Libânio Coracini: Feijões para anunciar o Natal

Libânio Coracini, de 91 anos, contava os dias para a chegada do Natal retirando feijões de um pote, ideia de sua mãe. Foto: Reportagem

Feijões marcavam a contagem regressiva para o Natal na vida do senhor Libânio Coracini, prestes a completar 92 anos.
“A minha mãe, cansada das minhas perguntas sobre a chegada do Natal, pegou uma caixinha e encheu de grãos de feijão. Ela me disse: Todo dia você tira um; quando só restar um na caixinha, no dia seguinte é Natal”.
Com ansiedade pela tão esperada comemoração, Libânio retirava um feijão do pote diariamente, o que representava um dia a menos para se reunir à mesa com a família e desfrutar de iguarias disponíveis apenas nessa época.
O nhoque feito por sua mãe era aguardado com grande expectativa. “Tudo era preparado em casa. O cabrito assado, a leitoa, tudo em casa. Hoje, se você tem dinheiro e vai ao supermercado, o Natal está pronto”. Uma rosca especial também vem à memória: “A minha mãe fazia a rosca com uvas-passas, não apenas uma, eram sete ou oito. Bonita e amarronzada por cima. Uma delícia! Hoje, essa tradição desapareceu”.
“Era esperado e muito aguardado”, comenta sobre a demora para a chegada do Natal, atribuindo a mudança de expectativa à quantidade de festas ao longo do ano. “O Natal hoje não é tão esperado como antigamente porque as festas ao longo do ano diminuem a expectativa. Parece que é Natal o ano inteiro”.
Libânio revela à Gazeta que, nos Natais passados, sua família não realizava ceia natalina. Os adultos iam à Missa do Galo na Matriz de Sant’ana, enquanto as crianças descansavam e aguardavam o Papai Noel em casa. “As crianças ficavam dormindo, esperando o Papai Noel”, relembra Libânio.
A primeira lembrança natalina é da manhã do dia 25: “Eu levantei cedo, fui ver meu sapatinho e lá estava um brinquedo”. Outra memória é a busca por decorações natalinas. “Um dia, fui de caminhão com alguém mais velho em uma roça buscar um pinheirinho para fazer a árvore de Natal. Simples, não como hoje, mas existia”.
Para o empresário aposentado, a memória mais marcante foi aos 7 anos, quando recebeu um presente de uma professora: um livro. O título, “Meninice” de Luís Gonzaga Fleury, deixou uma marca inesquecível, e até pouco tempo atrás, Libânio o conservava consigo. “Guardei por muitos anos”, relembra.
Mesmo com as mudanças descritas à Gazeta, Libânio mantém o mesmo sentimento em relação à celebração: esperança. Ele recorda o passado com carinho, mas se anima com o presente. “A antiga comemoração era mais simples, mas tenho que viver o hoje”, conclui.
“Com 91 anos de vida, que presente maior posso desejar? Nada mais. Meu presente eu já ganhei”.
“Desejo que o Natal seja feliz, tranquilo, com muita paz e confraternização. Que, acima de tudo, os homens se entendam”, expressa seus votos de paz.

 

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