Alta da frota contrasta com falta de vagas, desrespeito à sinalização e conflitos em áreas centrais, como o entorno da Igreja Matriz de Sant’Ana
Com uma frota que já ultrapassa 33,8 mil veículos em circulação, Vargem Grande do Sul vive um cenário cada vez mais desafiador no trânsito, especialmente no Centro, onde se verificam maiores dificuldades para estacionamento na rua do Comércio e adjacências. A escassez de vagas para estacionamento, a ausência de demarcações e a falta de fiscalização têm provocado conflitos entre motoristas, comerciantes, taxistas e pedestres, além de sucessivos desrespeitos às áreas onde o estacionamento é proibido, como dentro da praça pertencente à Paróquia de Sant’ Ana.
De acordo com dados referentes a dezembro de 2025 da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), do Governo Federal, o município possui 33.818 veículos registrados. Os automóveis lideram a frota, com 17.437 unidades, seguidos pelas motocicletas, que somam 6.613 registros. Também fazem parte desse total 1.894 motonetas, 100 ciclomotores, 27 triciclos, além de caminhonetes, caminhões, ônibus e outros veículos de carga e transporte coletivo. Além dos automóveis e motocicletas, a frota de Vargem Grande do Sul inclui 2.913 caminhonetes, 1.354 camionetas, 1.380 caminhões, 254 caminhões-trator, 464 veículos utilitários, 283 ônibus e 143 micro-ônibus, além de 579 reboques e 299 semi-reboques.
Esse aumento expressivo da frota se reflete diretamente na dificuldade de estacionar nas áreas mais movimentadas da cidade, como a Rua do Comércio e o entorno da Praça da Igreja Matriz de Sant’Ana, um dos pontos mais sensíveis desse embate. Em 2021, após melhorias na Praça e a recuperação do antigo mosaico de pedras portuguesas, o estacionamento de veículos foi proibido no entorno da Igreja Matriz, medida que visava preservar o espaço público e melhorar a circulação. No entanto, com o passar do tempo, motoristas voltaram a estacionar irregularmente no local, alegando falta de vagas nas ruas centrais.
A Gazeta de Vargem Grande ouviu o atual pároco da Igreja, padre Thiago Caldeira de Oliveira, que confirmou que o problema persiste. Segundo ele, a fiscalização contínua é inviável. “É uma situação complicada, porque não temos como fiscalizar o dia todo. As correntes que impedem o acesso irão voltar logo após o término da Festa do Milho”, explicou. O padre relatou ainda que, ao chegar à cidade, percebeu a intensa movimentação de veículos no local e foi informado de que as correntes haviam sido furtadas. Como medida paliativa, ele solicitou a confecção de uma placa de proibido estacionar e reforçou o pedido de colaboração aos motoristas.
Taxistas
Outro ponto de conflito envolve os taxistas que atuam há décadas nas imediações da igreja. Segundo eles, além da falta de vagas, há a questão da escassez de sombra, o que leva muitos motoristas a estacionarem justamente no único local sombreado do local, que coincide com o ponto de trabalho dos profissionais. “Trabalhamos aqui há mais de 30 anos, e muitos param no nosso ponto porque é o único lugar com sombra”, relataram.
A falta de demarcação oficial dos espaços é apontada como um dos principais agravantes da situação. Em entrevista à Gazeta, Teruo Asano afirmou que a prefeitura e o setor de trânsito já foram procurados, mas nenhuma providência concreta foi tomada. “As motos passam por aqui ‘a milhão’. A frente da Igreja é de responsabilidade da prefeitura, mas ninguém respeita nada. Não é só falta de estacionamento, o trânsito está caótico em todos os sentidos”, afirmou.
O taxista Luís Melo também cobra medidas urgentes, especialmente a demarcação dos pontos de táxi. “É o mínimo. Somos pagadores de impostos e, mesmo com o padre fechando as laterais da igreja, ninguém respeita nosso local de trabalho”, disse.
Fotos: Reportagem
Zona Azul
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande enviou algumas perguntas à prefeitura para saber sobre a questão envolvendo o estacionamento no Centro e a possibilidade de se implantar a Zona Azul na cidade, mas até o fechamento da presente edição, o setor responsável pela comunicação da administração municipal, não deu o devido retorno.














