Polícia investiga se pai e filho ciganos foram executados

Tão logo ocorreu o duplo homicídio que matou os ciganos Gumercindo Nogueira, 64 anos e seu filho Euripes Nogueira, 42 anos em Vargem Grande do Sul, a equipe chefiada pelo delegado titular do município Antônio Carlos Pereira Júnior, responsável pelo caso, deu início às investigações visando descobrir o autor dos disparos que ceifaram a vida dos dois representantes da comunidade cigana da cidade.
Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, o delegado afirmou que a primeira providência, depois de isolado o local do crime e ouvido os familiares das vítimas, foi coletar as imagens de segurança instaladas na própria residência onde aconteceu os fatos e também nas imediações do local.
“Com essas imagens conseguimos ver que o autor do crime foi somente uma pessoa que adentrou na garagem da casa de Euripes e o executou com vários tiros, à queima-roupa, com uma arma de grosso calibre, 380”, afirmou o delegado. O delegado acredita que o alvo principal seria Euripes, mas como seu pai estava no local, acabou também sendo vítima dos disparos.
Através das imagens, o delegado disse que deu para ver que o executor ocupava um carro de cor preta, cujo modelo já foi identificado, mas a polícia ainda não teve acesso à placa do veículo, pois as imagens até agora colhidas, não estão muito nítidas com relação às placas.
Explicou que o assassino usava blusa escura e um boné, que sabia da rotina das vítimas, sendo muito rápido na sua ação, não dando a menor chance de defesa ao pai e ao filho executados, pois usava uma arma com capacidade de disparar mais de 15 tiros simultaneamente, podendo as vítimas terem recebido mais de dez tiros, o que vai ser confirmado pelo laudo pericial.
Todas as hipóteses para que o crime tenha ocorrido, estão sendo investigadas e analisadas pela polícia, mas segundo o dr. Antônio Carlos, tudo leva a crer em uma execução, talvez por algum desacordo comercial, cobrança de alguma dívida.
A reportagem do jornal apurou que Euripes era muito conhecido na cidade e região por empréstimos de dinheiro, negociava também carros, comprava e vendia imóveis e realizava cobranças de dívidas. São estes fatores as principais linhas de investigação da polícia civil, não descartando, porém, nada que possa levar a desvendar este caso que chocou a comunidade cigana de Vargem e região, e também os moradores da cidade.
Euripes tinha negócios em toda a região e as diligências prosseguem, segundo o delegado, inclusive no Estado de Minas Gerais. “Ele tinha vários desafetos e estamos investigando todas as possibilidades, todas as informações, todas as suspeitas. Se alguém tiver alguma informação que possa nos ajudar, podem entrar em contato pelo telefone 3641-1030, que também é WhatsApp, o sigilo é absoluto”, pede dr. Antônio Carlos.
Dado o empenho da polícia civil, o crime pode ser desvendado rapidamente, ou demorar algum tempo, pois várias são as linhas de investigação que a polícia está realizando. Para tanto, o delegado afirmou que conta com o apoio da Polícia Militar, da polícia civil de várias cidades da região e também com a Guarda Civil Municipal de Vargem Grande do Sul.
Os corpos das vítimas foram levados para o IML de São João da Boa Vista e após a liberação, segundo apurou a reportagem do jornal Gazeta de Vargem Grande, seriam sepultados pelas suas famílias no município vizinho.

Como foi o crime
Segundo o Boletim de Ocorrência da Polícia Militar, a equipe composta pelos cabos Salomão e Márcio, durante patrulhamento ostensivo e preventivo pelo município, foi informada por um popular que teria ouvido alguns disparos de arma de fogo pela Rua José Mazeto, no Jd. Ferri, não sabendo informar mais detalhes. Os policiais se deslocaram para o local, onde puderam visualizar uma grande quantidade de pessoas, sendo realizado contato com Aparecido Nogueira, que informou que seu irmão Euripes e seu pai Gumercindo teriam sido alvejados por diversos disparos de arma de fogo, e socorridos por populares até o Hospital de Caridade. Aparecido disse que não presenciou os fatos, porém soube que um homem magro, branco, trajando calça e camiseta preta, teria chego no local, conduzindo um veículo de cor preta aparentemente um Golf, parou na Rua Carino José Bernardes e se dirigiu a pé até a casa da vítima Euripes que se encontrava na garagem conversando com seu pai, sendo ambos alvejados por diversos disparos de arma de fogo. De imediato o local foi preservado, uma vez que restou capsulas calibre 380 no solo e após a comunicação prévia com o Plantão Policial de São João da Boa Vista, o delegado Eduardo Denadai Campos compareceu no local dos fatos, juntamente com a perícia composta pelo fotógrafo Caio, perito Pablo e viatura S-1245, sendo que após os trabalhos periciais, os objetos de interesse da perícia foram recolhidos por eles e o local foi liberado.
As chaves dos veículos, juntamente com os objetos que estavam na posse da vítima Euripes, sendo relógio, corrente, pulseira, anel, carteira e um molho de chaves, foram entregues a Aparecido Nogueira ainda no hospital. Foi realizado patrulhamento com apoio das equipes do CFP, CGP- IV e demais viaturas na tentativa de localizar o autor dos disparos, porém sem êxito.

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