Márcia Iared
Meus pais trabalhavam como zeladores na antiga SBB e nós morávamos nas dependências do primeiro piso no mesmo prédio, hoje Pernambucanas.
Eu tinha para brincar um imenso quintal onde posteriormente foi construído o atual prédio deste tradicional Clube.
Na parte ladrilhada de tijolos do quintal, eu e Vera Barticiotti, minha alma gêmea da infância, brincávamos de casinha. A casinha era montada com tijolos sobrepostos e tinha mesinha, sofá e fogãozinho com latinhas vazias funcionando como panelas.
Os enfeites eram caquinhos de louça quebradas que distribuíamos sobre tijolos, com toalhinhas de papel nas quais minha madrinha recortava “lindos biquinhos”.
Estava se aproximando o Natal e eu ouvia falar no Papai Noel que já tinha visto nas gravuras das revistas de minha mãe, quando ainda não havia televisão. Sonhava com ele apesar do receio que tinha do velhinho.
No sonho, ainda me lembro vagamente, ele ia saindo do quarto sempre. No dia seguinte, embaixo da cama, lá estava a tão sonhada “Bateria” de panelinhas de alumínio. Nunca esqueci da alegria que senti!
Naquele tempo, as calçadas da rua ainda eram lugar de brincar das casas que ficavam muito animadas nas manhãs de Natal, porque, diferente de hoje, brinquedo era para brincar por horas com os coleguinhas vizinhos neste espaço sagrado das antigas brincadeiras.
Não haviam eletrônicos, poucos eram de corda e as bonecas representavam sempre crianças antes da geração Barbie, que trouxe pela primeira vez a boneca adulta mudando a relação da criança com o brinquedo, que deixou de ser a “filhinha”,para ser a moça idealizada.
Para os meninos, porém, a despeito de toda evolução eletrônica que automatiza e muitas vezes até afeta um pouco, para alguns, o ritmo do crescimento, a bola, a eterna bola, neste país do futebol, ainda é possível ver rolar nos pés da molecada!


















