Editorial: Cultura viva e sempre acessível

Vargem Grande do Sul vive, neste início de setembro, um exemplo prático de como a cultura transforma o cotidiano de uma cidade pequena. A Festa das Nações segue até domingo reunindo comunidades, tradições e sabores, enquanto o Cultura na Quebrada, realizado em 30 de agosto, levou música, arte e lazer gratuitos à periferia da cidade. São dois eventos que, juntos, mostram que o poder público entende cultura como direito, não como luxo.
O valor desses palcos vai muito além do entretenimento. Eles revelam talentos que dificilmente teriam outra vitrine, incluem pessoas que muitas vezes ficam à margem da vida cultural da cidade e incentivam moradores, especialmente jovens, a desenvolver novas habilidades e dar vazão à criatividade.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, encomendado pelo Ministério da Cultura, mostrou que cada R$ 1,00 investido em projetos culturais pode retornar até R$ 7,59 à economia, um ganho superior a 659%, fortalecendo turismo, comércio local e desenvolvimento social. O setor cultural também bateu recorde de emprego no país: segundo o IBGE, empregou 5,9 milhões de pessoas em 2024, o maior número da série histórica iniciada em 2014, com forte presença de trabalhadores jovens.
A pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Itaú Cultural com o Datafolha, reforça outro ponto: 59% das pessoas das classes D e E recorrem a atividades culturais gratuitas, contra apenas 23% das classes A e B, e quase metade dos brasileiros prefere que a cultura aconteça no próprio bairro, sem depender de deslocamento. É exatamente o que o Cultura na Quebrada propõe ao descentralizar as ações culturais, levando-as para o Jardim Santa Marta, por exemplo.
Por isso, seria interessante multiplicar iniciativas como essa, levando ainda mais ações culturais para outros bairros e criando uma agenda distribuída pela cidade. A prefeitura tem mostrado, com a Festa das Nações, Festa do Milho, entre outras que entende essa vocação. Cabe agora manter e ampliar esse caminho, para que cada vez mais vargengrandenses, especialmente os mais jovens, encontrem na cultura um espaço de pertencimento, desenvolvimento e futuro.

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