A importância do trabalho multidisciplinar e do esporte

A reportagem da Gazeta de Vargem Grande também ouviu o pai de um segundo aluno de 9 anos da rede municipal que tem encontrado nos esportes uma maneira de expandir seu desenvolvimento e sua autonomia. Segundo informou seu pai, o garoto ainda não tem conhecimento do seu diagnóstico, o que tem sido trabalhado em terapia, então para esta reportagem seu nome será preservado.
O pai do garoto comentou que ele e sua esposa foram inicialmente alertados pelas profissionais da creche onde o garoto frequentava a procurar um fonoaudiólogo. Como pela rede pública uma consulta com esse especialista iria demorar, o casal procurou um profissional da rede privada. “A fono comentou conosco que ele tinha poucas dificuldades na fala, que, na verdade, precisaria de algum outro apoio, e sugeriu, então, uma psicóloga”, recordou. Nessa época, o menino tinha de quatro para cinco anos de idade e o casal ainda não possuía plano de saúde, por isso, mais uma vez eles optaram por atendimento particular, pois na rede pública não havia vaga tão cedo.
Em conversa com uma escola da rede privada, foi falado ao casal sobre a possibilidade de um diagnóstico relacionado a Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles procuraram um neuropediatra que, devido ao fato do menino ainda ser muito novo e também por não ter notado nas duas consultas feitas situações que pudessem sustentar essa possibilidade, acabou não seguindo esse diagnóstico.
Porém, veio a pandemia da Covid-19 e só após a retomada da normalidade, o menino foi novamente atendido por uma psicóloga, que indicou um profissional especializado em TEA. “E aí passando na neuropediatra que atendia ali no CEM – dessa vez já tinha profissional na rede – ele agora com 6 para 7 anos, a médica então deu o laudo de autismo”, comentou. O garotinho recebeu o diagnóstico de autismo nível 1 de suporte.
O menino passou a frequentar Terapia Comportamental Aplicada (ABA, na sigla em inglês), em São João da Boa Vista, além de acompanhamento com profissionais de terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicologia.

Esportes
Se as terapias de consultório serviram como base, foi nas quadras, piscinas e academias que Pedro encontrou sua maior evolução. Há dois anos começou a praticar natação. “Ele gosta muito da aula de natação e vai duas vezes por semana”, comentou seu pai.
Também há dois anos, iniciou as aulas de handebol, acompanhando um amigo. O pai do garoto ressaltou que para seu filho, praticar um esporte coletivo foi desafiador no início, mas que ele tem se mostrado bastante satisfeito. O garoto aprendeu a se sentir parte de um time. “Há a necessidade de se preocupar com o outro, de se sentir dentro do grupo. Isso foi muito bom para ele”, destacou.
Recentemente, o menino passou a frequentar uma academia de ginástica, onde se apaixonou pelos desafios físicos e pela convivência com diferentes faixas etárias. “Ele se encontrou. Ele gosta muito de se exercitar, ele não cansa, quer ir. E ali, naquela brincadeira, com as outras pessoas também, ele entende lá como um desafio e ele sabe que é bom pra ele”, observou. “Se ficasse só nas terapias em sala, seria muito pouco para ele. O esporte permite que ele melhore o controle sensorial e motor que o autista tanto precisa”, afirmou.
Ele também observou que o menino já não frequenta mais a fono, mas segue participando de um grupo de habilidades sociais e também é acompanhado por uma psicoterapeuta. Contou ainda que o garotinho nunca precisou fazer uso de medicamentos e acredita que a prática de esportes contribuiu muito para isso.

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