Tadeu Ligabue
Sempre é um alento poder ouvi-los. Já foram mais numerosos. Há algum tempo, quando em frente casa havia muitas sementeiras nos terrenos, podíamos ver vários deles se alimentando, fazendo algazarras e cantorias.
Desde os mais velhos, com suas coleiras brancas no pescoço, até os pardinhos que ensaiavam os primeiros cantos. Eles ficam uma temporada em nossa região, se acasalam, fazem os ninhos, procriam e depois vão embora. Dizem que voam para o Amazonas e para o Nordeste, quando aqui começa o inverno.

Falo com ternura sobre os bigodinhos, porque nesta época também acontece o Natal, um tempo cheio de significados para mim. De pensamentos mais doces, sentimentos mais nobres que vão aflorando como a chegada destes pequenos passarinhos.
Sempre que posso, digo ao meu amigo Francisco Aliende que já ouvi um bigodinho cantando. É a senha para falarmos sobre estes pássaros e outros, com a conversa fluindo para amenidades da vida.
A chuva é farta hoje, no momento que escrevo esta crônica. Ela enche de vida os arredores de minha casa e cai como cascata do telhado, inundando o jardim. Também é a época das chuvas, como é a dos bigodinhos cantando e as mangas que já estão amadurecendo quando caminho pela represa.

Meu mundo tem sido feito de pequenas observações como estas, que me dão sentido à vida. Procuro também sentido no Natal e no nascimento de Jesus. Embora tudo seja uma doce ilusão, o Natal, o nascer do Menino Jesus, isso aplaca o mundo e as notícias ruins que nos inundam nestes tempos de internet.
Vou ficando com o coração mais manso, ajudo nas tarefas de casa, como buscar a árvore de Natal com minha filha, enfeitá-la com minha esposa e aguardar a chegada dos netos. Pequenos e mundanos prazeres que vão dando sentido à nossa existência.
Foi-se o tempo de querer mudar o mundo, de sonhar com grandes conquistas. Tento mudar a mim, um trabalho hercúleo, e conquistar minha mente, tarefa gigantesca também.
Pensar em Cristo, na sua mensagem, no ‘Amar-vos uns aos outros” dá sentido à vida, do porque estamos aqui, de acreditar que estamos evoluindo, embora a humanidade se comporte de maneira tão desumana.

Pedimos a várias pessoas que colaborassem com a Edição Especial de Natal, escrevendo sobre o tema. Há 44 anos editamos essa edição e sempre que posso, procuro escrever algo a respeito. O ato de escrever me tira um pouco da prisão que o celular se tornou.
Li por estes dias algo sobre “Um Conto de Natal” de Charles Dickens, que narra a história do velho e rabugento Ebenezer Scrooge, um banqueiro que despreza o Natal e tudo o que ele representa: a união familiar, o amor ao próximo e a celebração da vida. Scrooge é egoísta, insensível e obcecado por acumular riquezas, o que o torna uma figura profundamente solitária e triste. Sua aversão ao Natal é evidente, pois ele considera a data uma perda de tempo e dinheiro.

Se não puder ler o livro, que irei ver se consigo na Biblioteca Municipal Victor Lima Barreto, vou ver se assisto ao filme, junto com minha filha Sara, que adora filmes natalinos. Vou assistir no aconchego do meu lar, junto com minha família. Não existe nada melhor deste mundo que pequenas ações como estas.
Ainda tenho esperanças que o mundo e o ser humano não sejam tão ruins assim. Do Natal, embora comercial e tudo mais, dele ainda consigo extrair algo de bom e terno, como a leitura de um livro ou assistir um filme despretensioso como o são os filmes natalinos.












