Marcelo Fiorini
Ao entrar pela porta da igreja de São Sebastião, na comunidade rural do Perobá, entre Vargem Grande do Sul e o Distrito de São Roque da Fartura, a qual pertence à Paróquia Sant’Ana, a obra da Figura do Bom Pastor já tomava forma. O chimarrão em uma mesa ao canto e um sotaque carregado do sul já demonstrava que o responsável pela pintura vinha de longe, de Guaporé, no Rio Grande do Sul, para colorir as paredes do local. O artista é Cristtiano Fabris, arquiteto e especialista em obras sacras, o qual viaja todo o país, tendo obras também no Paraguai. Aos 45 anos e em meio a uma pandemia foi que Cristtiano conseguiu encaixar na agenda, atendendo a pedidos e a idealização do padre Paulo Valim, a vinda ao interior do estado de São Paulo, após um ano de espera. Depois de 15 dias inteiros dedicados à obra, Cristtiano encerrou a pintura do Bom Pastor e, no Santíssimo da igreja, os dois anjos adoradores ao redor do Sacrário.
Na escola, o artista sempre se destacou pelo talento ao desenho, mas foi por intermédio de seu pai que, aos 15 anos, tornou-se aprendiz do renomado artista e arquiteto sacro Emílio Benvenuto Zanon e permaneceu durante dois anos desenvolvendo seu talento pelo desenho e pela pintura. De Zanon recebeu forte influência religiosa na arte, a qual adota posteriormente em seus trabalhos. Em 2009, com o falecimento de seu “mestre”, como o chama, assume na Cristaleria Zanon o cargo de responsável artístico na área de criação e execução e reforma de vitrais e decoração de igrejas.
A pintura da figura do Bom Pastor está prevista para ser sagrada no dia 21 de maio, às 19h30, na igreja de São Sebastião, durante visita pastoral do bispo diocesano Dom Antônio Emidio Vilar.
O Bom Pastor
A obra feita pelo artista sacro foi a Figura do Bom Pastor, uma pintura de mais de 35 m². E quando o assunto são as obras e suas representações, Cristtiano e padre Paulo dão uma verdadeira aula. “A imagem do Bom Pastor é uma das mais antigas representações de Cristo, que pode ser encontrada desde as catacumbas romanas onde os primeiros cristãos se protegiam das perseguições romanas até as primeiras igrejas paleocristãs”, destacou o artista. Segundo conta, a forma mais comum de interpretação da obra é a do pastor que resgata a ovelha perdida. “Reconhecemo-nos nela principalmente quando, por um motivo ou outro, nos afastamos de Deus e Este vem em nosso socorro. Porém, na tradição católica, o Bom Pastor é Cristo que, após morrer na cruz, desce até a mansão dos mortos e lá resgata a Adão, carregando ele em seus ombros e assim redime a humanidade do pecado original”, explicou Fabris. Continua na Pág 4.












