Para empresário, é preciso ter toda cautela com o preço

Marconi, da Beneficiadora de Batata Santana, falou à Gazeta

Para o sócio da Beneficiadora de Batata Santana, o empresário Marconi Jesus Andreatto, o cuidado em prever os valores da comercialização de batata é importante, por ser o produto agrícola com maior variação de preços no mercado brasileiro. “Começou vendendo bem, para quem adiantou o plantio a saca de 25kg foi vendida entre R$ 60,00 a R$ 65,00, mesmo com o clima não ajudando muito, com chuva e mormaço e não produzindo uma batata com muita qualidade”, afirmou.
Se no começo da safra os preços animavam os produtores, fazendo prever uma safra satisfatória, nesta semana a situação mudou muito, com os preços da batata registrando forte queda nos principais mercados atacadistas do país na semana de 13 a 17 de julho. De acordo com levantamento do Hortifruti Brasil/Cepea (HFBrasil.org.br), as cotações nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte recuaram, em média, cerca de 20% em comparação com a semana anterior, impactando o produtor de Vargem e região.
Segundo a análise do Cepea, a principal razão para esse movimento é a intensificação da colheita da safra de inverno em Vargem Grande do Sul, que atualmente se consolida como o principal polo fornecedor de batata para o mercado nacional. Embora a região ainda não tenha alcançado o pico da safra, o volume de produto comercializado aumentou significativamente nos últimos dias, elevando a oferta nos principais entrepostos atacadistas do país, forçando as cotações para baixo.
O comportamento do mercado é considerado típico deste período do ano, quando a safra de inverno paulista entra em ritmo acelerado e amplia o abastecimento dos centros consumidores. A tendência, segundo o Cepea, é de continuidade desse cenário nas próximas semanas.

Batata para indústria
Com sua beneficiadora mais voltada para a batata de indústria, Marconi disse que a comercialização deste produto, que difere da batata para mesa, estava entre R$ 100,00 a R$ 110,00 o saco de 50kg, pronta na beneficiadora. Como é começo de safra, comentou que a partir de agosto um volume maior de batata para a indústria deverá ser beneficiado.
Nos últimos anos, a batata destinada à indústria de processamento passou a ocupar um espaço cada vez mais importante na bataticultura brasileira. Diferentemente da batata comercializada in natura, cujo preço varia diariamente de acordo com a oferta e a demanda nos mercados atacadistas, a produção para a indústria normalmente é realizada por meio de contratos firmados antes do plantio, oferecendo maior previsibilidade de renda ao produtor.


Nesse sistema, a indústria define previamente as variedades que serão cultivadas, os padrões de qualidade, o calendário de entrega e, em muitos casos, o preço ou a forma de remuneração da produção. Essa modalidade reduz a exposição do agricultor às bruscas oscilações do mercado, característica marcante da batata de mesa.
Entre as principais empresas consumidoras de batata para processamento no país destacam-se a Bem Brasil Alimentos, a McCain do Brasil e a Intersnack Brasil, proprietária da marca Yoki, a PepsiCo, fabricante da marca Ruffles, além de outras indústrias que produzem batatas fritas congeladas, chips, flocos e ingredientes para a indústria alimentícia.
A produção de batata para indústria ainda é pequena em Vargem e região, cerca de 10% da sua produção, segundo informações colhidas pelo jornal, mas a expansão da batata de indústria representa uma importante alternativa de diversificação. Ao combinar áreas destinadas ao mercado in natura com áreas contratadas pelas indústrias, muitos produtores conseguem reduzir os riscos decorrentes da elevada volatilidade dos preços da batata de mesa, equilibrando melhor a rentabilidade da atividade ao longo das safras.

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