Na sessão de Câmara da terça-feira, dia 4 de outubro, o Diretor de Desenvolvimento Econômico, Juliano Scacabarozi, que também preside a Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI), foi convidado para detalhar as medidas adotadas com relação a uma empresa localizada no Distrito Industrial José Aparecido da Fonseca – Tota, que teria fechado com um muro um lote que não lhe foi doado. A Gazeta de Vargem Grande entrou em contato com o empresário, que explicou que não fez o muro na área que não lhe pertencia e falou sobre outros pontos levantados na reunião.
O diretor Juliano foi convidado pelo presidente da Casa, Paulo César da Costa (PSB), que fez questionamentos sobre o que aconteceu e quais medidas a prefeitura e a CDI estão tomando com relação ao caso.
Paulinho comentou que o Legislativo foi procurado por um empresário que relatou que uma empresa que tinha ganhado um terreno aprovado por 13 vereadores no dia 8 de setembro de 2021 teria fechado o terreno ao lado do que foi destinado com muro. Assim, ele perguntou qual a posição da comissão.
O diretor informou que no ano passado, a empresa – que foi uma das primeiras a se instalar no Distrito – solicitou a doação de mais espaço, e recebeu da prefeitura, após aprovação dos vereadores um segundo lote, mas que também está usando um terceiro espaço. Para explicar o caso aos vereadores, foi exposta uma foto, onde aparecem numerados os terrenos em questão, sendo a área número 1 a que foi concedida originalmente à empresa, a de número 2, a que foi doada e a de número 3, a que está sendo motivo do debate.
“A questão é o seguinte: a empresa citada é a Rezist. Ela há um bom tempo está ocupando o terreno nº 1. Ela faz o pedido de doação à CDI, a gente avalia e envia à Câmara o projeto para a doação do terreno de nº 2. A CDI foi lá in loco, fez vistoria, viu número de empregos e faturamento. Aí a CDI decide doar o terreno nº 2. E ele construiu no terreno número 3”, detalhou.
O diretor segue explicando que quando a CDI tomou conhecimento do fato, em julho, foi até o local e constatou que estava tudo murado. “A gente notifica e ele responde que, olhando de dentro da fábrica, ele esperava receber o terreno 3, mas a doação é feito pela testada do terreno, que é o 2, pela direita de quem olha estando na rua”, comentou. Mas Juliano segue falando que o empresário também fez calçada em frente aos terrenos 2 e 3, fez muro no terreno 3. “E a gente pediu para que ele regularizasse isso”, se referindo ao empresário João Admilson Coracini, proprietário da Rezist Pisos Itertravados.
Juliano explica que o empresário também posteriormente fez o pedido da doação do terreno 3 para ele depois da notificação. Segundo o diretor, a CDI negou esse pedido, mas para não haver prejuízo, vai enviar à Câmara um Projeto de Lei substituindo o terreno doado para a empresa do número 2 para o número 3.
O vereador Serginho da Farmácia (PSDB) observa que foi um erro muito grande por parte do empresário e o vereador Paulinho cobrou uma melhor fiscalização por parte do Departamento de Obras. “Foi um erro grande dele ter murado o três e ter feito a calçada, coisa que o terreno não é dele”, disse Serginho.
Juliano concorda. “Foi um erro grave. Além da CDI notificá-lo, o prefeito faz uma notificação e deixa claro considerando um erro gravíssimo a atitude dele”, afirmou o diretor, dizendo que o empresário ainda não havia respondido as notificações até aquela terça-feira. A primeira notificação para que seja feita divisa corretamente é de 30 de agosto. Aí estivemos na última sexta-feira, dia 30, vimos que não alterou nada e será feita uma segunda notificação e caso nada seja feito, a prefeitura entra judicialmente”, explicou.
De acordo com Juliano, a Câmara irá receber em breve o Projeto de Lei doando para a Rezist o terreno de número 3 no lugar do número 2 e doando a uma outra empresa o terreno de número 2. O diretor esclareceu aos vereadores ainda que a empresa é uma das mais antigas no Distrito Industrial e que sempre cumpriu com as prerrogativas de arrecadação e geração de postos de trabalho.

Empresário nega que tenha murado terreno
A Gazeta de Vargem Grande entrou em contato com o empresário João Admilson Coracini, proprietário da Rezist. Ele comentou à reportagem que teve conhecimento do que foi debatido na sessão de Câmara e explicou que não construiu muro em terreno que não lhe pertencia.
De acordo com o empresário, ele já conversou com o diretor de Desenvolvimento, Juliano Scacabarozi, que também preside a Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI). O muro, segundo comentou, foi construído por um empreendedor que havia recebido em doação aquele lote, mas que não conseguiu dar continuidade ao seu empreendimento. Ele desmontou a estrutura que havia levantado na área, mas deixou o muro. Segundo o empresário, ele está usando o terreno vazio ao lado apenas para guardar areia, nesse momento.
Ele disse que solicitou a totalidade da área que faz fundos ao terreno que lhe foi concedido no início de seu empreendimento, mas que a área teria sido dividida em dois lotes menores e que no ano passado lhe foi destinada apenas um deles. “Não havia demarcação desses lotes e na construção, dei continuidade ao meu barracão”, comentou. Assim, disse que espera a aprovação do projeto de lei para regularizar a situação e afirmou que segue pleiteando o terreno ao lado. “Não teve má intenção”, observou.
“É um pedido que eu faço há muito tempo. Empresas vizinhas foram contempladas com a área total dos fundos, como eu tenho pleiteado”, disse, explicando que a área é necessária para as necessidades de expansão de seu empreendimento. Ele comentou ainda que já que estava fazendo o calçamento do terreno número 3, decidiu que não iria parar na metade da via e completou a caçada até o final do terreno 2 e mais uma vez comentou que não fez o muro no terreno 2 e somente no terreno 3, o que acreditava ser o doado em 2021.
A Rezist tem atualmente 16 funcionários, uma vez que precisou cortar quatro postos por conta dos prejuízos advindos do período da pandemia da Covid-19. No entanto, segundo ressaltou João Admilson à Gazeta, até o final do ano tem planos para aumentar para 25 a 28 empregados. Lembrou ainda dos empregos terceirizados que a empresa gera, além da movimentação de toda a cadeia de logística, mão de obra para instalação dos pisos que produz, etc. Por fim, ressaltou que ainda tem esperança de receber a doação do terreno de número 2, em caso de desistência.












