Todo ano e vai piorar

A notícia de que a prefeitura emitiu alerta de risco de desabastecimento, impondo multa para quem for pego desperdiçando água na cidade, nem foi tão surpreendente assim. Afinal, já faz alguns anos que o mesmo alerta é emitido nesta época de estiagem, característico do inverno da região. E a conta não vai fechar mesmo, afinal, a população só cresce, sem chuva, o nível da barragem Eduíno Sbardellini vai diminuindo e com o calor, o consumo vai aumentando.
O que os gestores municipais estão fazendo para atacar o problema são dois grandes reservatórios de água um antes e outro depois da atual barragem. São processos caros e lentos, que seguem uma complexa legislação ambiental e que são caros. Os dois reservatórios que estão sendo construídos atualmente contam com parcerias, o que pode trazer certa agilidade e também economia aos cofres municipais.
Ainda assim, são obras que levam tempo, o que o morador da cidade, que sente cada vez mais a água secar nas torneiras, pode até compreender, mas que ainda assim por um tempo determinado.
Como todo abastecimento de Vargem depende de um único corpo de água, o Rio Verde, se torna mais imperativo do que nunca cuidar bem dele. Proteger seu leito, recuperar suas nascentes e reflorestar suas margens. Necessário também envolver todos os produtores rurais que usam de suas águas para a irrigação. Eles precisam estar cientes do papel fundamental que exercem na preservação do Rio Verde.
Em agosto de 2021, cientistas do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU quantificaram em um relatório o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas. Eventos mais extremos, como secas, inundações, temperaturas máximas elevadas, ficam até 39 vezes mais frequentes em todo mundo com a crise climática.
Difícil pensar que Vargem Grande do Sul ficará isenta desse descontrole climático causado pelo homem. Então, é preciso sim cuidar da água que é coletada, tratada e distribuída na cidade. Beira o absurdo calcular o tanto que se perde nos encanamentos da rede. É essencial o investimento feito pela administração nesse sentido, com a troca de tubulações e a construção de novos reservatórios e é uma ação que precisa ser estendida para dar conta do crescimento da cidade.
Mas a cada ano, a estiagem vai ficar mais severa e se não houver uma ação global, a humanidade passará do ponto de reversão para muitas coisas, do desaparecimento de determinadas espécies ao derretimento dos polos. Cabe a cada um ir cuidando daquilo que consegue, numa responsabilidade que ao final, poderá produzir um efeito coletivo. Fechar as torneiras em época de seca é só o começo.

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