Falsificadas: fique atento às figurinhas da Copa

Policiais apreenderam cerca de 2 mil camisas de seleções falsificadas e recolheu 85 mil álbuns e figurinhas sem procedência legal

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo acendeu o sinal de alerta para colecionadores de todo o país: na última quinta-feira, dia 28, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apreenderam cerca de 2 mil camisas de seleções falsificadas e 85 mil álbuns e figurinhas da Copa do Mundo sem procedência legal. A ação, coordenada pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Antipirataria, concentrou-se na Avenida Vautier, no Canindé, e nas ruas 24 de Maio e Dom José de Barros, na República — regiões do centro da capital paulista conhecidas pelo comércio popular. Cinco pessoas foram presas em flagrante com base na Lei Geral do Esporte e responderão por crime contra a propriedade industrial.
O reflexo dessa pirataria já chegou a Vargem Grande do Sul. O chef e confeiteiro Kadu Barros, colecionador experiente que está completando seu quarto álbum consecutivo da Copa, comprou recentemente um pacote de figurinhas em um estabelecimento e percebeu que o material era falso. Kadu explica que a diferença é perceptível ao toque.
A figurinha original é impressa em papel fino e quase translúcido, ou seja, é possível enxergar o outro lado ao segurar contra a luz. A falsificada, por sua vez, tem um papel mais firme e opaco. Ele ressalta que não vê problema moral em quem vende cópias desde que seja transparente com o comprador. “Tem muitos pais de família que não podem ficar comprando as originais para os filhos. Não vejo problema com isso, porém desde que avise que não é original. O problema é fazer a pessoa comprar enganada”, afirmou.
Além das figurinhas falsas em circulação, Kadu alerta para outra prática que poderia estar ocorrendo na região: comerciantes pesando os pacotinhos, abrindo-os com estilete, retirando as figurinhas especiais e recolocando outras comuns no lugar antes de fechar.

Fotos: Divulgação/Governo de SP/ Reprodução/X

Sites fraudulentos
Outro problema relacionado ao álbum do Mundial de Futebol 2026 que está sob investigação é a proliferação de sites falsos relacionados à venda das figurinhas e do álbum da Panini. Dados da Kaspersky, empresa global de cibersegurança e software, apontam pelo menos 164 sites fraudulentos que simulam a página oficial de venda de figurinhas foram identificados até meados de maio, o que representa um aumento de 720% em relação ao registrado até 23 de abril, quando eram 20 páginas.
Essas páginas falsas imitam o layout, a identidade visual e as etapas da jornada de compra do produto oficial, mas oferecem preços muito abaixo da média ou ofertas classificadas como “imperdíveis”. Para aumentar a credibilidade, algumas dessas páginas falsas apresentam até informações no rodapé, como formas de contato, CNPJ e endereço.
O objetivo é enganar os consumidores e roubar dinheiro. Segundo reportagem publicada pelo portal G1, na etapa de pagamento, por exemplo, as vítimas costumam ser direcionadas a transferências via PIX e o valor geralmente é enviado para contas de “laranjas” em fintechs. Segundo a Kaspersky, o dinheiro costuma ser rapidamente dividido entre diversas contas após a transferência, o que dificulta o rastreamento e a recuperação dos valores pelas vítimas.

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