Empresários alertam para desafios que mudanças trarão

A proposta, no entanto, gera divergências entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial. Para Ademir Peres, proprietário da rede de Supermercados Peres, a medida pode trazer impactos significativos para o comércio.
Segundo ele, um dos principais desafios já enfrentados pelo setor é a escassez de mão de obra, problema que tende a se agravar com a redução da jornada. “Os principais problemas são a falta de mão de obra, algo que o mercado já vem enfrentando há algum tempo, além do aumento nos custos, que certamente serão repassados aos preços para o consumidor”, afirmou.
Peres também alerta para possíveis reflexos no atendimento ao público, devido à dificuldade de contratação, especialmente em pequenas empresas que dependem diretamente de mão de obra intensiva. “Pode haver piora no atendimento, justamente pela dificuldade de encontrar mão de obra”, destacou.
Na mesma linha, a empresária Joice Romão Mineli, da empresa Malú Magazine, avalia que a mudança traz pontos positivos, mas também desafios importantes para quem empreende.
“A jornada de trabalho do comércio sempre foi um pouco puxada. Mesmo com início às 9h, o sábado sempre foi um fator decisivo para quem busca emprego no setor”, explicou.
Ela defende maior padronização nas jornadas. “Acho que todos os comércios deveriam ter uma carga horária igual. Fica difícil para quem trabalha em empresas com horários diferentes, e até para o próprio trabalhador do comércio organizar sua rotina”, ponderou.
Joice também chama atenção para a carga tributária e os custos enfrentados pelos empresários. “A questão que pesa é implementar essa mudança diante de tantos impostos governamentais e municipais, além de salários e benefícios. É justo melhorar para o trabalhador? Sim, claro. Mas e o empregador? Está fácil conciliar tantos deveres com poucos direitos?”, questionou.
Apesar das ressalvas, ela reconhece os benefícios da proposta. “Mais tempo para descansar, viajar e ter uma mente mais tranquila traz retorno emocional importante. A proposta é louvável, mas deveria vir acompanhada de uma avaliação melhor para o empregador”, afirmou.
A empresária defende ainda incentivos por parte do poder público. “Espero um melhor incentivo tributário e fiscal para quem empreende e paga suas obrigações em dia. Precisamos de um olhar mais motivador para quem gera empregos e sustenta tantas famílias”, destacou.

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