A nutricionista vargengrandense Danutta de Figueiredo Falcão Rosseto é candidata à Câmara dos Deputados Federais em Brasília nas eleições de 4 de outubro. Ela, que já foi vereadora e presidiu a Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul concorre pela segunda vez ao cargo, que já disputou no pleito de 2022, quando somou cerca de 4,8 mil votos.
Para as eleições deste ano, São Paulo terá um total de 1.118 candidatos a deputado federal que buscam uma das 70 cadeiras que o Estado possui na Câmara dos Deputados. Na busca de votos para conquistar uma dessas vagas, Danutta falou à Gazeta de Vargem Grande sobre sua campanha, as pautas que defendem e os aprendizados com a última eleição. Confira:
Gazeta de Vargem Grande: Depois da experiência da candidatura anterior, o que te motivou a decidir concorrer novamente a deputada federal? O que mudou nessa sua decisão desta vez?
Danutta: Em 2022, eu era vereadora, estava no meu primeiro mandato, e recebi o convite para disputar a eleição para deputada federal ao lado do deputado estadual Sebastião Santos. Eu sempre me interessei por política e, mesmo sendo uma pessoa mais reservada e discreta, nunca fui alguém que deixasse de se posicionar diante daquilo em que acredito.
Naquele momento, enxerguei a candidatura como uma oportunidade de conhecer mais profundamente o universo político, ampliar meu conhecimento, levar minhas ideias para além do meu município e entender, na prática, a dimensão e a responsabilidade de uma candidatura ao Congresso Nacional. Entrei naquela eleição com os pés no chão, sabendo que ainda precisava amadurecer e me preparar para uma oportunidade futura de representar um número maior de pessoas.
A experiência de 2022 me mostrou algo muito importante: embora eu tenha recebido cerca de 4.800 votos, alcancei mais de 300 municípios do Estado de São Paulo. Para mim, isso foi muito significativo. Mostrou que havia pessoas que se identificavam com aquilo que eu defendia mesmo fora da minha região e que uma candidatura construída a partir de um propósito poderia ultrapassar os limites do município.
O que mudou de 2022 para cá foi, principalmente, a minha compreensão sobre o motivo pelo qual eu devo estar na política. Hoje, mais do que ocupar um espaço, eu quero ajudar a humanizá-lo. Tenho me incomodado profundamente com uma política em que, muitas vezes, as pessoas acabam construindo suas próprias vidas e carreiras por meio dela sem demonstrar verdadeira sensibilidade diante da dor, das dificuldades, das faltas e das lutas de quem deveriam representar.
Eu acredito que política precisa voltar a ter rosto, escuta, responsabilidade e propósito. Precisa ser instrumento para construir uma vida mais digna para as pessoas e não um caminho para que alguns simplesmente melhorem a própria vida. E talvez exista uma razão ainda mais pessoal para eu ter decidido dizer sim desta vez. Hoje, eu mesma atravesso uma batalha muito grande. Se dependesse apenas da minha vontade, talvez eu escolhesse me recolher, cuidar de mim, da minha família e guardar minhas forças para me reconstruir.
Mas eu me fiz uma pergunta: se eu desistir justamente agora por causa das minhas próprias dificuldades, o que digo às centenas de milhares de brasileiros que também enfrentam situações que não escolheram e precisam continuar vivendo, trabalhando, criando seus filhos e lutando por dignidade?
Eu não posso esperar a minha vida ficar perfeita para começar a lutar pela vida de outras pessoas. Se eu tenho a oportunidade de contribuir de forma efetiva para algumas causas e para algumas das tantas necessidades do nosso país, não me sinto no direito de cruzar os braços e esperar que tudo melhore para mim enquanto tantas pessoas continuam esperando por soluções.
Por isso, desta vez, a decisão não nasce apenas de uma oportunidade política. Nasce de uma convicção muito maior sobre o que acredito que a política deve ser: serviço, responsabilidade e compromisso verdadeiro com as pessoas. É por isso que estou novamente colocando meu nome à disposição.
Gazeta de Vargem Grande: Quais os aprendizados você pode assimilar com relação a campanha de 2022 e o que pretende fazer de diferente no pleito deste ano?
Danutta: A eleição de 2022 foi, para mim, uma grande escola. Talvez o principal aprendizado tenha sido compreender, na prática, a dimensão de uma candidatura a deputada federal. É muito diferente de uma eleição municipal: exige mais preparo, mais organização, presença em diferentes municípios e, principalmente, uma capacidade maior de comunicar aquilo que você defende para pessoas com realidades muito diferentes.
Também considero um acerto ter feito aquela campanha com muita verdade. Eu não tentei criar uma personagem para me adequar ao que imaginava que a política esperava de mim. Mantive minha forma de ser, meus valores e meus posicionamentos. E acredito que o resultado territorial daquela eleição mostrou que isso teve significado: mesmo com uma votação de aproximadamente 4.800 votos, alcancei mais de 300 municípios do Estado de São Paulo.
Ao mesmo tempo, reconheço que faltou estrutura e experiência para transformar esse alcance em uma candidatura eleitoralmente mais competitiva. E esse é justamente um dos pontos que pretendo fazer diferente agora. Hoje eu conheço melhor o caminho que estou escolhendo percorrer. Tenho mais clareza sobre a responsabilidade de uma candidatura federal, sobre a importância de construir uma presença regional consistente e, principalmente, sobre a necessidade de conversar com as pessoas antes, durante e depois da eleição.
Não quero fazer uma campanha baseada apenas em pedir votos. Quero apresentar propostas, ouvir as necessidades de cada região e construir relações verdadeiras com as pessoas. Quero que quem vote em mim saiba por que está votando e, sobretudo, o que pode esperar de mim depois da eleição.
O maior aprendizado de 2022 foi entender que vontade e propósito são fundamentais, mas não bastam. É preciso preparo, organização, estratégia e capacidade de transformar aquilo em que se acredita em trabalho concreto. E é justamente isso que quero levar para esta campanha: a mesma verdade que me trouxe até aqui, mas acompanhada de mais experiência, mais preparo e uma compreensão muito maior da responsabilidade de representar as pessoas.
Gazeta de Vargem Grande: Quais são suas expectativas para outubro? Você sente que o cenário político e o momento são diferentes em relação à candidatura anterior?
Danutta: Sim, acredito que o cenário é bastante diferente de 2022. Hoje existe um nível de descrença e de cansaço muito grande em relação à política e, principalmente, aos políticos. E isso me preocupa não apenas como candidata, mas sobretudo como cidadã.
A política está presente em praticamente todas as dimensões da nossa vida. Ela influencia a saúde, a educação, a segurança, o emprego, a infraestrutura, a assistência social e tantas outras áreas que determinam a qualidade de vida das pessoas. Por isso, quando a sociedade se decepciona com a política e decide simplesmente se afastar dela, quem perde não é apenas o político. Perdemos todos nós.
Também vejo a polarização como parte desse cenário. Quando o debate político passa a ser apenas uma disputa entre “nós contra eles”, deixamos de olhar para aquilo que deveria ser o mais importante: quem são as pessoas que estamos escolhendo para tomar decisões em nosso nome. Não acredito que devamos escolher um representante apenas porque ele pertence a um determinado lado, partido ou grupo.
Políticos são seres humanos. Têm princípios, valores, caráter, pensamentos, comportamentos e prioridades diferentes. Não podemos colocar todos no mesmo lugar porque muitos decepcionaram a sociedade ao longo das últimas décadas. Da mesma forma, não podemos entregar nosso voto de forma automática apenas porque alguém se apresenta como pertencente ao lado com o qual nos identificamos.
Meu desejo para esta eleição é que as pessoas voltem a olhar para o voto com a importância que ele realmente tem. Que não votem por raiva, por medo, por obrigação ou simplesmente porque “todo mundo está votando naquele”. Que conheçam, questionem, comparem e escolham de acordo com aquilo que acreditam ser melhor para suas famílias e para o país.
Minha expectativa para outubro é justamente essa: que, mesmo em um cenário de muito descrédito e polarização, o eleitor não desista da política. Pelo contrário. Que perceba que talvez uma das formas mais importantes de mudar aquilo que tanto nos decepciona seja participar, escolher melhor e cobrar depois.
Eu não acredito que a solução seja desistirmos da política. Acredito que precisamos recuperar o sentido de representação e lembrar que o político deveria estar a serviço da sociedade e não a sociedade a serviço do político.
E é nesse cenário que eu coloco novamente meu nome à disposição: não como alguém que acredita ter todas as respostas, mas como alguém que acredita que ainda vale a pena fazer política com princípios, responsabilidade, humanidade e disposição verdadeira para servir.
Gazeta de Vargem Grande: Quais serão as bandeiras e prioridades centrais que você pretende defender, e há alguma pauta nova em relação à última eleição?
Danutta: A construção desta campanha será diferente porque hoje eu tenho muito mais clareza sobre o que quero defender e, principalmente, sobre porque quero estar na política. As minhas pautas continuam tendo como ponto de partida a vida real das pessoas. Não quero trabalhar apenas com aquilo que é mais visível ou mais conveniente politicamente. Quero olhar para problemas que muitas vezes permanecem invisíveis até que aconteçam dentro da nossa própria casa.
A doação de órgãos passa a ocupar um espaço ainda mais importante entre as minhas prioridades. Quero trabalhar pela conscientização, mas também discutir políticas que fortaleçam todo o processo de doação e transplante e deem mais dignidade e esperança a quem espera por um órgão e às famílias que convivem com essa realidade.
Outra prioridade é ampliar o olhar sobre as pessoas com TEA e outras neurodivergências e, principalmente, sobre suas famílias. É preciso compreender que o diagnóstico não termina na pessoa diagnosticada. Existe uma família inteira que precisa de orientação, tratamento, acolhimento e suporte. E eu falo disso também a partir daquilo que conheço e vivencio de perto.
Na saúde, quero aprofundar a discussão sobre o tratamento oncológico, desde o acesso adequado aos exames e à prevenção até o diagnóstico e o início mais rápido do tratamento. Também precisamos olhar para a dignidade de quem está em tratamento e, muitas vezes, precisa viajar horas diariamente para conseguir atendimento em grandes centros. A doença já impõe um peso enorme; o Estado não deveria acrescentar ainda mais sofrimento por falta de acesso e estrutura.
A educação também continua sendo uma prioridade. Precisamos olhar com seriedade para a educação municipal e estadual, porque é nesses espaços que nossas crianças e adolescentes passam grande parte de sua formação. Isso envolve qualidade do ensino, estrutura, inclusão, segurança e condições adequadas para que o aluno aprenda, mas também passa necessariamente pela valorização dos professores.
Não existe educação de qualidade sem professor valorizado, respeitado e com condições dignas de trabalho. Precisamos discutir não apenas remuneração, mas formação, estrutura, saúde e segurança no ambiente escolar e condições para que o professor consiga exercer aquilo que nenhuma tecnologia substitui: educar, formar e transformar vidas.
A maternidade solo também continua sendo uma pauta importante para mim. Assim como o enfrentamento ao feminicídio e ao abuso sexual, especialmente contra mulheres e crianças. São situações que exigem prevenção, proteção, acolhimento, investigação eficiente e rigor onde houver violência e impunidade.
E existe uma questão que atravessa todas essas pautas: a situação econômica do nosso país. Eu não consigo falar sobre saúde, educação, segurança, assistência, maternidade ou inclusão sem falar também de economia. Um país que não consegue crescer de forma sustentável, gerar oportunidades, controlar desperdícios, melhorar a eficiência do gasto público e criar condições para que as pessoas tenham trabalho e renda encontra muito mais dificuldade para sustentar políticas públicas de qualidade.
Por isso, não acredito em política pública desconectada da realidade econômica. Precisamos discutir desenvolvimento, responsabilidade com o dinheiro público, eficiência e rigor onde houver desperdício, fraude ou má utilização dos recursos. O dinheiro público precisa chegar aonde à população realmente precisa.
Quanto à construção da campanha, quero fazê-la de maneira muito próxima das pessoas. Quero ouvir mais do que falar, conhecer as diferentes realidades dos municípios e transformar essas escutas em propostas possíveis, responsáveis e fiscalizáveis.
Não pretendo chegar ao Congresso Nacional com a promessa de resolver tudo. Seria desonesto dizer isso. Mas quero chegar com disposição para trabalhar, fiscalizar, propor e cobrar. As minhas bandeiras podem parecer diferentes entre si, mas, para mim, elas têm uma mesma raiz: dignidade.
Dignidade para quem espera um transplante. Para uma criança neurodivergente e sua família. Para quem enfrenta um câncer. Para uma criança que precisa de uma educação de qualidade e para o professor que precisa ser valorizado para poder oferecê-la. Para uma mãe que cria seus filhos sozinha. Para uma mulher vítima de violência. Para uma criança vítima de abuso. E também para o trabalhador que precisa de uma economia mais saudável para conseguir viver com segurança e perspectiva.
É esse olhar que quero levar para esta eleição: menos política de discurso e mais política de consequência. Porque, no final, cada decisão tomada dentro de uma Câmara, de uma Assembleia ou do Congresso Nacional precisa responder a uma pergunta muito simples: isso melhora ou não melhora a vida das pessoas?
E, acima de tudo, sigo acreditando que é preciso lutar, trabalhar, se posicionar e fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance. Mas também aprendi que nem tudo está sob o nosso controle. Por isso, faço a minha parte com amor e coragem, confiando que Deus conduz aquilo que as minhas mãos não podem alcançar. Eu não sei onde essa caminhada vai me levar, mas sei em quem confio: minha vida está nas mãos de Deus.












