Curso de defesa pessoal foi abordado na Câmara

Projeto foi discutido na sessão do dia 4. Foto: Reprodução Youtube

Na última sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada no dia 4 de abril, o requerimento 45/2023, que trata sobre curso de defesa pessoal aos educadores municipais foi aprovado por unanimidade. O requerimento, de autoria do presidente da Câmara Guilherme Contini Nicolau (MDB), foi discutido pelos vereadores e posteriormente não foi bem aceito pelos professores nas redes sociais, que disseram que ao Estado cabe manter a segurança das escolas e não aos professores que já arcam com muitas responsabilidades em educar as crianças.


O documento solicita ao Chefe do Executivo que ofereça um treinamento de capacitação para técnicas de defesa pessoal a todos os profissionais da educação, devendo o treinamento ser feito por profissionais especializados.
Ainda no requerimento, Guilherme solicitou a instalação de portais de detecção de metais nas entradas das escolas que fazem parte da rede pública municipal e nas escolas particulares de Vargem.

Durante a sessão, Guilherme pontuou que é necessário prevenir e que são poucas escolas municipais para colocar detector de metais. Segundo ele, a ação pode restringir que o estudante entre com arma, faca ou outro objeto para possíveis ataques.
O vereador Celso Itaroti Cancelieri Cerva (PTB) comentou que o problema maior seria nas escolas estaduais, pois nas escolas da rede municipal as crianças são menores. O vereador explicou que o detector de metais, além de caro, seria bem complexo, devido a itens como apontadores de metais, tendo que ser uma ação muito bem estudada. Ele sugeriu que câmeras sejam instaladas e que tenham pessoas monitorando as imagens.


A vereadora Danutta de Figueiredo Falcão Rosseto (Republicanos) parabenizou o presidente pela iniciativa, ressaltando a importância de se ter a preocupação com os estudantes. Para a edil, é importante o treinamento de defesa pessoal, pois uma das capacidades que o curso fornece para a pessoa é saber identificar uma ameaça antes de ela acontecer. Danutta pediu palestras para as crianças e professores para que eles saibam identificar alguns comportamentos alarmantes, a fim de evitar ameaças.
O vereador Paulo César da Costa, o Paulinho da Prefeitura (PSB) também parabenizou o presidente Guilherme pelo requerimento.

Itaroti comentou nas redes sociais
No sábado, dia 8, o vereador Itaroti fez uma publicação em suas redes sociais sobre o tema. Ele pontuou que na sua gestão foi criticado por ter colocado cerca concertina nos muros das escolas e creches e que a ideia não era impedir que algum estudante fugisse da escola, mas evitar que pessoas mal intencionadas entrassem nas unidades.
O vereador comentou sobre o requerimento do presidente da Câmara Guilherme, dizendo que “talvez pela inexperiência política ou pelo desconhecimento sobre assuntos relacionados à área de segurança, o que ele sugere foge da praticidade”.
Itaroti ressaltou que, em sua opinião, a função do professor é ensinar, não desarmar ou ser segurança. “Os professores já são mal remunerados, trabalham com uma extensa carga de atividades (muitas vezes levando trabalho para casa) e, ainda terão que fazer este tipo de curso para realizar uma tarefa que não é de sua obrigação. Além disso, será que todos os professores terão condições físicas para treinar alguma arte marcial ou técnica de defesa pessoal? Quanto tempo leva para uma pessoa dominar essas técnicas e conseguir, de fato, se defender ou desarmar alguém? Quem realizar essa capacitação receberá algum abono?”, questionou.
Sobre a instalação de detector de metais, Itaroti disse que um grande volume de crianças passaria diariamente pelos aparelhos e se um item metálico, como um apontador, for detectado, ele questiona quanto tempo levará para averiguar o material e liberar a entrada desse grande número de estudantes. “Quem vai ao banco sabe como funciona. Além disso, o ideal seria que as mochilas passassem separadamente em esteiras, de forma semelhante como ocorre nos aeroportos. Seria possível isso? Mesmo com todos esses cuidados, a escola ainda estaria desprotegida, pois uma pessoa má intencionada pode jogar uma arma por cima do muro e, após passar pelo detector de metais, entrar e efetuar o crime”, falou.
“Este requerimento apresentado é voltado à rede municipal, que atende crianças na faixa de até 10 anos de idade. Contudo, os problemas maiores estão ocorrendo nas escolas estaduais, onde têm ocorrido agressões, brigas generalizadas, tráfico e consumo de drogas”, completou.
Itaroti afirmou ser favorável à realização de monitoramento com câmeras em tempo real e seguranças nas unidades de ensino. “Neste caso, uma pessoa ficará acompanhando as imagens (de dentro e fora das escolas e creches). No caso de algo suspeito, aciona-se o segurança local ou mesmo a PM e GCM, se necessário. Paralelo a isso, também é necessário fazer um controle mais rígido da entrada de pessoas nas escolas, inclusive muitos pais têm relatado isso”, comentou.
“Outro ponto a ser destacado é que os estudantes transportados em circular, juntamente com adultos, estão correndo mais riscos que na própria escola. Já acionei os órgãos responsáveis e aguardo providências imediatas do prefeito a respeito deste problema”, finalizou.

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