Conclusão

Ganymédes José, em uma de suas fotografias mais conhecidas, que ilustrou dezenas de seus livros que circularam entre jovens de todo o Brasil em seus quase 20 anos de carreira de escritor

Uma Vez, Casa Branca… não é uma obra perfeita, obviamente. Como foi dito, Ganymédes valeu-se de diversas fontes de consulta para elaborar a sua história. Entremeou os fatos históricos encontrados em jornais, atas da câmara, livros da igreja, etc, com um tanto de ficção, justamente para dar ao livro o sabor de uma história contada, com leveza e fluidez, difíceis de se alcançar em uma obra árida de pesquisa histórica. Ganymédes já revelava, ali, seu dom de contador de histórias para a juventude, que seria o seu grande público até o fim da vida.


O estudioso da história de Casa Branca vai encontrar no livro, em muitos momentos, diversos erros históricos, datas inverídicas e até mesmo fatos provenientes da imaginação popular, sem qualquer comprovação documental. Ganymédes, certamente, tinha consciência disso. O grande mérito de Uma Vez, Casa Branca…, não é o seu rigor histórico, mas o fato de ter trazido aos leitores casa-branquenses de todas as idades a história de Casa Branca como ela deveria ser: bonita, leve, agradável, despertando o interesse em conhecer as origens e o desenvolvimento da cidade. Não existe profundidade na obra de Ganymédes José, nem era essa a sua intenção, mas sim uma dose de amor incondicional por sua terra, amor esse que irradia das páginas do livro, contagiando os leitores que, nesses 50 anos, se deleitaram com o escritor e sua maneira de contar.


Uma Vez, Casa Branca… completa, em 2023, 50 anos de idade. Mesmo com o passar de cinco décadas, tendo uma edição muito pequena, patrocinada pelo poder público municipal, é um livro que vive no imaginário dos casa-branquenses e, ainda, é muito procurado por leitores que já o leram ou desejam ler.

Porém, torna-se, a cada ano, mais difícil de ser achado. Anos atrás tentei viabilizar a sua publicação, mas existiam enormes entraves burocráticos, advindos, principalmente, da morte de Ganymédes José, em 9/7/1990, e de seus familiares mais próximos, os pais, João e Rita, e, finalmente, o irmão, Clístenes (Tenê), herdeiros diretos. Sem a autorização de quem detém o direito sobre o espólio do escritor, seria tarefa quase impossível reeditar a obra.

Na entrevista que deu à Folha de Casa Branca, mencionada neste artigo, Ganymédes diz: “Que daqui a cem anos alguém resolva escrever o segundo volume.” Bem, já se passou metade disso. Teremos que esperar mais cinquenta anos para, pelo menos, ver o livro Uma Vez Casa Branca… reeditado? É muito tempo, muita demora…

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