O Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul é, para muitos moradores, o único caminho possível quando a saúde exige atendimento imediato ou procedimentos mais complexos. A instituição, que desempenha papel fundamental na rede do SUS, enfrenta há anos desafios estruturais que comprometem sua capacidade de atender melhor a população e o diálogo entre os três principais atores que influenciam no dia a dia do Hospital, poderia ser a ferramenta mais útil no atual momento porque passa a entidade.
Sentar na mesma mesa o poder público municipal, a diretoria da entidade ou no caso atual, seu interventor e o corpo clínico, estaria na base de uma possível solução para que a centenária entidade continue prestando os relevantes serviços que a sociedade vargengrandense necessita, principalmente a população mais pobre.
Tirando a crônica falta de verbas, alguns dos problemas que vive o Hospital de Caridade, como a falta de uma Mesa Diretora, a ausência de um diretor clínico e a necessidade sempre de se renovar e reorganizar seu corpo clínico, poderia com maturidade das partes, através do diálogo, evoluir para uma saída promissora.
O corpo clínico de um hospital não é apenas a soma de seus médicos. Ele representa a força técnica da instituição, responsável por organizar protocolos, definir fluxos, atualizar práticas e garantir a qualidade da assistência. Para que isso aconteça, ele precisa estar vivo, renovado, participativo — precisa incorporar novos profissionais, absorver novas especialidades, atualizar métodos e fortalecer sua governança interna, como tantas vezes o Hospital de Caridade já o fez.
Quando o corpo clínico não se renova, perde dinamismo, reduz capacidade de expansão e deixa de acompanhar as exigências crescentes dos programas públicos de saúde, como o SUS Paulista. Sem novas lideranças médicas, sem atualização das práticas e sem organização interna, o hospital fica preso ao passado, incapaz de responder aos desafios de uma população que cresce, envelhece e demanda tratamentos cada vez mais complexos.
A situação se agrava ainda mais pela ausência de um diretor clínico, figura obrigatória e essencial para coordenar esse processo de renovação. É o diretor clínico quem articula a integração entre médicos, direção administrativa e políticas públicas; quem organiza credenciamentos, distribui responsabilidades, atualiza protocolos e garante governança técnica. Sem ele, o hospital corre o risco de funcionar sem rumo, sem liderança e sem responsabilidade técnica centralizada.
No passado, quando o Hospital de Caridade pedia soluções urgentes, médicos como o dr. Lauro Corsi foram essenciais para que ele se mantivesse vivo e operando. Provedores como Antônio Coury e o ex-prefeito Nestor Bolonha, foram figuras importantes para que novos médicos aqui se instalassem no passado, como foi o caso da vinda do dr. Antônio Carlos Ranzani, que por sua vez consolidou a vinda do dr. Luís Brandi, dando nova vida à entidade.
Essa falta de diálogo, de direção e de renovação pode ter consequências diretas na prática, como a que o Hospital de Caridade enfrenta atualmente em ampliar as cirurgias eletivas pelo SUS e pelo SUS Paulista. Será que através do diálogo, mesmo quando ele se torna exaustivo e a questão aparenta não ter solução, novos caminhos não seriam encontrados, com cada uma das partes cedendo um pouco em nome do bem coletivo?
Enquanto esse diálogo exaustivo não acontecer e o hospital não se reorganizar tecnicamente, a conta pode estar sendo paga por aquele cidadão mais pobre, aquele que depende integralmente do SUS e não tem alternativa. O município perde oportunidades, a fila não anda e a população sofre.












