Homem de visão, que desceu da Serra da Fartura para se aventurar nos campos áridos de Vargem, onde só tinha barba de bode, pau-terra, faveiro, barbatimão, indaiá, cajuzinho e gabiroba, Carlitão vislumbrou a oportunidade de tirar maior proveito de suas terras.
Empreendedor, trouxe várias famílias japonesas para plantar e corrigir as terras de sua propriedade. Ele já tinha observado os japoneses comprarem batatas das serras para sementes e cultivarem em Jarinu, Itatiba e outras cidades próximas e os convidou para plantarem em sua propriedade, a Fazenda Campo Vitória.
Assim, as famílias Koyama, Kurosawa, Mori, Nakayama, Okada, Takiuty, Tami, Tany, Taro, Tsakiushi, Uemeraba, Yassuka e outros começaram o trabalho. Com tratores retiraram a mata nativa existente, construíram açudes, corrigiram a terra com calcário, introduziram a irrigação e fizeram uma verdadeira revolução verde, lá pelos idos de 1966.
A tecnologia implantada pelos agricultores japoneses deu resultado, proporcionando o acesso a centenas de produtores de Vargem e região que começaram a plantar nos cerrados não só de Vargem, como em várias cidades vizinhas e depois expandindo para Minas Gerais.
Com seu pioneirismo e incentivo, os agricultores passaram a produzir em maior escala no cerrado, proporcionando grande produção de batata, que segundo dados da Cooperbatata, hoje chega a responder por 60% do plantio de inverno no estado de São Paulo e 30%, no mesmo período, no Brasil.
Também passaram a produzir milho, arroz, feijão, abóbora, melancia, mandioca e outros produtos. Carlitão ainda investiu em leite e gado confinado, criação de porcos, adquirindo aos poucos várias propriedades não só em Vargem e região, como também em Goiás e Mato Grosso.
O plantio da batata nos campos foi um divisor de água, um grande sucesso de produção, levando à criação em 1990 da Associação dos Bataticultores (ABVGS), hoje com mais de 150 associados e posteriormente, em 1999, à inauguração da Cooperativa dos Bataticultores de Vargem Grande do Sul e Região (Cooperbatata), atualmente com mais de 250 cooperados, tendo à frente a liderança de seu filho Carlos Alberto de Oliveira Filho (Betão), falecido durante a pandemia da Covid-19 em 13 de outubro de 2020.

Foto: Falcão Foto & Arte












