Mas preço continua baixo para o produtor de Vargem Grande do Sul e região
Depois de meses pressionando o orçamento das famílias brasileiras, os alimentos começaram a dar um alívio ao consumidor. A prévia da inflação oficial de julho, medida pelo IPCA-15 do IBGE, apontou deflação de 0,66% no grupo Alimentação e Bebidas, resultado puxado principalmente pela queda dos preços dos hortifrutigranjeiros com o avanço das colheitas de inverno.
Entre os produtos que mais contribuíram para esse recuo está a batata-inglesa, que registrou queda de 10,03% no varejo durante o mês. Também caíram os preços do arroz e da cebola. A maior oferta desses produtos ajudou a conter a inflação dos alimentos e amenizar o impacto de outros itens que continuam pressionando o custo de vida.
O comportamento da batata também evidencia uma das características mais marcantes dessa cultura: a extrema volatilidade dos preços. No primeiro semestre deste ano, o produto chegou a acumular alta superior a 80% para o consumidor em razão da menor oferta provocada por problemas climáticos e pela entressafra. Agora, com o avanço da colheita, ocorre o movimento inverso. Em poucos dias, a maior disponibilidade fez os preços recuarem tanto no atacado quanto no varejo.
Nesse cenário, Vargem Grande do Sul ganha destaque. Considerada um dos principais polos produtores de batata do Brasil, a região vive o período de maior intensidade da safra. A grande oferta do produto nos mercados atacadistas contribui diretamente para a redução dos preços e demonstra a importância da produção regional no abastecimento nacional.
Segundo apurou a reportagem da Gazeta de Vargem Grande junto aos produtores, o saco de 25kg da batata extra pago ao produtor estava em torno de R$ 48,00 esta semana, sendo pago à batata de qualidade inferior R$ 20,00 o quilo ao produtor. Outra pesquisa apontou os valores variando entre R$ 40,00 a R$ 50,00 pagos aos produtores pelo saco de R$ 25kg.
A produção ainda não estaria muito boa, devido ao clima durante o plantio da batata, que influenciou negativamente e também a presença de pragas na lavoura, diminuindo a produção. A manter estes preços, mais próximos de R$ 50,00 a saca de 25kg, o produtor se tiver uma boa produtividade, não teria prejuízo, embora deixasse de ganhar mais com sua lavoura. Uma situação melhor que a do ano passado, considerada uma das piores para os agricultores que plantam batata na região de Vargem.
Com cerca de 25% a 30% da safra já colhida em Vargem, a batata, ilustra uma realidade comum do agronegócio: enquanto beneficia o consumidor, muitas vezes reduz a rentabilidade do produtor. Com a intensificação da colheita, as cotações caem rapidamente, justamente quando os agricultores precisam comercializar grandes volumes da safra.
A diferença entre o preço recebido no campo e o praticado no varejo chama a atenção. Enquanto a batata especial é vendida nos supermercados por cerca de R$ 5,00 o quilo — o equivalente a R$ 150,00 por uma saca de 25 quilos —, o produtor da região recebe atualmente cerca de R$ 48,00 pela mesma saca. Embora essa diferença seja explicada por custos de classificação, lavagem, beneficiamento, transporte, embalagens, armazenagem, perdas, tributos e pelas margens de atacadistas e varejistas, o contraste evidencia a dificuldade enfrentada pelos agricultores em um momento de preços baixos.
A bataticultura é uma das principais atividades econômicas de Vargem Grande do Sul. Durante aproximadamente 100 dias de safra, movimenta milhares de trabalhadores e uma ampla cadeia formada por transportadoras, beneficiadoras, empresas de insumos, oficinas e o comércio local.
Levantamento do Hortifruti/Cepea referente à semana de 20 a 24 de julho mostra que a tendência de queda continua. A saca de 25 quilos da batata especial tipo ágata foi negociada, em média, a R$ 58,07 no atacado de São Paulo, com retração de 20,54% em relação à semana anterior. Segundo o Cepea, a elevada oferta, principalmente da produção de Vargem Grande do Sul, e a demanda mais fraca durante as férias escolares continuam pressionando as cotações, com expectativa de novas quedas nas próximas semanas.












