Vargem Grande teve mais de 320 novos MEIs abertos na pandemia

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Rosemeire da Silva, da Rose Atelier, se tornou MEI e já planeja seus próximos passos. Fotos: Arquivo Pessoal

Com a pandemia da Covid-19, muitos vargengrandenses viram a possibilidade de se tornar microempreendedores individuais (MEIs) e iniciar um negócio, como saída para o desemprego.
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), antes da pandemia, até 29 de fevereiro de 2020, havia 2.559 microempreendedores em Vargem Grande do Sul. Em 31 de maio deste ano, o número de MEIs na cidade chegou a 2.888.
Assim, houve um aumento de 329 MEIs nesse período, sendo 12,9% a mais. Segundo o consultor de negócios do Sebrae-SP, Sylvio Lucchesi, a estatística foi elaborada a partir do Portal Empresas e Negócios do Governo Federal (antigo Portal do Empreendedor) e considera a variação dos números de MEIs entre os dois períodos analisados. Assim, essa estatística reflete o crescimento líquido do número de MEIs, que são novos registros menos baixas formais.
Sylvio contou as principais atividades que tiveram abertura de novos MEIs neste período. “Foram 43 MEIs de serviços domésticos, 35 de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios, 26 MEIs de obras de alvenaria, 19 microempreendedores de fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar e 16 de bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas”, disse.
Para ele, o aumento é um bom sinal. “Analisamos esse crescimento como um fator positivo. Muitas pessoas encontraram oportunidades nesta crise para empreender, como na produção de alimentos para consumo domiciliar, por exemplo, que teve alta em todo o Estado. Mas tantos outros passaram a empreender por necessidade, já que perderam seus empregos formais e precisavam de outra fonte de renda”, disse.
“O risco do empreendedorismo por necessidade está na tomada de decisões precipitadas e sem planejamento. O desafio é transformar necessidade em oportunidade e é justamente onde o Sebrae aparece: para ajudar com capacitação em gestão, orientação e apoio”, completou.

Benefícios
A prefeitura de Vargem Grande do Sul, ao ser procurada pela Gazeta, observou que entre os pontos positivos do empreendedor deixar a informalidade estão o direito a benefícios previdenciários, como aposentadoria por idade ou por invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte (para a família); acesso a produtos e serviços bancários, como crédito, com condições especiais para Microempreendedor Individual; modelo simplificado de tributação, com um valor mensal relativamente baixo e fixo referente aos tributos (INSS, ISS ou ICMS); inscrição no CNPJ sem custo e sem burocracia; possibilidade de emitir nota fiscal; oportunidade de vender para o governo e acesso a apoio técnico do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Foi o que também destacou Sylvio Lucchesi. “Além disso, consegue emitir nota fiscal em seus produtos e fornecer para outras empresas e até mesmo para órgãos públicos, aumentando seu acesso a novos mercados. O MEI pode ainda ter até um empregado contratado de forma legal. O MEI formalizado terá seu CNPJ, poderá abrir conta como pessoa jurídica e até mesmo pleitear linhas de crédito com taxas mais baixas”, falou.
Ele pontuou que, nesse momento de crise, o Sebrae-SP oferece junto com o Governo do Estado de SP o programa Empreenda Rápido. “Nele quem já é MEI consegue se capacitar nas mais variadas áreas da gestão, assim como as pessoas que não são MEIs e querem se formalizar consegue não somente a formalização e aprendizados em gestão, como também podem se inscrever em cursos técnicos aplicados pelo Senai e Senac, por exemplo. O Empreenda Rápido é 100% gratuito”, finalizou.

Na prática
Rosemeire da Silva, de 55 anos, foi uma das 329 pessoas que abriu MEI em Vargem Grande do Sul. Arte Educadora e Artesã, ela abriu sua microempresa em maio deste ano.
Ela contou o porquê se tornou MEI. “Abri para formalizar minha atividade como artesã e obter os benefícios de alguém formalizado, poder participar de eventos e vendas fornecendo nota fiscal, necessária sobre vendas e prestação de serviços”, disse.
A artesã relatou que está tudo indo bem com sua microempresa. “Ainda estou me adequando as formalizações, mas já estou conseguindo participar de convocações para trabalho como prestadora de serviço e formalizar minhas vendas só por estar formalizada”, comentou.
Os próximos passos agora, segundo ela, incluem começar a divulgar seus trabalhos. “Isso para ampliar enquadro de clientes, dando segurança para mim e para meus clientes, e adquirir uma máquina de cartão para agilizar e ampliar minhas vendas até eu conseguir abrir meu próprio negócio”, finalizou.

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