São José trata só 11% do esgoto; Grama fica fora do ranking

Os municípios da região também foram avaliados pelo Ranking ABES 2026 e os resultados revelam realidades muito distintas entre cidades. São João da Boa Vista lidera o grupo com 482,45 pontos, seguida de Espírito Santo do Pinhal (481,45) e Vargem Grande do Sul (477,14), as três na categoria “Compromisso com a universalização”. Na outra ponta, São José do Rio Pardo soma apenas 383,45 pontos por tratar menos de 12% do esgoto coletado, e São Sebastião da Grama não foi sequer habilitada para o ranking por registrar zero pontos nos dois indicadores de resíduos sólidos.
São João da Boa Vista e Espírito Santo do Pinhal têm desempenho equilibrado em praticamente todos os critérios: nota máxima tanto na coleta domiciliar de lixo quanto na destinação final dos resíduos, e coberturas de rede de água e de esgoto acima de 95%. O tratamento do esgoto coletado é o indicador mais baixo das duas, padrão que se repete em toda a região e no país.
Casa Branca aparece na quarta posição, com 466,55 pontos, também na categoria “Compromisso com a universalização”. Itobi fecha essa categoria com 454,06 pontos. Aguaí está na categoria seguinte, “Empenho para a universalização”, com 440,69 pontos. O município tem nota máxima nos resíduos sólidos e cobertura razoável de água e esgoto, mas registra apenas 47,48 pontos no tratamento do esgoto coletado, o que significa que menos da metade do que é coletado recebe tratamento adequado. Divinolândia, com 394,17 pontos, apresenta o quadro mais preocupante em termos de saúde pública: 150,26 internações por 100 mil habitantes por doenças evitáveis com saneamento, a maior taxa do grupo avaliado.
São José do Rio Pardo, com 383,45 pontos, é o caso mais crítico entre os municípios com pontuação registrada. O problema está concentrado no tratamento de esgoto: apenas 11,20 pontos, o que na prática significa que quase todo o esgoto coletado na cidade é devolvido ao meio ambiente sem tratamento. Os demais indicadores são razoáveis: a cobertura de rede de água e a cobertura de rede coletora de esgoto ficam em 90,79 pontos cada, e os dois critérios de resíduos sólidos atingem nota máxima. A deficiência no tratamento, porém, arrasta a pontuação total para a categoria inferior.
São Sebastião da Grama é o único município do grupo que ficou fora do ranking. A metodologia da Abes não habilita municípios que registrem zero em qualquer dos cinco indicadores avaliados, e a cidade zerou nos dois relacionados a resíduos sólidos: cobertura de coleta de lixo domiciliar e adequação da destinação final. O dado é aparentemente contraditório com os outros indicadores do município: a cobertura de rede de água e a cobertura de rede de esgoto ficaram em 77,62 pontos cada, e o tratamento do esgoto coletado atingiu 99,92 pontos, a segunda melhor nota nesse quesito entre todos os municípios do grupo.

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