D. Pedro II e Casa Branca – as visitas imperiais

Uma das últimas fotografias da Família Imperial brasileira, registro realizado pelo fotógrafo Otto Hees em Petrópolis, na casa da Princesa Isabel. São vistos os adultos (da esquerda para a direita) a Imperatriz Teresa Cristina (1822-1889), a Princesa D. Isabel (1846-1921), o Imperador D. Pedro II (1825-1891), o Príncipe D. Pedro Augusto (1866-1934), e o Príncipe D. Gastão de Orléans. As crianças são os filhos da Princesa D. Isabel e de D. Gastão (da esquerda para a direita): os Príncipes D. Antônio Gastão (1881-1918), D. Luiz (1878-1920) e D. Pedro de Alcântara (1875-1940).

por Sérgio Argeu Scacabarrozzi

Há poucos anos do fim do regime imperial no Brasil, com o advento do golpe civil militar de 15 de novembro de 1889, que instituiu a República, o imperador do Brasil, D. Pedro II, esteve em duas ocasiões visitando Casa Branca. Segundo a imprensa da época, a cidade era uma próspera e promissora comunidade, com grande futuro. Essa conclusão certamente se devia à vinda da ferrovia, que trouxe novo alento para o desenvolvimento do lugar.

A primeira vez aconteceu em 15 de setembro de 1878, quando o imperador foi hospedado pelo coronel Vicente Ferreira de Sylos Pereira, futuro Barão de Casa Branca. Sua Majestade chegou de trem pela Mogiana, recém inaugurada, almoçou na residência do coronel, descansou e visitou a igreja matriz em construção e as boçorocas, regressando poucas horas depois à estação ferroviária.

Essa visita teve alguns lances curiosos, pois a cidade estava dividida politicamente e a Câmara Municipal, constituída por maioria liberal, que governava o município, não enviou nenhum representante para receber a autoridade máxima da nação, o que foi feito pelos líderes conservadores. Outro fato foi o furto do trole do coronel Vicente de Sylos, que impediu a sua presença na despedida do imperador na estação da Mogiana, causando constrangimento.


Na segunda visita a Casa Branca, D. Pedro teve recepção oficial dos membros da Câmara Municipal, que preparou antecipadamente a solenidade da chegada imperial, que ocorreu pela mesma Mogiana. Dessa vez, D. Pedro II foi recebido na residência do coronel Antônio José Correa, que receberia a comenda de Barão de Casa Branca. Após ser recepcionado na chegada à estação da estrada de ferro, a comitiva dirigiu-se à casa do coronel, onde almoçou. Em seguida também fez visitas a diversos pontos da cidade, inclusive à boçoroca, novamente.


Nos registros dos diários de D. Pedro II, infelizmente, não são mencionadas essas duas passagens de Sua Majestade Imperial por Casa Branca. Porém, a memória desses acontecimentos está registrada na imprensa, em livros e atos oficiais, para a posteridade.


Casa Branca, de muitas lendas e histórias, guarda na memória esses dois fatos importantes na sua história e completa, neste 25 de outubro, seus 211 anos de fundação. E, no dia 2 de dezembro de 2025 completa-se o bicentenário de nascimento de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, o monarca que herdou o trono do Império do Brasil aos 5 anos de idade. A lembrança dessas visitas a Casa Branca é uma homenagem ao transcurso da data.

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