A Vigilância Sanitária de Vargem Grande do Sul interditou no dia 2 de fevereiro, parte da empresa Endorph Comércio de Suplementos Ltda., localizada no Distrito Industrial José Aparecido da Fonseca, em Vargem Grande do Sul. Segundo apurou a reportagem da Gazeta de Vargem Grande, a empresa estaria fabricando suplementos no local e não estaria habilitada para tal exercício, o que levou à interdição deste segmento da empresa.
Procurado pela reportagem do jornal nesta sexta-feira, 13, o gerente da Endorph Daniel Paina negou que a empresa estaria fabricando suplementos. “Nós somos uma empresa distribuidora de suplementos, também compramos e distribuímos matérias primas para que outras empresas fabriquem suplementos”, afirmou o gerente.
Também a Gazeta entrou em contato com o sócio proprietário da Endorph, Leonardo Multini e sua esposa Lara Andrade e os proprietários afirmaram que tudo se tratava de denúncias sem fundamento, que no local não estavam produzindo nada clandestinamente, que só distribuíam os suplementos e que estão regularizando a licença sanitária para atacadista de matérias primas.
Afirmaram que estão construindo uma nova fábrica em outro local para produção de suplementos alimentares, mas que a mesma ainda não está em funcionamento. Disseram que já têm o CNPJ da nova empresa, o maquinário necessário, a licença da Cetesb, do Corpo de Bombeiro, projeto de engenharia e estão aguardando a aprovação da licença sanitária para entrar em operação.
Doação do terreno
Em maio de 2025, a prefeitura municipal publicou nas suas redes sociais que o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) recebeu os empresários Leonardo Garcia Multini e Lara Andrade Peixoto Soares, representantes da empresa Endorph Comércio de Suplementos Ltda, citando que a mesma iniciaria suas operações no Distrito Industrial em uma área de 3.200 m².
Segundo consta no relato da prefeitura, a empresa manteria integralmente seu faturamento registrado no município, o que representaria um importante reforço para a arrecadação e dinamização da economia local.
“O projeto de expansão prevê um crescimento de 15% ao ano, com expectativa de movimentar R$ 12 milhões já no primeiro ano de operação e alcançar R$ 15,8 milhões até o terceiro ano. Além disso, serão geradas até 25 vagas de emprego direto para a população vargengrandense”, cita a matéria publicada pela prefeitura.
No prédio da empresa, o jornal constatou que parte da mesma destinada à comercialização de suplementos, estava em pleno funcionamento e que, segundo o gerente, 12 pessoas estavam trabalhando no setor.
Atualmente, segundo o gerente Daniel Paina, a Endorph revende produtos das marcas Profit, Lider, Demuns Lab, Pro Realth, dentre outros suplementos, vendendo para todo o Brasil e também em Vargem, pelo marketplace, através das empresas Shoppe, Mercado Livre, Magalu, Tike TokShop e Amazon e também no próprio site da empresa.
Daniel afirmou que as vendas continuam normais, sendo que a Vigilância Sanitária interditou somente o setor das matérias primas, sendo que a empresa está aguardando a liberação das mesmas. Também disse que está em andamento um projeto da Endorph para abertura de uma nova empresa visando a fabricação de suplementos alimentares. “Seria uma nova empresa, com outro CNPJ e fabricação em outro local”, falou o gerente.
Denúncia ao jornal
A lei que concedeu o terreno à Endorph é clara ao afirmar que a doação foi feita para a empresa atuar no ramo de distribuição e comércio digital especializado em suplementos alimentares, não falando nada em produção de suplementos.
Uma denúncia formalizada ao jornal e que deu início à presente matéria, consta que o local vinha sendo utilizado para atividades típicas de fabricação, em desacordo com a finalidade legal da doação, e que essa constatação ganhou força após fiscalização da Vigilância Sanitária Municipal, que resultou na lavratura do Auto de Infração nº 000227, em 2 de fevereiro de 2026, seguida pela interdição parcial do estabelecimento, formalizada no Auto de Imposição de Penalidade nº 000108, documentos oficiais emitidos pelo próprio órgão sanitário. Conforme acima explicado, os proprietários negam que estariam produzindo suplementos no local.
Vigilância veda produção sem a devida autorização
A Vigilância Sanitária proíbe o envasamento ou preparação clandestina de suplementos, prática vedada sem licenciamento sanitário específico, estrutura adequada e cumprimento das boas práticas de fabricação, segundo apurou o jornal.
Sem a devida autorização para produzir suplementos, empresas que assim procedem podem configurar fraude ao consumidor caso utilize embalagens que não são autorizadas e levar risco direto à saúde pública, especialmente considerando que suplementos alimentares impactam diretamente o organismo humano. “Quando isso acontece, o caso deixa de ser um problema local para ser uma potencial questão de saúde pública em escala regional e nacional”.
Prefeitura responde
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande levou o caso da denúncia à Prefeitura Municipal envolvendo a questão da Endorph e a mesma informou através do Departamento de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, que a empresa Endorph Comércio de Suplementos Ltda. é concessionária de área localizada no Distrito Industrial José Aparecido da Fonseca “Tota”, destinada originalmente à atividade de “Comércio atacadista especializado em outros produtos alimentícios não especificados anteriormente”, conforme estabelecido no Contrato de Doação e na Lei Municipal nº 5.086, de 2 de abril de 2025.
Também disse que nos termos da Lei Municipal nº 2.848, de 3 de fevereiro de 2009, eventual alteração do CNAE principal vinculado à atividade objeto da concessão deverá ser previamente submetida à apreciação da Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI), órgão competente para análise e deliberação quanto ao deferimento ou indeferimento do pleito.
Afirmou o Departamento que até a presente data, não houve protocolo de solicitação formal junto à CDI com essa finalidade. Finalizou dizendo que no âmbito das competências do Departamento e no que se refere ao Distrito Industrial, seriam essas as informações a serem prestadas acerca da empresa mencionada.
Disse que a Vigilância Sanitária recebeu denúncia de irregularidades da Endorph, onde foi realizada inspeção sanitária das denúncias pertinentes a ações da Vigilância. Também, segundo o Departamento, foi realizada orientações, solicitações de documentações e interdição parcial da matéria-prima estocada no estabelecimento até que sejam apresentados os documentos pertinentes conforme legislação vigente. Finalizou afirmando que o estabelecimento apresentou defesa em tempo hábil e que a Vigilância Sanitária agora aguarda a apresentação de documentação solicitada conforme prazo estabelecido para regularização e seguimento do processo.












