O brasileiro nunca esteve tão endividado quanto nos últimos meses. É o que aponta o resultado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgados no dia 5 de setembro pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Quando se atrasa uma parcela do carnê, em uma cidade pequena como Vargem Grande do Sul, é possível conversar com o dono do estabelecimento, pedir a compreensão de alguns dias e ir resolvendo as pendências. Mas e quando a inflação leva embora boa parte do poder de compra, o supermercado fica mais caro, a conta de energia também, os carnês e boletos vão se avolumando e a situação se agravando, levando a inadimplência.
A pesquisa mostra que o endividamento atingiu 19,4% das famílias brasileiras em agosto. Já a inadimplência, alcançou 29,6% do total de famílias no Brasil, o maior patamar desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2010.
O aumento do indicador pode ser explicado pela procura por crédito direto no varejo das famílias de menor renda. Para especialistas, a melhora no mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda têm favorecido os rendimentos das famílias nas faixas mais baixas, mas elas enfrentam dificuldades. Como a inflação ainda segue em nível ainda elevado e tira o poder de compra desses consumidores, o crédito tem sido uma maneira usada para sustentar o consumo.
A pesquisa apontou também que o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa chegou a 79% do total dos lares no Brasil.
O endividamento é um indicador que mostra o comprometimento da renda do consumidor. Mas um dado mais preocupante é o da inadimplência, que atinge quase 30% das famílias. São as contas não pagas, os boletos vencidos, as parcelas acumuladas. A pesquisa mostrou que entre os inadimplentes, 10,8% confessaram não ter condições de pagar contas já atrasadas, e, por isso, vão continuar na inadimplência.
A inflação que come a renda do trabalhador, por mais que tenha sido diminuída com uma manobra com dia e hora para terminar, com a redução dos preços dos combustíveis, vai cobrando seu preço. Famílias endividadas, tendem a consumir menos, injetando menos dinheiro no comércio, contribuindo menos para a arrecadação de impostos. E se essa é uma realidade nacional, dificilmente as famílias de Vargem Grande do Sul estão fora desse recorte.
Pode ser algo que muita gente ouve falar apenas nos noticiários, mas sente claramente seus efeitos quando precisa escolher qual conta vai ser paga e qual vai atrasar nesse mês.












