
Após mais de um ano de pandemia de Covid-19, muitas categorias de trabalhadores buscaram se adaptar para minimizar o impacto trazido pelas medidas necessárias de prevenção da doença causada pelo vírus SarsCoV2. No entanto, o setor de eventos e turismo segue como um dos mais afetados pelas perdas econômicas provocadas pela quarentena e medidas de isolamento social que levou ao adiamento ou cancelamento de festas, celebrações, casamentos, aniversários, etc.
A Gazeta de Vargem Grande entrevistou alguns profissionais da cidade envolvidos nessas áreas para saber como estão fazendo para continuar trabalhando. A cerimonialista Rosa Maria Nhola, proprietária do Requinte Cerimonial e Celebração falou sobre as dificuldades enfrentadas na pandemia.
Cerimonialista há 11 anos, ela atualmente trabalha também como celebrante em casamentos. “Há mais de um ano e meio, o setor de eventos vive sob incerteza e dúvidas a respeito de quando poderá retornar às atividades paralisadas desde o início da pandemia. O cenário atual é de dificuldades financeiras, por ser um dos mais afetados e ainda não mostra sinais de reação”, disse.
Ela comentou que quem atua nessa área é por amor e paixão, e por isso estão vivendo um sentimento de vazio. Contudo, a cerimonialista acredita que o pior já passou e muito em breve, poderão voltar a realizar sonhos e festejar com alegria.
Para continuar trabalhando, Rosa, que por muitos anos atuou como professora primária, aproveitou a oportunidade para trabalhar com Reforço Escolar com alunos que estão enfrentando as dificuldades do ensino remoto. Ela falou das principais perdas que sofreu neste período. “Os cancelamentos, remarcações e adiamentos dos casamentos foram muito difíceis de lidar, tanto com a frustração dos noivos, como para conciliar as datas junto aos fornecedores”, explicou.
Para Rosa, as noites de sexta-feira e sábado nunca mais foram as mesmas. “A correria da preparação de uma cerimônia e a adrenalina de ver o andamento de uma festa saindo conforme o esperado, fazem falta para quem, como eu, há mais de uma década vive essa realidade”, lamentou.
A profissional comentou que em cada evento trabalham em média de cinco a oito funcionários, contratados como eventuais, conforme a demanda do evento, portanto não precisou fazer cortes na equipe. “Além disso, no meu caso, mantenho o escritório em minha casa, então não preciso arcar com aluguel extra ou outras despesas”, disse.
Ela contou como se reinventou para seguir na pandemia. “Fazendo cursos de especialização como: etiqueta e postura, Etiqueta Social, Organização de Eventos e seguindo com atendimento online e reuniões com os clientes”, completou.
Decoração de festas e aluguel de salão de eventos

Michele Elídio da Silva Lopes, proprietária da Michele Elídio Decoração e Eventos, contou sobre as dificuldades que vêm enfrentando para seguir trabalhando na pandemia.
Com a empresa completando 10 anos em 2021, a decoradora contou como começou no ramo de eventos. “Primeiramente eu apenas fazia lembrancinhas, convites e toda a parte relacionada à papelaria. Depois ingressei no ramo de decoração e até então sempre foi o meu foco. Encontrei o meu espaço neste ramo e era o que gerava mais lucratividade e visibilidade pra mim”, disse.
No final de 2019 ela já contava com a ajuda de três colaboradoras. “Nenhuma era registrada, elas trabalhavam como freelancer, mas graças a Deus tínhamos muito trabalho. Nós fizemos em dezembro de 2019, 28 formaturas na região. E, de repente, a pandemia chegou. Foi um susto enorme, pois tínhamos muitas festas agendadas. Eu estava investindo na construção da minha casa e de repente tudo parou. Minhas ajudantes tiveram que arrumar outro trabalho, afinal precisavam trabalhar. Foi muito ruim ver tudo isso”, contou.
Michele contou que teve que abrir mão de algumas coisas em sua vida particular para lidar com a pandemia. “Por exemplo, eu sempre estava em uma ou outra loja comprando roupas e sapatos, e toda semana sempre pedíamos um lanche ou uma pizza. Então passamos a cozinhar apenas em casa e viver com o que tínhamos, pois a renda literalmente foi a 0 nos 100 primeiros dias da pandemia”, relatou.
“Nós ficamos 100 dias sem fazer nada, até que veio a primeira festa. Uma festa de 50 anos de uma cliente que não abriu mão, mas fez em casa para oito pessoas, com apenas o marido e filhos. E aí começamos a ver uma luz no fim do túnel. As festas em casa, pequenas, apenas para fotos foram ganhando espaço e assim aos poucos voltamos”, completou.
De acordo com ela, a renda ainda está 50% menor do que antes, mas já conseguimos permanecer com nossas despesas em dia. “Nossas despesas são básicas, já que temos um espaço onde utilizo como depósito e também como escritório, prestando os atendimentos”, contou.
Porém, durante a pandemia a decoradora também passou a dar mais ênfase na papelaria. “Além disso, o mercado de balões também cresceu e me ajudou muito, por exemplo o balão bubble, que está super em alta. Eu trouxe pra Vargem a novidade faz uns quatro anos, fazia um ou outro, mas o pessoal ainda não havia se interessado muito. Porém na pandemia, ele estourou, ajudando muito na nossa renda”, disse.
“Eu espero muito que em 2022 possamos voltar a fazer isso que eu mais amo, decorar festas e realizar sonhos. Afinal, muitos sonhos de noivos, principalmente, estão aqui engavetados esperando que tudo volte a ficar bem”, comentou.
Além de decoradora, Michele também contava com um salão de festas, que alugava para eventos. Porém, durante a pandemia, foi obrigada a devolver o imóvel. “Durante o ano de 2020, acho que em julho, tentamos devolver ao dono. Nós vimos que a pandemia ainda não estava perto de acabar e não teríamos dinheiro para bancar. Sendo assim, fomos até o dono do prédio, porém o mesmo disse que não precisávamos devolver e nem pagar o aluguel, era apenas para custearmos as despesas, como água, energia e IPTU”, disse.
“Então fomos levando assim, até que em novembro, ele nos pediu o salão, pois iria abrir lá um outro negócio. Ficamos muito tristes e decepcionados, pois além de vermos ali um futuro ainda bem legal, tem também o fato que de um dos maiores salões de festa em Vargem com um alvará muito bom, mas infelizmente não tivemos outra alternativa”, completou.
Aluguel de roupas

Outro ramo do meio de eventos que vêm sofrendo com a pandemia é o de aluguel de roupas. Alessandra Américo da Silva, da Alessandra Noivas, comentou que infelizmente está muito complicado. “Desde quando começou a pandemia em março do ano passado, todas as festas, formaturas, aniversários de 15 anos e casamentos foram desmarcados”, disse.
“Foram muitos prejuízos financeiros, já que haviam vários trajes já prontos para a entrega, nos quais foram cancelados, gastos com costureiras, lavanderia, funcionários, aviamentos e tecidos para pagar. Eram trajes feitos sob medida e foi tudo cancelado”, lamentou.
A empresária pontuou que ela e o marido abriram mão de muitos privilégios e suas vidas mudaram radicalmente e, infelizmente, para pior. “Já estamos no mercado há quase 20 anos e, desde então, só trabalhamos nessa área, essa era a nossa única fonte de renda. E com o ateliê fechado, tivemos dispensa de vários colaboradores”, contou.
Logo no início da pandemia, eles começaram a confeccionar máscaras personalizadas, faixas e peças na área da costura. “Mas logo em seguida, adquiri a Covid-19 e aí paralisou tudo novamente. Fiquei mais de dois meses muito debilitada. Foi onde meu esposo já partiu para outras áreas, ele descasca e vende alho e trabalha como mototaxista e motoboy para conseguirmos nosso sustento”, disse.
Alessandra comentou que segue com esperança e com muita fé que um dia tudo volte ao normal. “Porque eu não queria parar, não queria fechar, não quero e não tenho essa convicção de fechar a loja porque eu não faço apenas por dinheiro, é o que eu amo, isso é minha vida. É uma alegria para mim atender uma noiva, fazer um vestido, bordar. Não é fácil e sei que não é só para a gente, é pra todo mundo que tá muito difícil”, relatou.
“Uma das nossas principais atitudes, se não a mais importante, é que estamos mudando nosso ateliê. Nós vamos para um espaço menor para buscar uma enorme economia, que é o que vamos fazer, e pra conseguir cumprir com nossas obrigações em dia”, completou.
Fotógrafos de eventos

Os fotógrafos de eventos também tiveram que se adaptar à pandemia. Janaína de Almeida Pacola e Jonathan Domingues da Silva, da Estúdio Visualize, comentaram que, para continuar trabalhando, mudaram o foco da empresa de eventos para o trabalho em estúdio.
Eles também falaram das principais perdas que sofreram neste período. “Estávamos evoluindo e a procura pelo nosso trabalho em registro de eventos estava em ascensão. Com a pandemia, essa procura caiu em 70%”, disseram. Assim, o casal teve que abrir mão do atendimento de clientes em massa. “Nossos ensaios estão limitados por quantidade de pessoas devido as normas sanitárias, automaticamente, houve redução de faturamento”, comentaram.
Na empresa não houve demissões, porém, os planos de contratação foram adiados devido a pandemia. Para se reinventarem e seguirem trabalhando, gastos foram cortados e investimentos foram feitos. “Cortamos gastos como a locação de um ponto exclusivo para o estúdio. Atualmente, estamos em home office. Nós investimos nossos esforços em melhorar nossa estrutura, como foi o caso de criar um ambiente ao ar livre para atender de forma segura todos os clientes”, explicou.











