A edição da Gazeta de Vargem Grande do último sábado, dia 21 de outubro, trouxe uma reportagem muito importante, de um tema extremamente delicado: violência sexual contra crianças e adolescentes. De acordo com a apuração do jornal, a Polícia Civil investiga sete casos de estupro de vulneráveis ocorridos neste ano, em Vargem Grande do Sul.
São sete crianças ou adolescentes que foram submetidos a uma violência que pode gerar um trauma para toda vida. Algumas vítimas poderão aprender a lidar com as cicatrizes que restarem. Outras, podem nunca se recuperar integralmente e sempre carregar essa sombra que pode se manifestar e influenciar vários aspectos do seu dia a dia.
Mas e os casos que nunca chegam à polícia? Os que são abafados pela família, que acreditam que não recorrer à Justiça é o melhor para evitar maior exposição da criança. Ou mesmo os casos em que os responsáveis não acreditam no apelo da vítima e dão mais importância ao relacionamento com o parceiro abusador. Fica a questão: para cada caso investigado, quantos ainda acontecem na cidade? E é nessa dúvida que mora o horror. Se essas sete crianças já estão, em tese, em segurança, muitas outras meninas e meninos ainda são vítimas de violência sexual.
A reportagem trouxe também dados de um levantamento nacional que mostra como a situação é mais terrível ainda, pois a maioria dos abusadores é um familiar da vítima, 64,4% dos casos, e 71,6% dos estupros ocorrem dentro de casa.
Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, o delegado Antônio Carlos Pereira Júnior, que explicou não apenas as ações da polícia para solucionar os casos e buscar o indiciamento de suspeitos, mas também detalhou a atuação da Justiça em casos como estes, do trabalho do Conselho Tutelar e de toda rede de apoio existente no município. O delegado observou ainda que é preciso se manter alerta aos sinais de que essa menina ou esse menino possam estar sofrendo algum tipo de abuso, como uma mudança de comportamento e sempre procurar a polícia em casos de suspeita.
Combater a violência sexual contra crianças e adolescentes é imprescindível, mas é um trabalho que envolve toda a sociedade. É preciso informar e conscientizar a comunidade, abordar a educação sexual de maneira didática e sem tabus, respeitando o desenvolvimento pedagógico das crianças e adolescentes. Já pais e responsáveis devem manter sempre o diálogo, oferecendo um espaço seguro para que a criança possa se manifestar e contar sobre algo que está acontecendo.
Essas sete crianças já começaram uma jornada para se livrarem da violência que foram submetidas. Que o mesmo aconteça com outras vítimas que não tiveram seus casos trazidos à polícia.












