
Uma menina de 8 anos morreu na segunda-feira, dia 19, vítima de meningite bacteriana em São José do Rio Pardo. A prefeitura riopardense confirmou a morte de Maria Isadora Souza Nascimento, que estava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em São Carlos. A criança estudava na Escola Estadual Tarquínio Cobra Olyntho, que lamentou a perda da aluna.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de São José informou que acompanha a situação desde a confirmação do caso e presta suporte em conjunto com os serviços de saúde envolvidos. A Vigilância Epidemiológica da cidade adotou as medidas necessárias, conforme os protocolos de saúde pública.
Em entrevista à EPTV o médico José de Paula Maciel Neto relatou que a criança foi examinada por uma colega dele, que identificou sinais compatíveis com meningite. Confirmado o diagnóstico, a equipe iniciou o tratamento com antibióticos e internou a paciente. Devido à gravidade do quadro, ela foi transferida para a UTI de São Carlos. Segundo o médico, as causas bacterianas estão entre as mais graves e a transmissão ocorre principalmente por gotículas, secreções, saliva e espirro, além do compartilhamento de copos, talheres e do mesmo espaço ou dormitório.
Casos na região
Reportagem publicada em abril pela Gazeta de Vargem Grande informou que a região de Campinas enfrentava um alerta de saúde neste início de 2026 diante do aumento de casos de meningite, principalmente entre crianças. Até o fim de março, foram registrados 86 casos e 8 mortes, segundo dados dos departamentos regionais de saúde.
Em Vargem Grande do Sul, o Departamento de Saúde, informou à reportagem na ocasião que até abril, apenas um caso suspeito de meningite no município havia sido relatado. O paciente não era criança e o diagnóstico foi posteriormente descartado. No país, o Brasil registrou 13.653 casos de meningite de todas as etiologias em 2025.
Dia Mundial e cobertura vacinal
Celebrado em 5 de outubro, o Dia Mundial de Combate à Meningite reforça a importância da prevenção, da vacinação e do reconhecimento dos sinais da doença. O alto índice de casos levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a estabelecer a estratégia global “Derrotar a Meningite até 2030”. Entre as metas estão eliminar as epidemias de meningite bacteriana, reduzir em 50% os casos preveníveis e em 70% as mortes, além de diminuir as sequelas e melhorar a qualidade de vida dos afetados.
Os números da cobertura vacinal, porém, estão abaixo do desejado. Dados do Ministério da Saúde apontam cobertura de 89,22% no Estado de São Paulo em 2026, abaixo da meta de 95%. No Brasil, o índice é de 89,64%.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas que protegem contra diferentes causas da doença. A pentavalente, indicada aos 2, 4 e 6 meses, protege contra o Haemophilus influenzae tipo B, causador de formas invasivas da doença, além de difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. A meningocócica C é recomendada aos 3 e 5 meses de idade. A meningocócica ACWY é indicada como reforço aos 12 meses e para adolescentes entre 11 e 14 anos.
As vacinas pneumocócicas conjugadas, que protegem contra o pneumococo, são aplicadas em crianças aos 2 meses (VPC20), aos 4 meses (VPC10) e aos 12 meses (VPC20), como reforço. A nova orientação do Programa Nacional de Imunização (PNI) ampliou a Pneumo 20 para pessoas com 85 anos ou mais. A vacina BCG, em dose única ao nascer, protege contra as formas graves da tuberculose, incluindo a meníngea.
Sinais de alerta
Os sintomas da meningite bacteriana incluem dor de cabeça muito forte, febre acima de 38 graus, rigidez de nuca, vômitos, sensibilidade à luz, confusão mental, sonolência e irritabilidade. Convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele são sinais de gravidade e exigem atendimento médico imediato, pois o quadro pode evoluir rapidamente.
Além da vacinação, medidas como lavar as mãos, manter os ambientes ventilados e adotar a etiqueta respiratória ajudam a prevenir infecções.












