Editorial: Vargem votou; agora é preciso voltar às urnas

Vargem votou; agora é preciso voltar às urnas
As urnas de 4 de outubro deixaram em Vargem Grande do Sul um retrato nítido do comportamento do eleitor. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) somou 13.918 votos, 63,56% do total, e Lula (PT) teve 6.003, ou 27,41%. Os demais candidatos, juntos, ficaram em 8,88%.
Os números ganham sentido quando comparados com o primeiro turno de 2022, em que o então presidente Jair Bolsonaro teve 58,63% e Lula, 32,16%, e os demais somaram cerca de 9%. O desenho se manteve: uma maioria folgada para um lado, um bloco consistente para o outro e uma faixa próxima de 9% que não se encaixou em nenhum dos dois. O que mudou foi a distância entre os dois primeiros, que passou de cerca de 26 para 36 pontos percentuais.
Para deputado, o eleitor falou de outro jeito. Para a Câmara de Brasília, os mais votados na cidade foram Baleia Rossi (MDB), com 3.481 votos, Lucas Pavanato (PL), com 2.965, e Marco Vinholi (Republicanos), com 1.396, três partidos diferentes. Na Assembleia Legislativa, Barros Munhoz (PSD) liderou com 5.189 votos, bem acima dos 3.091 que obteve em 2022, seguido de Eduarda Campopiano (PL), com 1.697, e Caruso (MDB), com 1.187.
A esquerda também encontrou eco nas urnas da cidade. Érika Hilton (PSOL) fez 692 votos para deputada federal, quarta maior votação entre os nomes divulgados na cidade, à frente de Paulo Teixeira (PT), com 458, e de Samia Bonfim (PSOL), com 200. Para a Assembleia, Luiza Erundina (PSOL) teve 480 votos, e os petistas Luís Fernando e Simão Pedro somaram 349 e 295. Mesmo em uma cidade de maioria clara, o eleitor de esquerda tem voz e escolhe os seus nomes.
Em Vargem, o recado das urnas é que na hora de escolher quem vai legislar a sigla pesa menos que o nome. Vargem escolhe candidatos conhecidos, com história e presença na região, e distribui o voto entre partidos de campos diferentes. Cabe aqui um reconhecimento às candidatas de Vargem, Lucila Garcia (PSD) e Danutta Rossetto (Republicanos). Não alcançaram votações expressivas no cenário estadual, mas a determinação de colocarem seus nomes na disputa mostra que a cidade precisa cultivar essas lideranças.
Um ponto que segue preocupante é a ausência de eleitores no dia da votação. No último domingo, a abstenção em Vargem foi de 23,26%, ou seja 7.077 eleitores não compareceram, e outros 14% dos que foram às urnas votaram em branco (7,13%) ou anularam o voto (6,93%). A taxa de abstenção ficou pouco abaixo dos 24,01% de 2022, mas segue acima da média nacional, de 21,08%, a maior desde 1998.
Uma taxa estável não é uma taxa baixa. Quase um em cada quatro eleitores de Vargem ficou em casa, e cada ausência deixa que outros decidam por quem não foi. Seja qual for o candidato de cada um, no dia 25, quando será escolhido o presidente da República, o ideal é que todos os eleitores devem ir às urnas.

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