Viviane Teixeira de Freitas
Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva (Eunice Paiva), figura pública, símbolo da luta contra a ditadura militar no Brasil, nascida no dia 7 de novembro de 1929 em São Paulo-SP, aos 18 anos se formou no curso de letras na universidade Mackenzie, fluente em francês e inglês. Em 1952, aos 23 anos, casou-se com Rubens Paiva, ex deputado federal e engenheiro, moravam no Leblon, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tiveram 5 filhos.

Em 1964 com o golpe de estado iniciou-se a ditadura militar instaurado em 1º de abril de 1964, que perdurou até 15 de março de 1985, sendo conduzido por sucessivos governos militares, Rubens Paiva então deputado federal por São Paulo, falou a rádio Nacional para denunciar o golpe contra o presidente João Goulart, dias depois desse pronunciamento Paiva foi cassado e se tornaria uma das vítimas da ditadura que se iniciava, em 1971 Rubens Paiva foi levado, torturado e assassinado por agentes da repressão, com isso Eunice Paiva que chegou a ficar presa por 12 dias travou uma verdadeira batalha contra o Estado para o reconhecimento da morte do marido, o que levou 25 anos para se tornar realidade, somente em 1996 foi emitida a certidão de óbito.

Após o desaparecimento do marido, Eunice não conseguiu sustentar sua família no Rio de Janeiro, ela retornou com os filhos para São Paulo onde em 1973, matriculou-se novamente na Universidade Mackenzie para cursar Direito, graduando-se aos 47 anos, tornando-se especialista em direito indígena, uma das primeiras advogadas a se especializar na defesa do povos indígenas no Brasil, numa época em que o direito indigenista praticamente não existia, também foi consultora do governo federal, do Banco Mundial e da ONU.

Eunice Paiva faleceu em 13 de dezembro de 2018 em São Paulo, em uma luta contra o Alzheimer , antes do seu falecimento seu filho Marcelo Rubens Paiva (escritor), escreveu o livro “Ainda Estou Aqui” (4 de agosto de 2015), que fala sobre a força da mãe em assumir a liderança da família de 5 filhos e sua resistência ao ser dominada pela dor; e que agora em 2024 virou filme dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro com Eunice em diferentes fases da vida, além de Selton Mello no papel de Rubens Paiva, sua estreia no Festival de Veneza aconteceu em 1º de setembro de 2024 tendo sido aplaudido por 10 minutos consecutivos pelo público e rendendo aclamação a atuação de Fernanda Torres, o filme rendeu vários prêmios, e recebeu 3 indicações ao Oscar, sendo o primeiro filme brasileiro da história a concorrer nesta categoria e tornando-se o primeiro filme brasileiro da história a ganhar um Oscar, onde foi feito um discurso pelo premiado Diretor Walter Salles: “Isso vai para a mulher que, após uma perda sofrida durante um regime autoritário, decidiu não se curvar e resistir. Então esse prêmio vai para ela. Seu nome é Eunice Paiva, então é dela!”.












