Laudo sobre morte de criança em Vargem revelou quadro de diabetes não diagnosticada

Gabriel faleceu aos três anos em junho de 2025. Foto: Arquivo Pessoal

A morte do garotinho Gabriel Henrique Pereira de Carvalho, de 3 anos, ocorrida na madrugada do dia 7 de junho de 2025, no Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul, causou grande comoção entre familiares, amigos e a comunidade escolar que a criança frequentava.
De acordo com relato da mãe, Daliria Aparecida Pereira de Carvalho, o menino passou bem durante a semana, mas no dia 5 de junho, uma quinta-feira, apresentou febre e inflamação na garganta. Na manhã do mesmo dia, ele foi levado ao Posto de Pronto Atendimento (PPA), onde recebeu medicação, realizou três sessões de inalação e fez um exame de raio-x, que, segundo informado à família, não apontou problemas nos pulmões. Após o atendimento, mãe e filho retornaram para casa.
Já na sexta-feira, dia 6 de junho, o quadro se agravou, com o menino sofrendo com falta de ar, conforme o relatado por sua mãe. Ela acionou a madrinha da criança e ambas levaram Gabriel ao Hospital de Caridade, sendo orientadas a retornar ao PPA para atendimento inicial.
De volta ao PPA, segundo a mãe, o menino foi colocado no soro, que teria, conforme informado, medicação com dipirona. Cerca de 30 minutos depois, apresentou piora súbita, com tremores e salivação intensa. Ele foi levado à sala de emergência, recebeu oxigênio, passou por exames e foi transferido às pressas para o hospital.

Fotos: Arquivo Pessoal

A mãe relata que não recebeu informações claras durante o atendimento e afirma não saber em qual momento o filho teria sofrido uma possível parada cardiorrespiratória.
No Hospital de Caridade, Gabriel foi reanimado, intubado e permaneceu sob cuidados médicos enquanto se buscava vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda segundo a família, somente horas depois o médico conversou com a madrinha da criança, informando que o menino estava estável, porém com a diabetes muito alta, e que precisava ser transferido com urgência, informação que surpreendeu a todos, já que não havia diagnóstico prévio da doença.
Na noite de sexta-feira, a mãe conseguiu ver o filho e relatou que ele aparentava estar estável. Horas depois, foi permitido sua entrada, no entanto, durante a madrugada, foi retirada do quarto pela equipe médica e, pouco depois, informada do falecimento.
Após o óbito, o médico não emitiu a Declaração de Óbito (DO), orientando a família a procurar a Polícia Civil. O caso foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
O laudo, que foi apresentado à Gazeta pela mãe do menino, assinado pelo médico legista Flavio dos Santos Della Torre, apontou que a causa da morte foi glicemia muito alta, levando a complicações metabólicas, caracterizadas como cetoacidose diabética.
Segundo a mãe, a advogada da família informou que o inquérito policial foi encerrado como morte natural, sem indícios de erro médico, conclusão que, segundo a família, não condiz plenamente com as circunstâncias do caso. A mãe informou a Gazeta que seguirá em busca de Justiça.
A morte de Gabriel gerou forte repercussão na cidade e levantou discussões sobre atendimento médico e diagnóstico precoce. A diabetes em crianças pequenas é incomum, mas pode ocorrer, sendo importante observar sintomas como fraqueza, sonolência, falta de apetite, perda de peso, hálito com odor de acetona, aumento da urina, sede excessiva e confusão mental.

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