O grande movimento dos caminhões transportando batata ou junto às beneficiadoras para carregarem o produto, praticamente acabou na cidade. Também o mesmo está acontecendo com dezenas de ônibus que levavam centenas de trabalhadores braçais para colher batata em Vargem Grande do Sul e nos diversos municípios da região, onde ocorreu a safra de 2022.
A colheita da batata teve início em julho e pelo que apurou a reportagem do jornal Gazeta de Vargem Grande, este ano foi muito bom para os bataticultores. Nas palavras de um agricultor, “um ano abençoado, pela produtividade, qualidade e os preços alcançados”.
Foram plantados na região de Vargem, que engloba diversos município, mas cuja maioria dos plantadores reside na cidade, cerca de 11 mil hectares de batata, com uma produtividade entre 700 a 800 sacas de 50kg.
Para Pedro Marão, presidente da Associação dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul (ABVGS), foi uma safra boa, apesar de todos os problemas enfrentados durante o ciclo da cultura. “No começo a produtividade foi bem abaixo do esperado, e com o decorrer da colheita, ela foi melhorando até o final”, afirmou.
O preço do produto pago ao bataticultor variou um pouco durante a safra, cuja colheita teve início em julho deste ano. A batata destinada ao mercado, também conhecida como batata de mesa, é a mais plantada na região e no início da safra o bataticultor recebeu em média R$ 70,00 a saca de 25kg da batata de boa qualidade. Já a mais inferior, oscilou entre R$ 40,00 a R$ 50,00 a saca.
Como explicou o empresário Marconi de Jesus Andreato, sócio proprietário da Beneficiadora de Batata Santana, que trabalha também com compra e venda do produto, devido ao aumento da produção, entre 20 de julho até meados de agosto, o preço baixou para algo em torno de R$ 35,00 a saca de 25kg pago ao produtor. “Foi um mês delicado para os produtores, com os preços caindo muito, mas, em setembro houve uma boa reação, voltando à casa dos R$ 70,00 por saca”, explicou Marconi, ao comentar sobre as muitas variações de preços que ocorrem durante a colheita da safra que dura em média uns 100 dias.
Este preço bom se manteve até o início de outubro, variando um pouco acima da média, mas logo depois do dia 10, o preço voltou a cair e neste final de safra, o produtor passou a receber cerca de R$ 30,00 a saca. Mesmo com estas variações, os principais produtores acostumados que estão com as altas e baixas dos preços praticados durante a safra, procuram colher o produto durante todo o período, fazendo uma média dos preços, o que daria em torno de R$ 50,00 a R$ 60,00 a saca de 25kg, o que certamente agradou a maioria dos produtores.
Já o pequeno produtor, que colheu em uma ou duas datas o seu plantio, se pegou um dia em que o mercado estava em baixa, certamente não atingiu uma boa média e pode não ter tido um bom resultado este ano.
Como explicou Pedro Marão, “a safra começou com preços bons, mas com o decorrer da colheita, o preço baixou devido a grande quantidade de alimento que entra no mercado. E no final, devido à menor quantidade de tubérculos, o preço voltou aos patamares do começo”.
O presidente disse ao ser perguntado se os produtores saíram mais fortalecidos nesta safra, que os agricultores que estavam em dia com suas contas, fizeram uma boa safra. Mas alguns produtores que concentraram seus plantios no começo, podem ter sofrido um pouco com a perda na qualidade do produto. “Mas, de uma forma geral, todos se beneficiaram”, afirmou.
Indagado quais foram os principais problemas enfrentados pelos produtores este ano, o presidente da ABVGS citou que muito calor no começo do plantio, prejudicou bastante as produções. “Com o passar dos meses, as temperaturas ficaram mais amenas, e a cultura se desenvolveu melhor, ocasionando uma melhor produtividade.
O alto custo com os fertilizantes, devido à guerra da Ucrânia, impactou muito o planejamento do produtor”, esclareceu Pedro.
Outra pergunta feita pelo jornal ao presidente da ABVGS, foi com relação a avanços no plantio desta safra, bem como o surgimento de novas tecnologias e aprimoramento nas vendas. Pedro Marão afirmou que a introdução de produtos biológicos, que ajudam na estruturação do solo e combatem organismos que prejudicam o desenvolvimento da batata, está cada vez mais sendo utilizado, deixando a produção ainda mais sustentável.
Segundo apurou o jornal, os prejuízos que no passado eram constantes durante as vendas dos produtos, com muitos bataticultores vendendo sua safra e não recebendo, estão mais difíceis de ocorrerem. O mercado foi fazendo a seleção e novas formas de pesquisas e levantamentos sobre a idoneidade dos compradores ajudaram a evitar antigos calotes que ocorriam.
Também os produtores estão hoje mais qualificados, muitos com os filhos assumindo os negócios e mais atentos às novas tecnologias, buscando mais informações e isso reflete tanto na produtividade como também na lucratividade, segundo apurou o jornal.
A safra na região deve ter produzido algo em torno de dez milhões de sacas de batata de 50kg e movimentado perto de meio bilhão de reais, o que demonstra o potencial do produto para o desenvolvimento de Vargem Grande do Sul e região.
Só para tocar a safra em Vargem, este ano cerca de 1.500 pessoas foram contratadas para trabalhar na colheita e nas beneficiadoras. A maioria veio de alguns estados do Nordeste. Com ganhos que variavam de R$ 500,00 a R$ 600,00 por semana, nestes cem dias de safra, milhões de reais foram injetados na economia local através dos trabalhadores, muitos deles levando também suas economias para as cidades de origem, ajudando a desenvolver suas comunidades.
Finalizando sua entrevista ao jornal, Pedro Marão afirmou que a cada ano que passa, o agricultor se reinventa, mostrando que um ano é muito diferente do outro, em todos os aspectos. “Os desafios sempre colocam o produtor rural a prova. E, de forma sublime, ele faz um trabalho espetacular, sempre lembrando que graças a sua dedicação todo dia com a plantação, temos alimentos saudáveis e de ótima procedência para alimentar toda a população”, finalizou.












