Uma briga inicial entre dois funcionários de uma empresa de estruturas para eventos localizada no Distrito Industrial José Aparecido da Fonseca – Tota, acabou envolvendo o proprietário do negócio, o vereador Amarildo Guimarães de Figueiredo, o conhecido Ratinho, filiado ao Podemos, que acabou acusado de lesão corporal e ameaça por dois empregados. O caso aconteceu na terça-feira, dia 14. Ouvido pela Gazeta de Vargem Grande, o empresário negou o relatado pelos funcionários e ainda denunciou a agressão de um deles contra um de seus gerentes.
O caso veio a público com a reportagem da página do Facebook Notícias Policiais, que na noite da terça-feira, entrevistou os dois funcionários e também falou com o empresário. De acordo com a reportagem publicada, as vítimas Antônio Lopes Júnior, 27 anos e Reinaldo Santos de Oliveira, 48 anos, foram ao Plantão da Polícia Civil de São João da Boa Vista, onde foi lavrado o Boletim de Ocorrência de lesão corporal e ameaça, artigos 129 e 147 do Código Penal, respectivamente.
Sobre o caso, a Delegacia da Polícia Civil de Vargem Grande do Sul informou que serão tomadas as providências de Polícia Judiciária pertinentes. Conforme explicou o delegado Antônio Carlos Pereira Júnior, o crime de lesão corporal é de ação penal condicionada e depende de representação das vítimas.
Tesourada
Inicialmente, o caso foi exposto por Reinaldo, que é motorista, e Antônio, montador de estruturas na empresa. Ao Notícias Policiais, Reinaldo informou que teria sido surpreendido por Ratinho que se dirigiu a ele gritando que ele tinha sido mandado embora sem direitos, ou seja, por justa causa. Ele contou que foi questionando o empresário e se aproximando, momento em que o colega Antônio interveio, para evitar uma briga. Reinaldo disse então que Ratinho desferiu um soco contra ele e tanto ele quanto Antônio foram colocados para fora da empresa.
A discussão teria continuado com os funcionários do lado de fora da grade do estabelecimento e o empresário, pela parte de dentro. Segundo Reinaldo, nesse momento Ratinho teria usado uma tesoura de cortar crina de cavalo, que no local é empregada para cortar lonas, e desferiu um golpe contra ele. “Ele pegou uma tesoura de cortar crina de cavalo, que ele usa para cortar lona, e na hora que ele deu, ele deu com tanta força, que eu achei que ia morrer na hora”, relatou.
Antônio então explica que nessa hora ele puxou o colega e acabou tendo o braço acertado pelo golpe. “Eu cheguei para puxar meu parceiro. Aí a ponta chegou a pegar no meu braço”, contou.
Antônio procurou o Posto de Pronto Atendimento (PPA) Alfeu Rodrigues do Patrocínio, onde foi expedido um laudo médico constatando o ferimento. Reinaldo disse também à polícia que o empresário teria o ameaçado de morte.
Reinaldo negou a acusação de Ratinho de que ele teria agredido um colega de trabalho. “Eu vim aqui porque ele chegou acusando, me mandando embora da firma e queria saber o motivo. Ele disse que eu agredi um parceiro de firma, sendo que eu nem pus a mão no parceiro”, disse no vídeo divulgado pelo Notícias Policiais.
Fotos: Reportagem / Notícias Policiais
Ratinho nega as acusações
A Gazeta de Vargem Grande foi até a empresa entrevistar Ratinho. Ele lamentou ter seu nome envolvido nessa polêmica, lembrando que no final de semana esteve presente na realização do Espaço Evelyn, evento beneficente que promove brincadeiras e distribui brinquedos para crianças da cidade e que neste ano reuniu mais de 1,5 mil meninos e meninas.
Sobre as acusações feitas pelos trabalhadores, ele comentou que na tarde do dia 14, ao chegar na sua empresa após ter que passar parte do dia realizando exames de saúde fora da cidade, foi surpreendido com a notícia de que Reinaldo teria agredido o gerente dentro da empresa.
Ratinho relatou que Antônio discutiu com Walace e que após isso, Reinaldo o golpeou com um murro pelas costas. O trabalhador teria caído, batido a cabeça e chegado a desmaiar, sendo levado ao atendimento. Segundo o empresário, Walace também procurou a polícia para registrar o caso contra Reinaldo.
A Gazeta ouviu também o funcionário, gerente na empresa, que explicou que a discussão inicial foi entre ele e Antônio. “Nós começamos a discutir. Eu virei as costas para ir embora, aí quando eu acordei, eu já estava dentro do carro, indo para o hospital, foi só isso que aconteceu, só me lembro disso”, relatou. O trabalhador ainda está com um curativo sobre o ferimento na cabeça. Segundo o empresário, após a discussão com Antônio, o gerente se afastou, momento em que Reinaldo o golpeou por trás, causando os ferimentos.
“O Reinaldo agrediu ele covardemente. Aí eu entrei aqui para falar que ele estava sendo mandado embora sem direitos, dizendo que na minha empresa ele não trabalhava mais”, afirmou. Ele explicou ainda que Antônio também foi demitido, mas sem justa causa, pelo envolvimento na discussão inicial. Ele ainda informou que Antônio interveio na discussão dele e Reinaldo e que evitou uma briga de fato.
Ratinho ainda afirmou que durante a discussão com Reinaldo, ele teve a camisa rasgada e que toda a história foi uma narrativa criada por Reinaldo, que foi mandado embora por ter agredido um colega. “Fiz o papel de empresário. Se você chegar na sua empresa, confrontar com a cena dessa, você manda ou não manda o agressor ir embora?”, questionou.
Ele negou ter utilizado a tesoura para golpear os funcionários, explicando que estava do lado de dentro da grade e que segurou inicialmente a tesoura para tirar ela do alcance e evitar que ela fosse usada por Reinaldo, que estaria descontrolado por ter sido mandado embora. Disse também, que não foi a primeira vez que Reinaldo teria agido de manera agressiva com colegas.














