal é não deixar acontecer aglomerações. A população está colaborando, só temos a agradecer”, afirmou o prefeito.
Amarildo após receber os comerciantes no seu gabinete, disse que está muito preocupado com a economia, por saber o que os comerciantes estão passando, “mas estamos falando de vidas humanas e que este trabalho preventivo pode de forma efetiva poupar a vida de muitas pessoas em Vargem Grande do Sul”, disse.

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