
No ano que vem, acontecerão as eleições para presidente da República, governador do Estado, senadores, deputados federais e estaduais. Ela vai mexer sem dúvida com a política local, hoje basicamente alicerçada no prefeito Amarildo Duzi Moraes, do PSDB, no vice-prefeito Celso Ribeiro, do Podemos, e tendo como principal adversário político na cidade, o ex-prefeito José Carlos Rossi, do PSD, e também o ex-prefeito e atual presidente da Câmara Municipal, Celso Itaroti, do PTB.
Amarildo exerce forte influência no PSDB local, comanda o partido e mantém vínculo forte com o atual governador João Doria, através do homem forte do governador, o secretário de Desenvolvimento Regional e presidente do PSDB paulista, Marco Vinholi. Doria é um dos fortes candidatos do PSDB ao cargo de presidente da República no ano que vem.
O imbróglio começa quando se analisa o mapa das eleições para governador no ano que vem. O atual governador Doria lançou para candidato à sua sucessão, seu vice Rodrigo Garcia, filiando-o no PSDB. Nas intenções de votos, Rodrigo aparece com cerca de 5% para governador.
Já o ex-governador Geraldo Alckmin, que governou o Estado de São Paulo por três mandatos pelo PSDB, deve deixar o partido e se lançar candidato pela quarta vez. Ele aparece em primeiro lugar na pesquisa Quest/Genial, divulgada no dia 5 de outubro pelo jornal Estado de São Paulo, com 26% dos votos. No momento, Alckmin estuda se vai se filiar no PSD, de Gilberto Kassab, ou aguardar a fusão do DEM com o PSL, que criará um dos mais fortes partidos brasileiros, o União Brasil.
Tudo indica que terá como candidato a vice, o ex-governador Márcio França, do PSB, o que deve fortalecer ainda mais sua candidatura, pois França também é lembrado como candidato a governador no ano que vem e aparece com 15% das intenções de votos.
Há muita água ainda para passar por debaixo da ponte até as eleições, mas o quadro que se desenha vai exigir do prefeito Amarildo uma verdadeira ginástica para se movimentar neste tabuleiro. Por exemplo, caso Doria ganhe as convenções e se lance candidato a presidente pelo PSDB e a candidatura de Rodrigo para governador do Estado ganhe um pouco de musculatura, Amarildo vai ter que apoiar a dupla do seu partido.
Mas, é inquestionável a liderança de Alckmin no Estado e ele se lançando candidato e tendo França como vice, sua chance de se tornar o próximo governador de São Paulo são bem reais. Se ele se filiar no PSD, a situação em Vargem complica para o prefeito, pois quem preside o diretório municipal e atualmente é a principal liderança do partido na cidade, é o ex-prefeito Rossi, que foi candidato na última eleição, tendo Amarildo como adversário. O PSD conseguiu inclusive eleger os vereadores Bertoleti e Parafuso.
Trabalhar para Doria e Rodrigo Garcia contra Geraldo Alckmin, pode colocar o prefeito Amarildo numa sinuca. Algo que ele vivenciou na última eleição, quando Doria ganhou para governador, disputando contra Márcio França, que por ter sido vice-governador de Alckmin, tinha muitos contatos e apoiadores na região.
Sem dúvida que no final das contas, deve pesar nas atitudes de Amarildo o que é melhor para o município que ele dirige. Se apostar todas as fichas na candidatura do seu partido para governador, no caso Rodrigo Garcia e no final for eleito Geraldo Alckmin, ele terá de se poupar porque ainda vai lhe restar dois anos administrando o município e tendo um governador de Estado eleito por outro partido. No fundo, a candidatura de Alckmin deve exercer uma atração maior em Amarildo, pois na sua terceira gestão como prefeito, conviveu com o ex-governador por um longo período.
Outra situação que se impõe, é que o prefeito Amarildo nestes anos todos, conseguiu uma certa projeção política regional, principalmente por presidir o Conderg, que congrega 16 municípios da região e uma população estimada em 500 mil pessoas. Por isso, uma provável candidatura dele a deputado não está de toda descartada, apesar dos muitos entraves que uma ação desse porte levante.
A região, que sempre elegeu nas últimas décadas deputados estadual e federal, sendo a dupla Silvinho Torres, deputado federal e Beraldo, deputado estadual pelo PSDB, indica que este ciclo chegou ao fim. Silvinho deve deixar o PSDB e se juntar à candidatura de Alckmin, não se aventurando mais a se candidatar a cargo eletivo e Beraldo há muito é membro do Tribunal de Contas, não se candidatando mais.
Há, portanto, um vazio de liderança política nas cidades que compõem o Conderg e não se sabe como os prefeitos destas cidades vão agir, se a maioria vai se unir em torno de uma candidatura que os represente ou cada um vai cuidar de si, apoiando o candidato que melhor satisfaz suas pretensões políticas ou o que é melhor para seus municípios. Caso a maioria deles se inclinem a apoiar uma possível candidatura do prefeito de Vargem Grande do Sul, é provável que ela ganhe corpo e se torne competitiva.
A atuação do vice Celso Ribeiro, filiado ao Podemos é uma incógnita ainda. Pode ser que ele venha a apoiar a candidatura de Alckmin para governador, o que seria bom para o município, pois uma vez eleito governador, Vargem manteria as boas relações com o governo do Estado, o que é imprescindível para bem administrar a cidade.
Já Rossi, se de fato Alckmin se filiar no PSD, vai conseguir uma visibilidade maior às suas pretensões políticas, que segundo rumores, também pensa em se candidatar a deputado estadual. Como presidente do PSD local, sairia fortalecido com a possível vitória de Alckmin.
Se Alckmin se filiar ao novo partido que sairá da união do DEM com o PSL, o União Brasil, as chances de Rossi diminuem. Em Vargem foram eleitos dois vereadores pelo DEM, Magalhães e Gláucio do Moto Taxi, que deverão fazer parte do União Brasil, cuja formalização foi aprovada pelos dois partidos no último dia 6 de outubro, estando agora aguardando a decisão do TSE para a legenda existir de fato.
O novo partido atualmente trabalha com a possibilidade de lançar candidato à presidência da República em 2022, sendo possíveis candidatos o atual presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta e o apresentador de TV, José Luiz Datena.
Embora os partidos tidos de Centro, como o novo União Brasil busquem candidatos viáveis à presidência da República no ano que vem, por enquanto o ex-presidente Lula do PT está com folga na frente das pesquisas, ganhando tanto no primeiro turno do atual presidente Bolsonaro, como também com folga no segundo turno. Algo segundo pesquisa realizada pela Quest/Genial, divulgada no dia 5 de outubro, como 45% a 26% no primeiro turno e 53% a 29% no segundo turno. A mesma pesquisa apontou também uma rejeição na ordem de 53% à administração do presidente Jair Bolsonaro. Fora os dois candidatos, quem se sai melhor é Ciro Gomes do PDT, que fica em terceiro lugar com 11% no primeiro turno.
A pesquisa, que foi publicada no Estadão, no segundo turno avalia que Lula ganharia do ex-ministro Sérgio Moro por 52% a 26%; Rodrigo Pacheco, 56% a 14%; Ciro Gomes, 49% a 27%; João Dória, 54% a 16% e Eduardo Leite 55% a 15%.








