A história de Simone Duarte da Silva, 46 anos, é marcada pelo trabalho no campo desde muito cedo. Nascida em uma família de trabalhadores rurais, ela começou a ajudar na lavoura ainda adolescente, por volta dos 14 ou 15 anos, catando batata e realizando outras atividades da lavoura.
A família sempre trabalhou no campo, por muitos anos os pais trabalharam no corte de cana na época da antiga Dedini, Simone cresceu ao lado de três irmãos, uma mais velha e dois mais novos, em uma rotina em que o trabalho sempre fez parte da vida da família.
Aos 18 anos, ela foi para Minas Gerais em busca de trabalho e para ajudar os pais. Permaneceu no estado até os 30 anos, onde também trabalhava com a terra. Neste período conheceu o marido, Márcio. Em 2010, o casal retornou para a cidade. No ano seguinte nasceu o filho do casal, Davi Lucas Duarte da Silva.

Em 2012, Simone iniciou uma nova etapa profissional ao ingressar em uma usina da região como auxiliar de engate de carretas, função até então ocupada apenas por homens. Na época, ela e outras duas mulheres foram contratadas como experiência. “Naquele momento nós fomos um teste. Não havia mulheres trabalhando nessa função, mas deu certo”, relembrou.

No ano seguinte ela participou de um processo interno para a função de tratorista. Apesar de sempre observar as máquinas no campo, conta que nunca havia imaginado exercer essa profissão. Em 2014 passou a operar tratores e permaneceu na função por vários anos.
Simone lembra que, quando tirou a carteira de habilitação, também enfrentou comentários que colocavam em dúvida sua capacidade. Na época, ao buscar a CNH na categoria D, necessária para dirigir veículos maiores, foi questionada durante o exame médico. “Eu tenho 1,50 metro e o médico perguntou por que eu queria tirar carteira de caminhão se eu nem iria trabalhar com isso. Aquilo me fez pensar que talvez eu realmente não conseguiria”, contou.
Com o tempo, ela percebeu que a estatura ou o fato de ser mulher não definiriam seu caminho profissional. “Hoje eu tenho 46 anos e mais de uma década trabalhando nessa área. Não foi a minha altura, nem a idade, nem o fato de eu ser mulher que me impediu de chegar até aqui”, afirmou.

Entre 2020 e 2021, já na empresa Terra Viva, onde trabalha atualmente, Simone atuou por cerca de um ano e meio no preparo de calda para pulverização em pomares de citros. Depois desse período, teve a oportunidade de retornar à função de tratorista, atividade que exerce há pouco mais de cinco anos.
Ela destaca que a empresa tem papel importante nesse processo de valorização das mulheres no campo. Segundo Simone, a Terra Viva mantém uma política de respeito e igualdade entre os trabalhadores, com mulheres atuando em diferentes setores. “É uma empresa que valoriza muito o trabalho feminino. Cada pessoa está no seu setor, fazendo sua função, e todos são respeitados da mesma forma. Não existe diferença”, afirmou.

Ao longo da carreira, Simone passou por diferentes atividades no campo, como preparo de solo, reboque de carretas, pulverização e aplicação de herbicidas. Para ela, operar máquinas agrícolas é mais do que uma profissão, é algo que faz com alegria. “Eu amo o meu trabalho. Faço com muita alegria no coração. É um trabalho digno e honroso, que me trouxe muito aprendizado”, disse.
Apesar da experiência acumulada, Simone admite que houve momentos difíceis. “Teve fases em que pensei em desistir. Já enfrentei preconceito e situações complicadas, mas sempre procurei seguir em frente”, relatou.

A fé também ocupa um papel central em sua trajetória. Simone costuma afirmar que encontrou em Deus a força para superar obstáculos ao longo da vida. “Deus sempre me deu graça para continuar, para ir um pouco mais adiante. Ele foi rompendo meus medos, minhas limitações e os preconceitos que apareceram no caminho”, afirmou.
Hoje, sua trajetória também é motivo de orgulho para a família. Segundo ela, o pai costuma dizer com alegria que a filha trabalha como tratorista, profissão que ainda conta com poucas mulheres.

Simone espera que sua história possa incentivar outras mulheres a acreditarem em seus sonhos e buscarem espaço em diferentes áreas de trabalho. “O preconceito ainda existe e muitas vezes aparece o medo de não conseguir. Mas a mulher pode ser o que ela quiser. É preciso acreditar, ter foco e fé em Deus. Com Ele, tudo é possível”, afirmou. Com muito orgulho de si e do trabalho que realiza, ela brinca: “Nós é top, nós é do agro”.













