Explosão de dengue na cidade leva a falta de repelente

Na Farmácia Santa Cecília, todo repelente que chega é vendido. Foto: reportagem

Com 643 casos confirmados, moradores estão com dificuldade para comprar repelentes em Vargem; necessários para ajudar na hidratação, isotônicos também estão em falta

Os casos de dengue em Vargem Grande do Sul não param de subir. À Gazeta de Vargem Grande, a Prefeitura Municipal informou que até sexta-feira, dia 23, a cidade registrava 643 casos positivos. No total, a cidade soma 933 notificações e 290 casos negativos. Com os casos de dengue subindo diariamente, os moradores já têm encontrado dificuldades de comprar alguns itens, como repelentes, nas farmácias e supermercados da cidade.
No último ano inteiro, a cidade registrou 536 notificações, sendo 265 casos positivos e 271 negativos. Após a explosão dos casos de dengue na cidade neste ano, o recomendado foi que a população passasse a se proteger com repelente para evitar a picada do mosquito Aedes aegypti.
A Gazeta de Vargem Grande procurou saber sobre a situação do repelente. O jornal contatou duas farmácias do Centro, na qual os responsáveis preferiram não se identificar. Em uma delas, o estoque estava cheio do produto, mas em dois dias, o estoque zerou. Agora, a farmácia está tentando encontrar repelente nas distribuidoras, mas estão encontrando dificuldade para achar o produto.
Ao jornal, uma outra farmácia relatou que o setor de compras também está com dificuldade de encontrar repelentes nas distribuidoras. Na sexta-feira, dia 23, a farmácia possuía apenas duas unidades de uma marca de repelente para bebê e poucos repelentes elétricos.
Na VK Drogaria, no Jardim Primavera, o estoque de repelentes também está zerado. O proprietário Claudemir Francisco da Costa, conhecido como Kiko, informou ao jornal que a procura para comprar repelente está muito alta e que a maioria das distribuidoras não está tendo estoque, se tornando difícil a reposição do produto.
Antônio Sérgio da Silva, proprietário das Drogarias Santa Rita e Santa Luzia, informou que a procura de repelentes subiu muito. Conforme relatou, o produto ainda não está em falta em sua farmácia, mas não está chegando a quantidade encomendada do produto. “Acredito que a demanda tá sendo muito grande, onde às vezes falta um pouquinho. Você pede uma quantidade e não vem, não está em falta, e a demanda tá muito grande”, disse.
A farmacêutica Marina Bertoloto Gonçalves, da Farmácia Santa Cecília, a ‘Farmácia do Marcelo’, explicou que o repelente é um produto difícil de ser encontrado nas últimas semanas. No local, ainda há algumas unidades de repelente e a previsão é de que em breve chegue mais. “O que chega na farmácia, vende! Os mais indicados são os com Icaridina, que protege de 9h a 10h, porém são os mais difíceis de achar”, disse.
Conforme explicou, após a alta na demanda, o preço também deu uma subida. “Mas estamos tentando todos os dias fornecedores que tenham de estoque. E quando encontra, às vezes a distribuidora limita a quantidade pra comprar. Parece igual quando começou a pandemia e não achava máscara e álcool em gel, mas aos poucos irá normalizar essa demanda”, comentou.
A farmacêutica contou que a venda de dipirona, paracetamol e soro via oral também aumentou, mas que os remédios não estão em falta.

Isotônico e inhame
Para os positivados ou aqueles que estão com suspeita, o aconselhado é que eles se hidratem bastante com bebidas isotônicas. Ao procurá-las pelos supermercados, já é possível notar também uma falta nas prateleiras.
Alguns moradores procuraram o jornal e informaram que os médicos têm recomendado aos pacientes com dengue que batam inhame com alguma fruta para ajudar a aumentar a imunidade e hidratação, principalmente para aqueles pacientes que estão com dificuldade na alimentação devido aos sintomas da doença, como fadiga, perda de apetite e náuseas. Conforme o informado, alguns lugares já estão com falta do tubérculo.

Sobrecarga na saúde
Com os casos saltando de forma desenfreada, nas últimas semanas foi possível observar o grande número de pessoas nas unidades de saúde, inclusive o Hospital de Caridade e os laboratórios clínicos da cidade.
As pessoas com suspeita de dengue, após passarem pela consulta médica no Posto de Pronto Atendimento (PPA) ou no Hospital de Caridade, devem fazer o exame de sangue para saber se estão ou não com a doença e isso também sobrecarrega os laboratórios da cidade, onde as filas chegam às calçadas e, às vezes, até viram a esquina.
Assim, com os sintomas fortes da doença, os suspeitos precisam reunir forças para enfrentar as filas que se formam logo pela manhã e seguem também à noite.
Na última edição, a Gazeta circulou uma matéria sobre a sobrecarga na saúde municipal e informou que a esperança dos técnicos em saúde, principalmente da Vigilância Sanitária, é que com as ações tomadas pela prefeitura municipal, os casos comecem a diminuir dentro de alguns dias.
Dentre os trabalhos realizados, está a nebulização veicular nas ruas e nebulização com bomba costal nas casas e arredores onde haja foco, que teve início há algumas semanas no Jardim Dolores e cobriu toda a parte alta da cidade, que está com maior incidência de casos de dengue. A nebulização, porém, combate o mosquito na fase adulta.
Diariamente, a Prefeitura Municipal tem feito alertas em suas redes sociais para que a população ajude na eliminação dos criadouros do mosquito, a fim de evitar a proliferação eliminando sua fase aquática: ovo, larva, pupa, dentro dos criadouros com água parada.
Outro trabalho importante desenvolvido pela Vigilância Sanitária, foi a intensificação da visita casa a casa realizada em toda a cidade pelos agentes comunitários, procurando por criadouros e também levando os moradores à conscientização do que deve ser feito, mantendo os quintais e terrenos limpos para impedir que aumente ainda mais os casos de dengue em Vargem Grande do Sul, uma vez que historicamente o pico da doença geralmente acontece em abril de cada ano.

Dengue hemorrágica
Os sintomas mais comuns da dengue são dores de cabeça, dor nos olhos, febre alta (muitas vezes passando dos 40º), dor nos músculos, nas juntas e atrás dos olhos, manchas vermelhas por todo o corpo, falta de apetite, fraqueza, coceira e, em alguns casos, sangramento da gengiva e do nariz.
A diferença para a dengue hemorrágica é que pode haver também confusão mental, agitação ou insônia, perda de consciência, sangramento na boca, nas gengivas e nariz, boca seca e muita sede; dificuldade de respiração, fortes dores abdominais e vômitos intensos, pele pálida, fria e úmida, e pulso fraco.
A Gazeta de Vargem Grande foi informada sobre um possível caso de dengue hemorrágica na cidade. Contudo, a informação não foi confirmada pela Prefeitura Municipal. De acordo com o Departamento de Saúde tiveram algumas internações de pacientes com Dengue, mas nenhum caso confirmado de ser Dengue Hemorrágica.
Em janeiro, o Departamento de Saúde disse ao jornal que faz mais de cinco anos que não há um caso de morte por dengue com complicações na cidade

Morte na região
Na terça-feira, dia 20, São José do Rio Pardo registrou a primeira morte por dengue na região em 2024. Celso Camacho, um idoso de 85 anos, morreu por dengue grave.
Ele sofria com doenças crônicas, insuficiência cardíaca e fazia hemodiálise. O idoso estava internado na UTI da Santa Casa e não resistiu.

Região
Vargem é a cidade com mais casos de dengue em toda a região, com 643 casos. Até quarta-feira, dia 21, Divinolândia não tinha caso confirmado, Aguaí, Águas da Prata e Caconde haviam registrado cinco casos e São Sebastião da Grama e Itobi, seis casos.
Até a data, São José do Rio Pardo somava 51 casos e um óbito pela doença. Em Casa Branca, há 99 casos de dengue e em São João da Boa Vista, há 137 casos.

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