Descarte irregular causou problema de água

Água do Rio verde recebendo os dejetos de mineração. Foto: Prefeitura

Os transtornos no abastecimento de água de Vargem Grande do Sul na semana retrasada tiveram sua origem detectada pela prefeitura na manhã do dia 17 de abril, sexta-feira. De acordo com o relatado pelo Executivo, uma empresa de mineração estava lançando dejetos de lavagem de areia diretamente no Rio Verde, acima da entrada d’água da Represa Eduíno Sbardellini, manancial que abastece a Estação de Captação e Tratamento de Água do município.
Segundo o publicado pela prefeitura em suas redes sociais, a empresa flagrada foi a Barro Novo Extração e Comércio de Argila Ltda-ME. O Executivo destacou que a empresa possui licenças de operação para extração de argila e areia, mas conforme informou a prefeitura, não poderia realizar o descarte dos resíduos em corpos d’água. O material despejado no Rio Verde causou turbidez excessiva na represa, que chegou até a estação de tratamento e dificultou o abastecimento normal da cidade.
A identificação da fonte do problema ocorreu no dia 17, durante diligências investigativas realizadas nas proximidades da represa, enquanto as equipes técnicas do Serviço de Água e Esgoto (SAE) realizavam testes e tratamentos mais aprofundados para entender a origem do problema. Ao ser constatada a irregularidade, o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) determinou providências imediatas junto ao SAE e ao Departamento de Agricultura e Meio Ambiente. A empresa foi notificada para cessar a atividade de imediato, interrompendo o lançamento dos dejetos antes que atingissem o Rio Verde.
Com a paralisação do descarte irregular, a turbidez da água da represa começou a recuar, conforme destacou o Executivo. A equipe técnica segue monitorando a situação, realizando análises e tratamentos para que o abastecimento voltasse à normalidade.

Outro lado
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande procurou representantes da empresa Barro Novo para esclarecer o ocorrido. Em resposta ao jornal, foi informado que a empresa não iria se manifestar sobre o caso nesse momento. Em reportagem divulgada no sábado, no jornal da EPTV, a empresa ressaltou que possui todas as licenças ambientais e disse que, com as chuvas, a quantidade de água de enchentes é grande e leva junto os resíduos da extração – que incluiu água suja com argila.

O que aconteceu
Moradores de diferentes bairros de Vargem Grande do Sul relataram nas redes sociais, principalmente no Facebook, problemas com a qualidade da água ao longo da semana retrasada. As queixas incluíam água suja, com mau cheiro, baixa pressão e aspecto oleoso ou gorduroso. Bairros como Centro, Jardim Paulista, Fortaleza, Santa Terezinha e Vila Polar, entre outros, foram citados nos relatos. A repercussão foi intensa e gerou cobrança pública por explicações da prefeitura e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE).
Diante das denúncias, vereadores foram a campo. Vagner Loiola (Bilu), Rafael Coracini e Ratinho visitaram a Estação de Tratamento de Água (ETA) da Represa Eduíno Sbardellini na manhã de quarta-feira, dia 15, em ação de fiscalização após o encaminhamento do ofício nº 61/2026 à Câmara. Os vereadores Gustavo Bueno e Felipe Gadiani também realizaram cobranças formais ao SAE, questionando diretamente a superintendência do órgão sobre as causas do problema.
Em resposta inicial, o SAE atribuiu os problemas ao aumento do volume de chuvas, que teria alterado a turbidez da água nas nascentes e exigido maior uso de produtos químicos no tratamento. O superintendente técnico/operacional Klabin Dei Romero afirmou que as alterações — como coloração amarelada e sensação de viscosidade — eram temporárias, não representavam risco à saúde e que o sistema operava dentro dos padrões de potabilidade.
A causa real do problema, no entanto, só foi identificada na manhã de sexta-feira, dia 17, durante diligências nas proximidades da represa, quando a prefeitura constatou que a empresa de mineração estava descartando dejetos de lavagem de areia diretamente no Rio Verde. O material provocou turbidez excessiva no manancial e comprometeu o abastecimento da cidade, sendo a empresa notificada a cessar a atividade imediatamente.

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