Trabalhadores e empresários de Vargem debatem mudança

Mudança da escala 6x1 é defendida em redes sociais e manifestações e impulsionou projetos no Congresso

A proposta de fim da escala 6×1 divide opiniões no Brasil entre defensores da qualidade de vida do trabalhador e críticos que alertam para os riscos econômicos da mudança.
Os apoiadores da mudança argumentam que jornadas mais equilibradas reduzem afastamentos, melhoram o desempenho e diminuem a rotatividade. O governo federal cita experiências internacionais como referência: o Chile aprovou a redução gradual de 45 para 40 horas semanais até 2029, a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até 2026, e países europeus como França, Alemanha e Holanda já operam com médias iguais ou inferiores a 40 horas semanais.
Do lado contrário, empresários e parlamentares alertam para o impacto nos custos de produção, especialmente para pequenas e médias empresas, responsáveis por 80% do emprego formal no país. Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), estima que a manutenção do salário com redução da jornada poderia elevar os custos trabalhistas em 20%, com repasse de 7% a 8% nos preços ao consumidor final. Há um alerta que a medida pode incentivar a informalidade, sem necessariamente melhorar as condições do trabalhador.

Sindicato defende mudanças

João Carlos, do Sincomerciários, afirma que medida trará melhorias à economia

Para o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de São João da Boa Vista e Região (Sincomerciários), João Carlos Miiller, a discussão representa um avanço nas relações de trabalho. “A escala 6×1 já não faz mais sentido hoje, pois o trabalhador em geral trabalha muito, com pouco descanso, e isso pesa demais no dia a dia. Essa mudança é uma questão de qualidade de vida e respeito”, afirmou em entrevista à Gazeta de Vargem Grande.
Segundo ele, a possível mudança tende a impactar positivamente a rotina dos trabalhadores. “Vai melhorar muito a qualidade de vida, pois o trabalhador terá mais tempo para a família, para descansar e cuidar da saúde. Isso faz diferença real, pois o empregado ficará menos cansado, menos estressado e até trabalhará melhor”, destacou.
Sobre os argumentos contrários, como aumento de custos e possíveis impactos no emprego, Miiller pondera que esse tipo de preocupação é recorrente. “Esse tipo de argumento sempre aparece quando se fala em melhorar direitos do trabalhador. Mas, na prática, não é só custo. Um trabalhador mais descansado produz melhor, falta menos e atende melhor. E pode até gerar mais vagas, porque as empresas vão precisar ajustar as escalas. No fim, todo mundo ganha, inclusive a economia”, completou.

Trabalhadores falam sobre possível redução
A Gazeta entrevistou trabalhadores do setor comercial e de serviços em Vargem Grande do Sul para saber como estão avaliando as discussões em andamento. Temendo possíveis represálias, os três pediram para que seus nomes fossem omitidos pela reportagem.
Um frentista de um posto de combustíveis pede cuidado. “Na minha opinião, isso pode causar mais desemprego, porque a situação já não anda boa. Os patrões têm muitos impostos e outras despesas para pagar, e acredito que isso pode refletir nos funcionários”, ponderou
Duas trabalhadoras de lojas da cidade defendem a mudança da escala, “Eu acho que seria uma forma de ajudar o trabalhador CLT, porque muitos vivem uma dupla jornada, principalmente as mulheres, que precisam conciliar o trabalho com os cuidados da casa e da família. Temos filhos, casa, marido e várias responsabilidades para dar conta. No comércio, a rotina é cansativa, e diminuir a carga horária ajudaria bastante”, afirmou uma das entrevistadas.
A segunda trabalhadora concorda com a redução. “Para nós que trabalhamos no comércio, a rotina é muito puxada. A carga horária é cansativa e o atendimento ao público exige atenção redobrada o tempo todo, o que acaba desgastando bastante. Ter mais descanso ajudaria não só os funcionários, mas também a melhorar o atendimento ao cliente. Outro ponto importante é que, sem redução no salário, a mudança ajudaria muito, porque todos precisam do dinheiro. Muitas vezes, o trabalhador não pode faltar e acaba vindo trabalhar até doente, já que o descanso é quase inexistente”, observou.
Um empregado de um supermercado também vê a mudança com bons olhos. “Eu acho que vai ser melhor, porque teremos mais tempo livre para resolver as coisas do dia a dia e questões familiares. Um dia só de folga não é suficiente para descansar nem para aproveitar a família”, disse.

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