Vargem não registrou caso de febre maculosa este ano

Dezenas de capivaras vivem no local. Foto: Arquivo Gazeta

Na última semana, o Departamento de Saúde, através da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, passou a alertar a população sobre a importância da prevenção à febre maculosa que é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, presente principalmente no carrapato-estrela, também conhecido como micuim, que pode transmitir a doença a seres humanos em caso de picada.
Os sintomas são febre alta, dores de cabeça e dores musculares, podendo surgir manchas róseas nas extremidades, em torno dos punhos e tornozelos, tronco, face, pescoço, palmas das mãos e solas dos pés. A prefeitura ressalta que, caso a pessoa identifique sintomas dessas doenças, deve procurar imediatamente a Unidade de Saúde mais próxima da sua residência e relatar o fato.
Segundo o informado pelo Departamento de Saúde, o tratamento da febre maculosa é feito com antibiótico, introduzido logo após os três primeiros dias.
De acordo com a Vigilância Sanitária e Epidemiológica, nenhum caso da doença foi confirmado na cidade neste ano. A prefeitura informou que houve casos suspeitos, que os exames foram realizados nos pacientes que apresentava sintomas parecidos com da febre maculosa, mas em nenhum destes exames foi confirmado diagnóstico. “Toda vez que pacientes apresentarem sintomas típicos da doença será solicitado exames para diagnósticos diferenciais com outras enfermidades”, explicou.
O jornal também questionou se o chefe do Executivo estuda a possibilidade de fechar a represa para caminhadas e exercícios físicos para evitar o contágio da doença. Conforme o informado, não há nenhuma previsão para fechar a represa para caminhadas, tendo em vista que não temos nenhum caso no município. “A vigilância e o Departamento de Agricultura e Meio Ambiente estão realizando a conscientização da população para que quando frequentarem locais onde houver a presença de carrapatos fiquem atentos, conforme informações divulgadas nas redes sociais da prefeitura”, explicou.

No país
Segundo o Ministério da Saúde, apenas neste ano, até junho, o Brasil já registrou 53 casos de febre maculosa. Desse total, oito evoluíram para a morte do paciente. A Região Sudeste é a que concentra a maioria dos registros, com 30.
Do total de óbitos, quatro pessoas que morreram foram infectadas em um evento em uma fazenda em Campinas, em junho. Em 2022, foram registrados 190 casos da doença no Brasil, com 70 mortes.
Entre 2012 e 2022, 753 pessoas morreram por febre maculosa no Brasil. Dados do Ministério da Saúde de junho apontam que o país teve 2.157 casos confirmados ao longo de 10 anos, 36% deles registrados em São Paulo. Considerando apenas as mortes, municípios paulistas concentram 62% do total, sendo 467 óbitos.
Segundo o Ministério da Saúde, a febre maculosa tem cura desde que o tratamento com antibióticos específicos seja administrado nos primeiros dois ou três dias. O atraso no diagnóstico e no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins, dos pulmões, lesões vasculares e levar ao óbito.
A prefeitura de Vargem pontuou que a maior concentração dos casos é verificada em áreas rurais e silvestres, onde há exposição a carrapatos através de animais que frequentam ambientes de mata, margens de rio ou cachoeiras. “Por isso, entre as recomendações estão usar roupas que cubram a pele, preferencialmente em cores claras para facilitar a visualização do carrapato. E, depois, examinar o corpo todo”, disse.
A população ainda precisa ficar alerta com animais domésticos, como cães, quando andarem por áreas com infestação, pois também podem carregar carrapatos.

Monitoramento
Com os óbitos ocorridos em Campinas em junho deste ano, muitos moradores ficaram preocupados com as capivaras que habitam a Represa Eduíno Sbardellini, um animal hospedeiro de carrapatos, transmissor da febre amarela.
Na ocasião, a Gazeta de Vargem Grande procurou a Prefeitura Municipal, que informou que a represa estava sendo monitorada e que no local há placas de orientação e alertas sobre a febre maculosa, que auxiliam na prevenção e cuidados necessários que a população que frequenta o local deve ter em relação à doença. “Solicitamos que os usuários da represa procurem não alimentar e não se aproximar das capivaras para evitar acidentes, bem como sempre que frequentar locais de mata, pastagens, gramado, faça uma vistoria completa no seu corpo a fim de verificar a presença de carrapatos, e removê-los com cuidado necessário evitando a doença”, disse ao jornal.
“O carrapato, para transmitir a FMB, necessita ficar aderido ao corpo cerca de duas a quatro horas, portanto a verificação neste espaço de tempo da presença de carrapatos, é muito importante para evitar o contágio da doença”, completou.

A doença
De acordo com informações do Ministério da Saúde, a febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Ela não é contagiosa, ou seja, não pode ser transmitida de uma pessoa para outra.
Causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, ela é transmitida pela picada do carrapato. No Brasil, o carrapato-estrela é um dos principais vetores. No entanto, qualquer espécie do parasita pode carregar a bactéria.
Os principais sintomas da febre maculosa são febres, dores de cabeça intensa, náuseas e vômitos, diarreia e dor abdominal, dor muscular constante, inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés, gangrena nos dedos e orelhas e paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões causando paragem respiratória.
Além disso, com a evolução da doença é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas que podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.

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