José Alberto Aguilar Cortez
Pela primeira vez na história das eleições um município se destaca com o lançamento de uma chapa, exclusivamente, do sexo feminino para disputar as 13 vagas de vereadores da prefeitura de Vargem Grande do Sul. Elas representam as mulheres dos diferentes segmentos da sociedade local. Educadoras, médicas, psicólogas, fisioterapeutas, enfermeiras, nutricionistas, empresárias, donas de casa, domésticas, advogadas, funcionárias públicas, jornalistas, funcionárias de lojas e supermercados, enfim, todas que resolveram dar sua contribuição para a política do nosso município. A iniciativa, inédita, repercutiu na imprensa local e internacional e várias candidatas já foram entrevistadas para justificarem os motivos que as levaram a reunir forças para enfrentar e concorrer a um reduto de predominância masculina. Conscientes da importância da união de todos para ajudar as obras assistenciais da cidade elas concordam receber a metade do salário vigente para o cargo e destinarão a outra metade para as instituições de caridade. A chapa feminina denominada Coesão Social, “termo que economistas e outros cientistas sociais usam para tratar do grau com que cidadãos de uma sociedade agem de forma cooperativa em prol do coletivo,” se inspirou no modelo da Dinamarca. Naquele país ficou provado que “maior coesão social é importante para o crescimento econômico e para o bem estar dos cidadãos”. Na Alemanha, dados coletados durante duas décadas, concluíram que “a tensão social pode ser diminuída com menor desigualdade recomendando políticas pró-educação e pró-emprego”. Os cientistas alemães recomendam políticas públicas que “fortaleçam redes pessoais, ampliem a identificação com o país, motivem as pessoas a serem solidárias, obedecerem a regras e engajarem-se na vida social”. Motivadas pelos exemplos citados, as mulheres vargengrandenses se uniram ao pensamento do economista Marcos Mendes – que discutiu a importância da coesão no livro Por que é tão difícil fazer reformas econômicas no Brasil? – onde ele mostra a necessidade de “um longo processo para garantir igualdade de oportunidades para a construção de um Estado capaz de prover bens públicos que beneficiem a todos”. A chapa Coesão Social quer iniciar este processo no nosso município para que sirva de exemplo para outras cidades, para os Estados e para a União. Repórteres da imprensa falada, escrita e televisada concordam que aceitar a redução de salários é um exemplo que deveria ser imitado pelos deputados e senadores e é, certamente, o grande diferencial que as candidatas oferecem para os eleitores da nossa cidade.
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