Início da safra de batata animou produtores, mas preços caíram

Entrada do produto no mercado fez preços caírem. Foto: Arquivo Pessoal

A situação do mercado da batata produzida na região de Vargem Grande do Sul é de pressão sobre os preços, reflexo da intensificação da colheita da safra de inverno e do aumento da oferta nos principais mercados consumidores do país. Esta situação contrasta com o início da safra no final de junho, quando os preços alcançaram boa cotação no mercado consumidor.
Segundo o levantamento mais recente do Cepea/Hortifruti, a entrada da produção de Vargem Grande do Sul e de outras regiões nos entrepostos atacadistas fez aumentar significativamente a disponibilidade de batata. Com isso, compradores passaram a negociar com maior poder de barganha, pressionando as cotações para baixo.


Pesquisa feita pela Gazeta de Vargem Grande junto a produtores de Vargem esta semana, levantou que o preço pago aos produtores estava girando entre R$ 35,00 a R$ 40,00 a saca de 25kg, no início da semana, mas poderia oscilar para menos. Estes valores são considerados preocupantes por muitos produtores, pois estariam próximos do custo de produção para diversas propriedades, especialmente aquelas com produtividade menor ou custos elevados com irrigação, defensivos, sementes e fertilizantes. Em propriedades mais tecnificadas e com boa produtividade, ainda é possível obter margem positiva, mas bem inferior à esperada no início da safra.
Outro fator que influencia o mercado é que praticamente todas as principais regiões produtoras de inverno estão colhendo ao mesmo tempo. Além de Vargem Grande do Sul, também há aumento da oferta vindo de Cristalina (GO), Sul de Minas Gerais e outras regiões paulistas, elevando a concorrência entre os produtores.
Apesar da pressão atual, o setor acredita que os preços podem reagir nas próximas semanas caso ocorram redução do ritmo de colheita, problemas climáticos ou aumento da demanda. Como a batata é um produto altamente perecível, oscilações de oferta costumam provocar mudanças rápidas nas cotações.
O mercado acompanha com cautela a evolução da colheita, pois uma oferta ainda maior pode provocar novas quedas nas próximas semanas, enquanto uma redução no volume disponível pode favorecer a recuperação das cotações.
Mesmo assim, esse cenário tende a ser melhor do que o de 2025, quando em vários momentos produtores venderam a batata por valores inferiores aos custos de produção, mas ainda está distante do preço que o setor considera ideal para remunerar adequadamente os investimentos realizados na safra.

Preço preocupa
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) já havia alertado nas semanas anteriores ao início da colheita, que o avanço da safra de inverno aumentaria a oferta nacional e poderia pressionar as cotações. A previsão começou a se confirmar com a entrada gradual da produção paulista, embora o mercado ainda apresente equilíbrio em razão do volume inicial de colheita.
A preocupação é justificada pelos resultados da safra de 2025. No ano passado, o excesso de oferta em diversas regiões produtoras provocou forte queda nas cotações, fazendo com que muitos agricultores comercializassem a batata abaixo do custo de produção. Em várias propriedades, a receita obtida não foi suficiente para cobrir despesas com sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis, irrigação, embalagens e mão de obra.
Esse cenário levou muitos produtores a reduzir investimentos e adotar maior cautela no planejamento da safra atual. Ainda assim, a atividade manteve sua importância para a economia de Vargem Grande do Sul, movimentando toda a cadeia do agronegócio local, desde fornecedores de insumos e oficinas agrícolas até transportadoras, beneficiadoras, comerciantes e trabalhadores temporários contratados para a colheita.
Especialistas destacam que a batata está entre as hortaliças de maior volatilidade de preços no país. Como se trata de um produto altamente perecível, pequenas variações na oferta costumam provocar oscilações expressivas nas cotações. Isso faz com que uma safra tecnicamente excelente nem sempre resulte em boa rentabilidade para o agricultor.
Embora o Cepea não divulgue uma estimativa oficial de área cultivada para Vargem Grande do Sul, o município permanece entre as mais importantes regiões produtoras de batata do Brasil, abastecendo centrais atacadistas como a CEAGESP, em São Paulo, além de mercados de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outros grandes centros consumidores.
Além do comportamento do mercado, os custos de produção continuam elevados. Insumos agrícolas, sementes certificadas, fertilizantes, defensivos, energia elétrica utilizada na irrigação e combustíveis permanecem pressionando o orçamento das propriedades. Dessa forma, a sustentabilidade econômica da atividade dependerá não apenas da boa produtividade obtida nas lavouras, mas principalmente da manutenção de preços capazes de remunerar o investimento realizado pelo produtor.
Nas próximas semanas, com a intensificação da colheita, o mercado deverá indicar se 2026 representará, de fato, a recuperação esperada pelo setor. Caso a oferta nacional permaneça equilibrada em relação à demanda, os produtores poderão finalmente recuperar parte das perdas acumuladas no último ciclo e devolver maior estabilidade a uma atividade que há décadas faz de Vargem Grande do Sul uma das principais referências da bataticultura brasileira.

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