Os leitores atentos provavelmente já ouviram pessoas que se referem à classe como “educadores físicos”. É lamentável que isso ocorra e que muitos professores aceitem serem considerados como tal. A educação que usa como meio a atividade física e a prática de esportes sempre foi e será holística. Não há como separar o corpo em compartimentos e educar o físico, separadamente, em detrimento dos aspectos cognitivos que estão envolvidos nas tomadas de decisões. Impossível achar que se faça algum movimento que não tenha sido escolhido pelo cérebro para provocar a melhor resposta do sistema neuromuscular. São inúmeros os trabalhos que mostram a relação entre a prática de atividades físicas e o desenvolvimento da inteligência. Fica difícil imaginar que existem pessoas que aceitam serem chamados de “educadores físicos” quando sabem que, através do esporte bem orientado por profissionais de educação física, podemos desenvolver a socialização, o respeito mútuo, a tolerância com os diferentes, enfim aprender a viver em sociedade. Considero inaceitável imaginar que só os músculos são os beneficiados com uma boa aula de educação física. O profissional diferenciado ensina hábitos higiênicos para que os educandos aprendam a adotar um comportamento saudável nos cuidados pessoais que incluem o uso correto das instalações onde os exercícios físicos e os esportes são praticados. Através das orientações que são proporcionadas antes, durante e após os treinamentos o profissional de educação física ajuda o educando a compreender a importância da higiene corporal. A prática de esportes e o ambiente competitivo nos ajuda a compreender melhor nossas reações frente às adversidades e a presença dos professores atuando como mediadores representa uma oportunidade para dominar as emoções, para que elas não fujam do controle. Para terminar, caros leitores, uma aula de educação física, bem orientada, quando as crianças e os adultos se libertam das amarras dos ambientes controlados, é um dos terrenos mais férteis para se plantar e cultivar o caráter.
José Alberto Aguilar Cortez. Agosto de 2017












