Lideranças de Vargem avaliam eleição e os desafios do novo governo

Tarcísio foi eleito governador de São Paulo e Lula reeleito presidente do Brasil nas Eleições 2026. Foto: Agência Brasil

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre um novo capítulo na política brasileira e traz expectativas e desafios para os próximos anos. Em Vargem Grande do Sul, lideranças de diferentes segmentos da sociedade, entre eles a política, o comércio, a indústria e o agronegócio, foram ouvidas pela Gazeta de Vargem Grande para avaliar o transcorrer das eleições presidenciais e apontar o que esperam da futura administração federal.
As manifestações refletem diferentes visões sobre o processo eleitoral e as perspectivas para o país, com atenção aos rumos da economia, à geração de empregos, ao desenvolvimento dos setores produtivos e às medidas que poderão influenciar a vida da população e a realidade dos municípios. A proposta é reunir opiniões de representantes da comunidade local sobre os desafios do presidente reeleito e as expectativas para os próximos anos de governo.
A reportagem da Gazeta perguntou aos entrevistados o que eles acharam do transcorrer das eleições presidenciais que aconteceram no último domingo, dia 25, e também o que esperam da nova administração do presidente Lula que foi reeleito para governar o Brasil pela quarta vez.

Simone de Oliveira, CEO do Grupo Santa Vitória: Espero que o presidente reeleito trate a situação fiscal do Brasil com a seriedade que ela exige, priorizando o controle da dívida pública, a eficiência dos gastos e a responsabilidade na gestão dos recursos.
Quem produz, empreende e gera empregos precisa encontrar no governo um aliado, não um obstáculo. O Estado deve ser a locomotiva que impulsiona o desenvolvimento, e não o freio que impede o Brasil de avançar.
Na minha opinião, a eleição revelou um Brasil dividido entre a busca pelo crescimento econômico e o receio de perder a proteção social. Mas essas prioridades não deveriam ser opostas. O verdadeiro progresso está em gerar riqueza, criar oportunidades e reduzir a dependência do Estado, sem abandonar quem mais precisa.

Arthur Aliende, empresário: Achei que foi uma campanha muito baixa, em que os candidatos não apresentaram propostas claras de mudança para o Brasil. Em vez disso, nas oportunidades que tiveram de mostrar suas ideias à população, preferiram os ataques, tentando vencer pelo ódio ao adversário, e não pela apresentação de propostas concretas.
Espero que, na próxima gestão, haja maior consciência em relação às contas públicas e que o governo consiga trabalhar para estabelecer uma taxa de juros que favoreça a geração de empregos e estimule o consumo. Também espero que sejam corrigidos os erros da gestão passada, principalmente no que diz respeito aos gastos públicos, que foram exorbitantes.

Guilherme Nicolau, vice-prefeito (MDB): O resultado do segundo turno demonstra que o Brasil continua dividido politicamente. Embora Flávio Bolsonaro tenha sido derrotado, sua votação expressiva, com mais de 59 milhões de votos, mostra que existe uma parcela muito significativa da população que acredita nas ideias e nos valores defendidos pela direita.
Espero que o próximo governo tenha responsabilidade fiscal, combata a corrupção, fortaleça a segurança pública, estimule a geração de empregos e apresente resultados concretos para a população

Libânio Coracini Filho, industrial: Este ano, as eleições gerais transcorreram de um modo totalmente atípico. Desde o começo, mesmo antes do período de propaganda eleitoral, os ânimos já estavam acirrados.
Ataques de ambos os lados, de maneira indiscriminada, e o uso das redes sociais com desinformação sem precedentes na história do Brasil. Foram milhares de ações no TSE, de modo que, para julgar todas, seriam necessários vários anos.
Sem precedentes também foi a quantidade de fake news de ambas as partes, chegando a tal ponto que muita gente achou que o relógio do Lula foi roubado num comício, além de infinitas outras mentiras sobre os dois candidatos.
Como resultado, no primeiro turno houve uma renovação muito pequena na Câmara Federal, de apenas 35%. Já no Senado, houve uma grande renovação, com 40 novos senadores eleitos, o que é muito bom, uma vez que só estavam em disputa 54 cadeiras, com a renovação de dois terços da Casa.
O que fica agora é a pergunta: vamos ter responsabilidade fiscal? Coisa que tanto o PT quanto Lula têm ojeriza, uma vez que Lula usou a máquina para prometer todo tipo de benefício aos eleitores, o que afetará o caixa do Brasil por vários anos. Além disso, temos uma dívida praticamente impagável e juros altíssimos, que impedem a economia de crescer.
Terminada a eleição, tivemos a fuga do Flávio pela Argentina, desembarcando nos EUA, o que deixou seus próprios apoiadores perplexos.
Em resumo, essa foi a eleição para entrar na história, e tenho muitas preocupações sobre o futuro próximo do Brasil.

Vereador Paulinho da Prefeitura (Podemos): O vereador destacou a importância de respeitar o resultado das urnas, ressaltando que o Brasil é um país democrático. Em sua avaliação, o processo eleitoral reforçou a necessidade de respeitar a escolha dos eleitores e de buscar o diálogo entre as diferentes correntes políticas.
Com trajetória política ligada ao PT e ao PSB, partidos pelos quais foi filiado por mais de 15 e quase 19 anos, respectivamente, o vereador mantém relações com representantes dessas siglas, do PSOL e de seu atual partido, o Podemos. Para ele, essa articulação política é importante para buscar recursos federais destinados ao município e às entidades assistenciais.
Entre as expectativas para a próxima administração do presidente Lula, o vereador ressaltou a importância da continuidade dos investimentos federais em Vargem Grande do Sul, especialmente nas áreas de habitação, saúde e assistência social. Ele citou o programa Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde no bairro Fortaleza como exemplos de iniciativas que considera relevantes para o município.
O vereador também defendeu a manutenção dos programas sociais e dos investimentos que, em sua avaliação, contribuem para o desenvolvimento local e o atendimento às necessidades da população. Para ele, a parceria entre os governos federal e municipal é fundamental para viabilizar obras, adquirir equipamentos e apoiar as entidades que prestam serviços à comunidade.
Ao concluir, reiterou a importância de respeitar o resultado das eleições e manifestou a intenção de continuar buscando recursos junto aos representantes políticos em Brasília e no governo federal para atender às demandas de Vargem Grande do Sul.

Jair Gabricho, empresário: Pela primeira vez desde que conquistei o direito ao voto, não pude exercer esse direito em razão de uma viagem internacional. Considero que a prorrogação do horário de votação foi uma decisão justa e necessária.
A democracia não se resume à apuração dos votos, mas começa pela garantia de que cada cidadão tenha condições de manifestar livremente sua escolha. Pelos resultados, a medida não teve influência determinante sobre o resultado final da eleição. Entretanto, isso, a meu ver, não diminui sua importância.
Na minha avaliação, a decisão demonstrou respeito ao eleitor e uma postura de imparcialidade da Justiça Eleitoral, que deve sempre colocar a liberdade e o direito ao voto acima de qualquer interesse político ou partidário. A democracia se fortalece quando as instituições garantem o direito de escolha do cidadão, independentemente de quem seja o vencedor. Essa é a minha opinião.
Para finalizar essa questão, as duas horas a mais de votação representaram mais de 34 mil votos, enquanto a diferença final foi de aproximadamente 4.400 votos.
Sobre a segunda pergunta, a respeito do que espero do presidente eleito para seu próximo mandato, espero que ele tenha disposição e, principalmente, coragem para conduzir a administração de maneira diferente do terceiro mandato, o atual.
Como empresário, aprendi que não existe administração sustentável quando se gasta continuamente mais do que se arrecada. Essa regra vale para uma família, para uma empresa e, sobretudo, para um país.
O Brasil precisa urgentemente de responsabilidade fiscal, controle efetivo dos gastos públicos e uma reforma administrativa que enfrente o tamanho e o custo da máquina estatal. Não podemos continuar exigindo cada vez mais sacrifícios de quem trabalha, produz, empreende e paga impostos, enquanto o próprio Estado demonstra enorme dificuldade em reduzir despesas e combater desperdícios.
Outro tema que considero indispensável é a revisão das distorções existentes entre os diferentes regimes previdenciários. Precisamos buscar maior equilíbrio entre os trabalhadores da iniciativa privada, que representam a grande maioria, e os servidores públicos federais, estaduais e municipais, respeitando, obviamente, os direitos adquiridos, mas enfrentando privilégios e desigualdades que oneram a sociedade.
Não defendo um Estado ausente, mas um Estado eficiente, que custe menos, entregue mais e respeite quem sustenta a economia brasileira.
Poderia mencionar inúmeras outras reformas que considero necessárias, mas correria o risco de transformar a resposta a duas perguntas em um verdadeiro projeto de governo ou, talvez, em uma lista de sonhos para o Brasil.
Encerro dizendo que, independentemente de quem venceu as eleições, torço pelo sucesso do presidente, pois o sucesso de um governo deve representar o sucesso do Brasil. O que espero não são discursos ou promessas, mas decisões responsáveis, coragem para enfrentar problemas históricos e resultados concretos para a população brasileira.

João Carlos Felipe, presidente da OAB de Vargem: Sobre o processo eleitoral, entendo que houve uma situação atípica envolvendo a atuação do STF em relação ao TSE, o que, na minha avaliação, acabou gerando questionamentos e dúvidas em parte da população sobre a condução do processo eleitoral. Considero legítimo que os brasileiros tenham dúvidas e que essas questões sejam debatidas com transparência, respeito às instituições e compromisso com a segurança jurídica.
Quanto ao governo eleito, espero sinceramente que faça uma boa gestão, em benefício de todos os brasileiros. Entretanto, os indicadores e as perspectivas econômicas geram preocupação, especialmente quanto ao crescimento econômico, ao controle dos gastos públicos e à capacidade de melhorar a vida da população. O que se espera é responsabilidade fiscal, estabilidade e medidas concretas para promover o desenvolvimento do país.

Lucas Ranzani, presidente da Cooperbatata: Sobre o transcorrer das eleições presidenciais, têm ocorrido repetidas falhas no sistema de apuração e uma constante sobreposição de poderes, o que gera discussões intermináveis e falta de transparência.
As eleições devem ser pautadas por regras claras e bem fundamentadas, e as campanhas precisam respeitar os limites estabelecidos pela legislação, permanecendo sempre dentro das quatro linhas.
Também é necessário evitar o uso da máquina pública em benefício próprio. A apuração pode e deve ser mais precisa, com mecanismos de contagem de votos que garantam maior segurança e transparência ao processo eleitoral.
Em relação ao próximo mandato, esperamos que o governo pare de prometer o que não pode cumprir, deixe de gastar mais do que arrecada, combata a corrupção e invista em educação de qualidade, entre outras necessidades do país.
Como, na nossa avaliação, essas medidas não foram adotadas satisfatoriamente no mandato anterior, são poucas as expectativas de mudanças para melhor.
Uma sugestão para melhorar a equipe do governo na área da agricultura seria a indicação do doutor Roberto Rodrigues para o Ministério da Agricultura, além de outras autoridades competentes para ocupar os diferentes ministérios.

Vanessa Martins, vereadora (PL): Respeito a decisão soberana das urnas e a democracia. Espero que o governo eleito tenha responsabilidade, compromisso com a população e capacidade de transformar propostas em resultados concretos, especialmente nas áreas que mais impactam a vida das pessoas.

 

 

 

Ratinho Vereador (Podemos): Eu queria mudança porque o país não vive um bom momento. Queria que tivéssemos a oportunidade de experimentar um novo presidente no comando do Brasil, já que Lula está há cerca de 20 anos na política nacional. Mas, como dizem, respeito as urnas e, se o resultado foi legítimo, respeito a decisão democrática dos eleitores.
Em relação ao próximo governo, nos quatro anos de mandato, Lula terá que dar uma resposta à sociedade. Há 16 ou 18 anos ele fala que vai mudar e melhorar a vida das pessoas, mas, na minha avaliação, não vemos melhorias significativas.
Acredito que ele terá uma gestão difícil, porque encontrará uma oposição forte e atuante no Congresso Nacional, que deverá acompanhar de perto suas ações. Por isso, considero que o próximo mandato será marcado por muitos desafios.

Zé da Kibon, ex-vice prefeito e presidente do PSB: Na minha opinião, as eleições presidenciais transcorreram dentro da normalidade. Democracia tem de respeitar a vontade da maioria. O resultado das urnas é a vontade do povo.
Quanto à futura gestão do presidente Lula, é seu quarto mandato e vai ser uma administração sem surpresas. Vai dar tudo certo, o presidente é um bom negociador e disposto ao diálogo e vai governar para todos, sem discriminação.

 

Amarildo Duzi Moraes, ex-prefeito de Vargem: Vivemos uma eleição extremamente polarizada, que evidenciou um país dividido. As redes sociais, que hoje exercem uma grande influência na formação da opinião pública, também contribuíram para intensificar esse cenário.
Infelizmente, acompanhamos uma campanha de baixo nível, marcada por muitos ataques pessoais e poucas propostas concretas para os problemas que realmente afetam a população.
Passado o período eleitoral, é hora de olhar para o futuro. Independentemente das diferenças políticas, como brasileiros, devemos torcer para que o país avance, cresça e ofereça melhores oportunidades à população.
O presidente Lula terá o desafio de governar para todos os brasileiros. Para isso, será fundamental ouvir mais a sociedade, ampliar o diálogo com a oposição, respeitar as diferentes opiniões e compreender as reivindicações de uma parcela significativa da população que está insatisfeita e propor mudanças que possam fazer o Brasil avançar.
O Brasil precisa de menos disputas políticas e mais união, responsabilidade, diálogo e ações concretas que promovam o desenvolvimento do país e melhorem a vida das pessoas.

Felipe Gadiani, vereador (PSD): Encerrada a etapa eleitoral, o momento agora é de união, esforço e foco total no trabalho por nossa cidade, mantendo o compromisso de representar todos os cidadãos com responsabilidade e respeito.
Como representante da população municipal, espero que o presidente da República adote uma postura de forte compromisso com o municipalismo e o fortalecimento do pacto federativo. É nos municípios que as pessoas vivem e demandam serviços de saúde, educação e infraestrutura de qualidade.
O Executivo federal precisa manter o diálogo aberto com as Câmaras Municipais e as prefeituras para garantir que os repasses e os investimentos cheguem à população com eficiência e transparência.

Pedro Marão, presidente da ABVGS: As eleições foram marcadas por muita turbulência e por medidas adotadas pelo governo que, na minha visão, tiveram um caráter muito mais eleitoral do que estrutural. Faltaram propostas concretas e, principalmente, explicações sobre como o país pretende controlar os gastos públicos, reduzir a carga tributária e promover um crescimento econômico sustentável. O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, planejamento e medidas que tragam resultados a longo prazo, e não apenas de ações pontuais para conquistar votos.
O presidente reeleito já demonstrou, em diversas ocasiões, uma postura crítica em relação ao agronegócio brasileiro, um setor que tem papel fundamental na economia, na geração de empregos e no equilíbrio da nossa balança comercial. Para quem está no campo, investindo, produzindo e enfrentando diariamente os desafios da atividade, é preocupante perceber a falta de valorização de um setor tão importante para o país.
Infelizmente, não temos grandes expectativas de mudança. O que esperamos é que o governo deixe de criar obstáculos para quem produz, tenha mais responsabilidade com os gastos públicos e compreenda que, para distribuir riqueza, primeiro é preciso permitir que ela seja gerada.

Giovana Carvalho, vereadora (MDB): As eleições foram surpreendentes e atípicas, pois muitos acreditavam que Flávio Bolsonaro venceria, diante do cenário que se apresentava no primeiro turno. Agora, espero que o novo governo governe para todos os brasileiros, com responsabilidade e compromisso com o nosso país. Amamos o Brasil e queremos vê-lo prosperar! Espero que haja melhorias no poder de compra das famílias, redução dos juros e do custo dos alimentos, além de mais qualidade de vida para a população. Desejo sorte e sucesso ao novo governo e a todos os brasileiros. Estamos à disposição para contribuir com o que for necessário, sempre pensando no bem do nosso país.

Serginho da Farmácia, vereador (Cidadania): O que eu espero é que faça um trabalho sério e honesto. Que ouça mais a população, estando mais aberto ao diálogo. E que ele faça mais políticas públicas pensando em incentivar o cidadão a trabalhar, buscar recursos ao invés de criar dependências.

 

 

 

Gustavo Bueno, vereador (PL): Tivemos a vitória do Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas o resultado final acabou sendo diretamente influenciado por medidas eleitoreiras, expansão de gastos às vésperas da votação e pela insegurança jurídica no país. É difícil vislumbrar um futuro próspero sob essa gestão e parecer otimista agora seria ingênuo. Nossa única esperança real se apoia na força do PL, que sai gigante do pleito, com bancadas históricas no Congresso para atuar com independência, firmeza e responsabilidade pelo país.

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